Educação

MEC abre curso para capacitar professor a ensinar matemática em escolas públicas

14 jul 2026, 12:50
MEC abre curso de formação para professores ensinarem matemática (Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Levantamento realizado do Itaú Social em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) revela que apenas 48% das redes municipais do País possuem ações estruturadas para o ensino de matemática na infância. Do outro lado, a ajuda financeira de Estados e do Distrito Federal para organizar esse trabalho chega a apenas 27% das prefeituras.

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O cenário de carência em metodologia e de recursos coincide com a abertura, pelo Ministério da Educação (MEC), de 400 mil vagas para o curso online de Letramento Matemático na Educação Infantil.

A formação de 50 horas, disponibilizada pelo MEC, foca no uso de situações do cotidiano escolar, como a distribuição de lanches ou a organização de filas, para estimular o raciocínio lógico de crianças de até 5 anos sem o uso de fórmulas ou cartilhas tradicionais.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) determina que a matemática faça parte da rotina das crianças de forma leve, por meio de brincadeiras e interações que desenvolvam noções de espaço, tempo e quantidade. Embora quase metade dos municípios declare seguir essa recomendação, a falta de ajuda financeira por parte dos estados para estruturar as salas de aula limita o alcance real desse trabalho.

No Maranhão e em Sergipe, por exemplo, menos de 30% dos municípios contam com diretrizes de ensino de matemática para a primeira infância. O programa de formação chega ao mesmo tempo em que dados nacionais apontam que 67% dos estudantes concluem o ensino médio sem o domínio básico da disciplina.

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O problema nas salas de aula

A aplicação dessas novas metodologias enfrenta barreiras na formação inicial dos próprios profissionais. Os dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica mostram que 20,5% dos professores que atuam na educação infantil no Brasil não concluíram o ensino superior.

A falta de qualificação específica acompanha o aluno nos anos seguintes da vida escolar. Um terço dos professores da educação infantil e do ensino médio ministra aulas de disciplinas fora de sua área de formação acadêmica. Nos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, um em cada cinco docentes dá aulas sem a formação adequada para o conteúdo que ensina.

O impacto aparece nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), divulgadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Metade dos alunos do 5º ano do ensino fundamental apresenta desempenho classificado como crítico ou muito crítico em matemática. Nesse grupo, 12% não conseguem resolver operações básicas simples de divisão ou soma, e apenas 7% sabem o que é esperado para a série.

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Essa dificuldade persiste ao longo da trajetória dos estudantes. No 9º ano do ensino fundamental, a taxa de alunos com aprendizado crítico continua em 52%. Ao final do ensino médio, no 3º ano, a situação atinge o patamar mais grave, 67% dos jovens terminam a escola regular sem o domínio básico da matéria, e apenas 6% concluem a educação básica com proficiência considerada adequada.

Mas o trabalho dos professores também esbarra em problemas estruturais das escolas públicas. Apenas 17% das creches e pré-escolas do País possuem água potável, esgoto, acessibilidade e um espaço de leitura ao mesmo tempo.

*Sob orientação de Gustavo Porto

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Maiara Baloni é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Maiara Baloni é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
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