Renan Filho diz que MBRF, Raízen, Cargill, Vibra e Ambev estão entre empresas que mais descumprem frete mínimo
MBRF, Raízen, Cargill, Vibra e Ambev estão entre as empresas que mais descumpriram o frete mínimo nos transportes no Brasil nos últimos quatro meses, disse nesta quarta-feira (18) o ministro dos Transportes, Renan Filho, ao anunciar medidas para endurecer a fiscalização contra esse descumprimento.
Em entrevista coletiva em Brasília, o ministro disse ainda que o governo vai adotar medidas para que as empresas que reiteradamente descumprem o frete mínimo sejam impedidas de contratar frete e transportar, citando que a lógica é a mesma adotada em relação aos devedores contumazes de tributos.
Em nota, a Raízen disse que tem relação contratual com grandes empresas e não faz uso de transporte autônomo. Disse ainda que o cálculo para o pagamento do frete é baseado em dois componentes, o fixo e o variável.
“Entendemos que esta fiscalização está considerando apenas um dos componentes e não o frete total pago nas operações”, afirmou a companhia.
A Vibra disse que contrata os fretes por meio de processos “transparentes e alinhados às práticas de mercado”.
“A empresa esclarece ainda que os valores que paga em fretes são estruturados a partir de componentes fixos e variáveis, que não podem ser avaliados de forma separada para comparação do valor total”, acrescentou a empresa em nota.
A MBRF afirmou, também em comunicado, que sua operação logística se dá pela contratação de transportadoras de grande porte e de frete dedicado, não tendo como prática a contratação de transporte autônomo.
“Nesses contratos, a remuneração segue modelo específico e é composta por parcelas fixas e variáveis. A companhia reforça que eventuais análises que considerem apenas parte dessa composição não representam de forma integral os valores efetivamente praticados”, afirmou a empresa.
As demais empresas citadas pelo ministro não responderam a pedidos de comentários enviados pela Reuters.
O anúncio do governo ocorre depois que caminhoneiros de diferentes setores defenderem na terça-feira (17) uma paralisação nacional da categoria após o aumento no preço do diesel nos postos do país nas últimas semanas, com entidades que representam a categoria buscando que os motoristas cruzem os braços já nesta semana. A mobilização ainda envolve empresas transportadoras, que também são afetadas pela alta nos preços do diesel.
O movimento ocorre após o preço médio do diesel S-10, o tipo mais vendido no Brasil, subir 18,86% no país desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, impactando os mercados globais de petróleo e combustíveis, apontou na terça-feira o painel online ValeCard. O preço do diesel comum teve alta ainda maior no mesmo período, de mais de 22%, enquanto a gasolina avançou 10% e o etanol hidratado subiu quase 9%.
*Matéria atualizada com a posição de Raízen, Vibra e MBRF