Itaú prevê PIB mais fraco neste ano, enquanto a inflação segue elevada; confira as novas projeções
O Itaú Unibanco, em relatório de revisão do cenário macroeconômico, reduziu as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, de expansão de 1,9% para alta de 1,7%, após a desaceleração mais acentuada da atividade no segundo trimestre de 2026, especialmente nos segmentos de serviços e no consumo das famílias.
“Embora o resultado agregado tenha vindo em linha com nossas expectativas, a composição do crescimento revelou uma economia mais fraca. As principais surpresas negativas vieram dos serviços e da indústria de transformação, mas foram compensadas por um desempenho da agropecuária melhor do que o esperado”, detalha o banco.
Além disso, segundo o Itaú, os indicadores divulgados para o terceiro trimestre de 2026 apontam para uma desaceleração da atividade mais intensa do que antecipado.
O tracking do banco indica uma estabilidade (0,0%) do PIB no terceiro trimestre, na comparação trimestral, e avanço de 1,5% na base anual. O resultado é inferior ao projetado no cenário anterior do banco, de alta de 0,2% no trimeste contra trimestre e expansão de 1,9% no dado anual.
O IDAT-Atividade, indicador proprietário do Itaú, tem apresentado elevada volatilidade nos últimos meses. “Apesar de o 3T26 ter começado melhor do que o observado no encerramento do segundo trimestre, com destaque para a recuperação observada em agosto, os dados da primeira quinzena de setembro sugerem nova perda de fôlego da economia”, avalia o banco.
De olho nesse cenário, a estimativa para o crescimento do PIB em 2027 também foi reduzida de 1,5% para 1,2%, diante do menor carrego estatístico e dos efeitos defasados e cumulativos da política monetária contracionista.
Já para o mercado de trabalho, a projeção para a taxa de desemprego em 5,7% em 2026 foi mantida. No entanto, a estimativa para 2027 foi elevada, de 6,1% para 6,2%, considerando os sinais mais claros de desaceleração recentes.
Inflação
O Itaú manteve a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 em 5,1%, acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central (BC). Contudo, o número para 2027 foi elevado de 4,4% para 4,6%.
“Em 2026, os dados correntes seguem apontando uma janela benigna no curto prazo, com núcleos dentro do intervalo da meta sustentados pelos industriais, mas com alimentos e serviços reacelerando no 4º trimestre. A revisão de 2027 reflete o repasse do fim das subvenções ao diesel”, detalha o banco.
De acordo com o banco, o balanço de riscos segue assimétrico para cima em 2027, devido aos riscos do fenômeno climático El Niño, que já deve afetar a alimentação e os serviços no final de 2026.
“Ainda que já tenhamos incorporado um cenário de alimentos mais pressionados em 2026, um
evento climático mais intenso tende a gerar impactos relevantes também em 2027, com o plantio da soja e o regime de chuvas ao longo do segundo semestre determinando a dinâmica da segunda safra de milho e o risco de quebra”, afirma o banco.
Política monetária
Na avaliação do Itaú, o Comitê de Política Monetária (Copom) evitou se comprometer com os próximos passos da política monetária e preservou a opcionalidade, condicionando as decisões aos dados a serem divulgados.
Diante desse cenário, o banco manteve a projeção de pausa do ciclo de cortes na taxa Selic em 13,75%, refletindo a combinação de uma postura mais conservadora com um câmbio mais depreciado e riscos inflacionários ainda relevantes.
No cenário base do Itaú, o câmbio segue em R$ 5,30 para 2026 e R$ 5,50 para 2027. “O real teve desempenho melhor no mês, com termos de troca favoráveis e risco local mais construtivo, mas o dólar mais forte globalmente segue pressionando a moeda, enquanto a condução da política econômica no próximo mandato será um elemento importante para o comportamento da moeda à frente”, considera.
Fiscal
No front fiscal, a projeção de resultado primário de déficit de 0,5% do PIB em 2026 e de saldo negativo de 0,6% em 2027. Na avaliação do banco, no curto prazo, o risco é uma eventual postergação da reoneração dos combustíveis.
Já no médio prazo, a necessidade de um ajuste fiscal relevante para estabilizar a dívida pública permanece no radar, e a incerteza sobre os contornos futuros da política econômica segue como o principal ponto de atenção.