Inflação, emprego e PIB: o tripé que deve levar o Fed a manter juros
O mercado global entra neste domingo (26) em modo de “semana decisiva” com uma maratona de decisões de política monetária, e uma das mais aguardadas vem dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira (29), o Federal Reserve anuncia sua nova taxa de juros, em sincronia com a decisão do Banco Central brasileiro, definindo o tom da maior economia do mundo.
A aposta lá fora é quase unânime. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, 99,5% do mercado projeta manutenção dos juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%. O pano de fundo dessa expectativa combina uma inflação ainda resistente, um mercado de trabalho sólido e sinais de desaceleração moderada da atividade.
A decisão está sendo observada com uma lupa já que desde o início da guerra no Oriente Médio os efeitos do preço do petróleo têm causado uma tensão global em relação à economia.
A seguir, o que dizem os principais indicadores que chegam à mesa do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, em inglês).
PPI (preços ao produtor)
Os preços ao produtor avançaram 0,5% em março, em linha com fevereiro (revisado). O dado veio abaixo do esperado, com serviços praticamente estáveis. Ainda assim, a alta da energia, impulsionada pelas tensões com o Irã — começa a contaminar a inflação na origem. Por enquanto, o impacto parece inicial, mas já acende um sinal amarelo.
CPI (inflação ao consumidor)
O CPI subiu 0,9% em março, maior alta desde junho de 2022. No acumulado em 12 meses, a inflação chegou a 3,3%, ainda bem acima da meta de 2% do Fed. O avanço foi acompanhado por um mercado de trabalho aquecido, sugerindo que a demanda continua firme — combustível clássico para pressão inflacionária.
PIB (atividade econômica)
A economia americana perdeu fôlego no quarto trimestre. O PIB foi revisado de 0,7% para 0,5% em termos anualizados, refletindo menor investimento das empresas e desaceleração na formação de estoques. Apesar disso, os lucros corporativos avançaram com força, criando um contraste curioso entre atividade mais fraca e rentabilidade elevada.
PCE (inflação preferida do Fed)
O PCE subiu 0,4% em fevereiro, com o núcleo também avançando 0,4%. Em 12 meses, o índice cheio acumula 2,8% e o núcleo, 3%. Ambos seguem acima da meta. Mesmo com defasagem na divulgação por questões administrativas, esse é o termômetro favorito do Fed — e continua indicando febre leve, porém persistente.
Payroll (mercado de trabalho)
O mercado de trabalho surpreendeu positivamente: foram criadas 178 mil vagas em março, bem acima das expectativas (51 mil). A taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%. O retrato é de um mercado ainda resiliente, longe de justificar cortes imediatos de juros.