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Lula, Flávio ou nenhum dos dois: JPMorgan traça mapa da Bolsa para as eleições — e separa ações em 3 carteiras

30 set 2026, 12:19
Fiscal
Montagem com um fundo de gráfico de ações e a bandeira do Brasil dentro de uma lupa, gestores, ações, fundos

A quatro dias do primeiro turno das eleições presidenciais, a disputa entre o incumbenteLuiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) segue acirrada e sem um vencedor claro, segundo as pesquisas eleitorais.

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De olho nesse cenário mais incerto, o JPMorgan projetou três cenários e elegeu as melhores ações para diferentes resultados no próximo domingo (4), sem citar diretamente os candidatos.

O primeiro deles, considerado otimista, considera uma mudança política e mais comprometimento com a situação fiscal, enquanto o segundo cenário prevê a continuidade da política atual e taxas de juros mais elevadas. O terceiro, por sua vez, considera ativos menos expostos às eleições.

“Independentemente do resultado das eleições, a perspectiva para 2027 permanece incerta, pressionada por elevados riscos de inflação – incluindo os preços do petróleo, embora parcialmente compensados ​​pelos subsídios governamentais ao diesel – altas taxas de juros reais, preocupações com o déficit fiscal após os aumentos de gastos aprovados nas últimas semanas, desaceleração do crescimento e deterioração do ciclo de crédito”, diz o relatório divulgado a clientes nesta quarta-feira (30).

Cenário otimista: juros menores favorecem shoppings, construtoras e autopeças

Para o cenário otimista, os analistas consideram uma mudança política fiscal e, consequentemente, queda nas taxas de juros.

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Partindo disso, o JPMorgan vê espaço para valorização de ações mais sensíveis ao custo de capital.

Entre os shoppings, o banco destaca Iguatemi (IGTI11), Multiplan (MULT3) e Allos (ALOS3), nessa ordem de preferência. Para os analistas, as ações negociam a níveis descontados, apesar de possuírem portfólios resilientes com vendas nas mesmas lojas (SSS) positivas e taxas de ocupação elevadas, entre 96% e 97%.

Nas construtoras, Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) aparecem como principais beneficiárias de juros futuros menores, enquanto MRV (MRVE3) também poderia se beneficiar, especialmente pela maior alavancagem.

Já entre as autopeças, Randoncorp (RAPT4) e Fras-le (FRAS3) são as indicadas, devido a maior exposição ao mercado interno, voltadas para o segmento de veículos pesados, e pelo potencial alívio das despesas financeiras em um ambiente de capital mais barato.

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O JPMorgan também vê potencial de valorização de 50% da Bolsa e valorização de 6% do real em relação aos níveis atuais, o que faria o dólar/real se aproxima de R$ 4,90.

Cenário pessimista: juros altos mantêm foco em baixa renda e exportadoras

Caso as eleições resultem em taxas de juros mais elevadas e menor confiança dos investidores, o JP Morgan prefere empresas menos dependentes da queda do custo de capital. No segmento de construção residencial, o banco destaca Tenda (TEND3), Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), apoiadas pela demanda de baixa renda e pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), além de possíveis mudanças nas condições de financiamento.

Entre as autopeças, a preferência recai sobre Tupy (TUPY3) e Iochpe-Maxion (MYPK3) , devido à maior exposição aos mercados externos e à menor dependência do crescimento do PIB brasileiro. A desvalorização do real também tende a favorecer essas companhias. Marcopolo (POMO4) e Mahle Metal Leve (LEVE3) aparecem ainda na lista, sustentadas principalmente pelos dividendos projetados de 11% e 10%, respectivamente.

Nesse cenário, o JPMorgan projeta uma queda de 21% da Bolsa e desvalorização de 6% do real em relação aos níveis atuais, o que faria o dólar/real se aproxima de R$ 5,50.

Ações para todos os cenários

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Para investidores que buscam empresas menos expostas ao resultado das eleições brasileiras, o JPMorgan destaca Embraer (EMBJ3) e WEG (WEGE3).

No caso da Embraer, o banco vê impacto limitado do pleito devido à receita dolarizada e à baixa exposição a clientes brasileiros. A companhia também conta com carteira de pedidos recorde, de US$ 34,5 bilhões, além de crescimento de receitas e margens.

A WEG, por sua vez, tem como principais vetores a expansão de suas fábricas de transformadores e a adoção de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Brasil, em que o banco projeta crescimento de receita de dois dígitos nos próximos dois anos.

O principal risco para as duas ações seria uma forte valorização do real frente ao dólar, embora o banco considere esse cenário improvável diante dos juros elevados nos Estados Unidos e dos riscos inflacionários no Brasil.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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