Log (LOGG3): Citi aumenta preço-alvo das ações, mas mantém recomendação neutra; entenda o porquê
O Citi elevou o preço-alvo para as ações da Log Commercial (LOGG3) de R$ 27,50 para R$ 33, o que implica um potencial de valorização (upside) de aproximadamente 22% em relação ao fechamento anterior (12).
Apesar da revisão, o banco norte-americano manteve a recomendação neutra/ alto risco para o papel, destacando, em relatório, que um cenário de Selic elevada por mais tempo continua sendo um obstáculo relevante para a trajetória de crescimento da companhia.
Segundo os analistas do Citi, a Log segue apresentando fundamentos sólidos, que são apoiados, principalmente, pelo crescimento estrutural do mercado de galpões logísticos no Brasil.
A casa, inclusive, apontou que a venda de 11 imóveis da companhia para a Itaú Asset Management, em uma operação de R$ 1,02 bilhão divulgada no início de maio, reforça essa tese.
Na visão do banco, essa “reciclagem de ativos” está se consolidando como um componente estrutural do modelo de negócios da empresa.
De acordo com os analistas, isso é relevante porque a liquidez dos galpões logísticos brasileiros parece estar aumentando, já que os fundos imobiliários do setor são potenciais compradores institucionais, como HGLG11, BTLG11 e XPLG11, que possuem patrimônios líquidos de aproximadamente R$ 7,2 bilhões, R$ 5,5 bilhões e R$ 5,4 bilhões, respectivamente.
“Fontes apontam para um apetite por aquisições por parte dos FIIs e uma crescente demanda por veículos de renda logística”, diz o relatório.
Segundo o Citi, as estimativas apresentadas pela própria Log indicam vendas de imóveis próximas de R$ 1,6 bilhão em 2026 e de R$ 2 bilhões em 2027. No mesmo intervalo, os investimentos (capex) projetados pela companhia somam R$ 960 milhões e R$ 1,4 bilhão, respectivamente.
E-commerce e ativos premium
Os analistas também destacam que o Brasil possui apenas 16 metros quadrados (m2) de galpões “Classe A (premium)” para cada 100 habitantes, patamar inferior ao observado em mercados como México, Alemanha e Estados Unidos.
Além disso, apontam o avanço do comércio eletrônico: segundo o relatório, a participação do e-commerce nas vendas do varejo brasileiro alcançou 9,9% em 2025, o que deve continuar impulsionando a demanda por centros de distribuição próximos aos principais centros consumidores.
O Citi ainda ressalta a queda da vacância logística nacional, que recuou de 12,8%, em 2020, para 6,6%, no primeiro trimestre deste ano (1T26).
Na avaliação do banco, a combinação desse cenário — de oferta limitada de ativos modernos, crescimento do e-commerce e baixa vacância — cria um ambiente favorável para a alta dos aluguéis e para novos projetos de desenvolvimento.
Atualmente, cabe lembrar, a Log administra 2,9 milhões de metros quadrados de área bruta locável (ABL) distribuídos em 56 imóveis. A projeção da empresa é alcançar 6,5 milhões de metros quadrados até 2030.
Plataforma de serviços ganha relevância
Outro destaque citado no relatório é a expansão da unidade de serviços. Segundo o Citi, a Log vem ampliando receitas ligadas à administração e gestão de ativos, criando uma fonte de receita recorrente e menos dependente do desenvolvimento imobiliário.
De acordo com a companhia, a receita de serviços avançou 94% na comparação anual no primeiro trimestre de 2026 e já cobre mais de 60% das despesas administrativas. A meta é atingir cobertura integral desses custos até o fim de 2028.
O desafio continua sendo a Selic
Apesar dos avanços operacionais, o relatório afirma que o cenário de juros elevados segue limitando uma visão mais positiva para as ações.
“Embora estejamos elevando nosso preço-alvo, juntamente com projeções mais altas de vendas de imóveis, mantemos nossa classificação neutra/ alto risco, visto que um ambiente de Selic alta por um período prolongado continua sendo um obstáculo claro para a trajetória de crescimento”, escreveram os analistas.
Pelas estimativas do Citi, a Log negocia atualmente a cerca de 0,7 vez o valor patrimonial líquido (P/NAV) projetado para 2026.