Itaú (ITUB4): Lucro sobe 10,4% no 1T26 e chega a R$ 12,3 bilhões, dentro das expectativas; ROE escala
O Itaú (ITUB4) registrou lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 10,4% ante o mesmo período de 2025, mostra documento enviado ao mercado nesta terça-feira (5).
A cifra ficou dentro da expectativa da Bloomberg, que aguardava lucro de R$ 12,4 bilhões.
Conhecido por ser um relógio suíço, devido à sua entrega de resultados recorrentes, o Itaú confirma, assim, o bom momento operacional que vive nos últimos anos.
Apontado por analistas como o mais seguro da bolsa, diferente de seus concorrentes, como Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11), não passou por uma grande deterioração das principais linhas, como inadimplência e ROE (retorno sobre o patrimônio líquido).
E por falar em ROE, o banco conseguiu, mais uma vez, superar a rentabilidade dos seus rivais, com um retorno de 24,8%, alta de 2,3 pontos percentuais, enquanto o SANB encerrou o período com ROE de 16%.
Segundo o banco, a alta do lucro foi puxada pela expansão da margem financeira com clientes. Ao mesmo tempo os indicadores de qualidade de crédito continuaram melhorando ao longo do ano.
“No Itaú Unibanco, mantivemos nossa estratégia de crescer de forma responsável, garantindo
que a qualidade da nossa carteira siga os padrões que historicamente nos definem”, destaca Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú.
Margens e receitas melhors
Entre as principais linhas, houve melhoras em vários pontos do Itaú.
A margem financeira com clientes melhorou 4,5% ante o ano passado, para R$ 31,5 bilhões, puxado pelo crescimento da carteira, da maior margem com passivos, além do melhor mix de produtos.
O crescimento poderia ter sido melhor, não fosse o impacto negativo da distribuição antecipada de dividendos e do menor recebimento com operações estruturadas do atacado.
Já a margem financeira gerencial ficou em R$ 31,5 bilhões, elevação de 4,5%. O crescimento foi parcialmente compensado pelo impacto negativo da distribuição antecipada de dividendos e do menor recebimento com operações estruturadas do atacado.
Destaque também para a margem financeira com o mercado, que aumentou 37,4% no trimestre, principalmente em função do maior resultado obtido pela mesa trading, para R$ 800 milhões.
Apesar disso, houve redução de 11,2% ante o ano passado, em função do aumento do custo do hedge do índice de capital.
Linhas que os analistas esperavam uma pequena piora, as receitas de serviços e seguros subiram 5,3% no ano, para R$ 14 bilhões, impulsionadas pelo:
- aumento das receitas com administração de recursos
- volume em bancos de investimento e
- corretagem.
Itaú: Melhora da inadimplência
O índice de inadimplência, importante termômetro para medir a capacidade dos clientes Itaú de honrarem com suas dívidas, acima de 90 dias, aumentou 0,1 ponto percentual no trimestre, para 1,9%.
Segundo o banco, a alta se deve ao crescimento de 0,23 p.p. no índice da carteira de pessoas físicas no Brasil, por conta da sazonalidade típica do período.
Em relação ao ano, o banco conseguiu, mais uma vez, manter o índice estável. Dessa forma, ‘segurou’ os calotes, mesmo com a piora do cenário macro.
“Ao longo dos últimos anos, o Itaú calibrou a composição do portfólio com foco em qualidade de originação e adequação das condições de crédito ao perfil de cada cliente”, afirma o Itaú.
Já o CEO diz que 2026 é um ano que exige cautela e disciplina no crédito.
“Nos últimos ciclos, antecipamos ajustes para proteger nossos clientes nos momentos mais complexos. É essa visão preventiva que nos dá segurança hoje”.
O indicador de inadimplência entre 15 e 90 dias, incluindo títulos e valores mobiliários, subiu 0,1 pp, para 1,7%.
Houve aumento de 0,1 p.p. em relação ao trimestre anterior no indicador de micro, pequenas e médias empresas no Brasil, “que segue o ciclo de normalização do indicador em função do fim das carências dos programas governamentais”.
Além disso, o banco também suportou melhora da inadimplência sem abrir mão do crescimento da carteira, que subiu 9%, para R$ 1,4 trilhão.
A alta foi impulsionado pelas linhas de programas governamentais no segmento empresas. No
segmento de pessoas físicas, o destaque foi:
- crédito Imobiliário (11,2%), no qual o Itaú é líder;
- cartão de crédito (8,2%);
- consignado privado, que disparou 63%.
Porém, outro indicador importante da saúde financeira dos bancos, a despesa com provisão para créditos de liquidação duvidosa gerencial, uma espécie de proteção contra calotes, ficou em R$ 10,2 bilhões, alta de 7,9%.
As despesas não decorrentes de juros totalizaram R$ 16,2 bilhões, com alta de 4,8%. Esse aumento, segundo o banco, reflete, principalmente, maiores gastos com tecnologia, em função do aumento do volume de processamento em nuvem
Guidance do Itaú
O Itaú reafirmou sua expectativa de crescer até 9,5% a carteira de crédito. Considerando que cresceu em 9% no trimestre, o banco caminha para se manter na banda de cima das projeções.
A margem financeira com clientes também deve registrar expansão, com alta estimada entre 5,0% e 9,0% no período.
Já a margem financeira com o mercado é projetada para ficar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões. Em relação ao risco de crédito, o banco espera um custo entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões ao longo de 2026.
A receita de prestação de serviços e o resultado de seguros devem crescer entre 5,0% e 9,0%, enquanto as despesas não decorrentes de juros têm previsão de avanço mais moderado, entre 1,5% e 5,5%.