Economia

Inflação, emprego e PIB: o tripé que deve levar o Fed a manter juros

28 abr 2026, 9:00 - atualizado em 24 abr 2026, 16:38
(Imagem: iStock/ Darren415)

O mercado global entra neste domingo (26) em modo de “semana decisiva” com uma maratona de decisões de política monetária, e uma das mais aguardadas vem dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira (29), o Federal Reserve anuncia sua nova taxa de juros, em sincronia com a decisão do Banco Central brasileiro, definindo o tom da maior economia do mundo.

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A aposta lá fora é quase unânime. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, 99,5% do mercado projeta manutenção dos juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%. O pano de fundo dessa expectativa combina uma inflação ainda resistente, um mercado de trabalho sólido e sinais de desaceleração moderada da atividade.

A decisão está sendo observada com uma lupa já que desde o início da guerra no Oriente Médio os efeitos do preço do petróleo têm causado uma tensão global em relação à economia.

A seguir, o que dizem os principais indicadores que chegam à mesa do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, em inglês).

PPI (preços ao produtor)

Os preços ao produtor avançaram 0,5% em março, em linha com fevereiro (revisado). O dado veio abaixo do esperado, com serviços praticamente estáveis. Ainda assim, a alta da energia, impulsionada pelas tensões com o Irã — começa a contaminar a inflação na origem. Por enquanto, o impacto parece inicial, mas já acende um sinal amarelo.

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CPI (inflação ao consumidor)

O CPI subiu 0,9% em março, maior alta desde junho de 2022. No acumulado em 12 meses, a inflação chegou a 3,3%, ainda bem acima da meta de 2% do Fed. O avanço foi acompanhado por um mercado de trabalho aquecido, sugerindo que a demanda continua firme — combustível clássico para pressão inflacionária.

PIB (atividade econômica)

A economia americana perdeu fôlego no quarto trimestre. O PIB foi revisado de 0,7% para 0,5% em termos anualizados, refletindo menor investimento das empresas e desaceleração na formação de estoques. Apesar disso, os lucros corporativos avançaram com força, criando um contraste curioso entre atividade mais fraca e rentabilidade elevada.

PCE (inflação preferida do Fed)

O PCE subiu 0,4% em fevereiro, com o núcleo também avançando 0,4%. Em 12 meses, o índice cheio acumula 2,8% e o núcleo, 3%. Ambos seguem acima da meta. Mesmo com defasagem na divulgação por questões administrativas, esse é o termômetro favorito do Fed — e continua indicando febre leve, porém persistente.

Payroll (mercado de trabalho)

O mercado de trabalho surpreendeu positivamente: foram criadas 178 mil vagas em março, bem acima das expectativas (51 mil). A taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%. O retrato é de um mercado ainda resiliente, longe de justificar cortes imediatos de juros.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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