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Oncoclínicas (ONCO3) anuncia pedido de recuperação extrajudicial; dívidas somam R$ 5,1 bilhões

14 jul 2026, 8:53 - atualizado em 14 jul 2026, 9:05
oncoclínicas (Imagem: Divulgação)
Oncoclínicas (ONCO3) entra com pedido de recuperação extrajudicial; dívidas somam R$ 5,1 bilhões (Imagem: Divulgação)

A Oncoclínicas (ONCO3) informou, na manhã desta terça-feira (14), que protocolou um pedido de recuperação extrajudicial (RE) como parte do processo de reestruturação de sua dívida financeira, estimada em aproximadamente R$ 5,1 bilhões.

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Em fato relevante, a empresa informou que já conta com a adesão de credores detentores de aproximadamente 37% dos créditos abrangidos pelo plano, percentual suficiente para o ajuizamento da recuperação extrajudicial.

Agora, a companhia terá 90 dias, contados a partir do processamento da RE, para obter o percentual mínimo necessário à homologação do plano, permitindo que 100% dos créditos abrangidos fiquem vinculados às novas condições de pagamento.

O que prevê o plano

De acordo com a Oncoclínicas, o plano de recuperação poderá incluir uma série de medidas, entre elas:

  • Capitalização da empresa pelos acionistas;
  • Conversão de parte da dívida em ações;
  • Substituição de parte dos débitos por novas dívidas;
  • Alongamento do cronograma de amortização das obrigações financeiras.

Operação segue normalmente e rescisão de contratos

A companhia afirmou que a recuperação extrajudicial não abrangerá as obrigações operacionais correntes com clientes, fornecedores e demais parceiros, que continuarão sendo pagas normalmente.

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Como parte das medidas de reestruturação, a Oncoclínicas informou que rescindiu dois contratos de locação built-to-suit por meio de subsidiárias.

O primeiro envolve um imóvel localizado na Avenida Angélica, em São Paulo, que tem multa por rescisão estimada em R$ 76 milhões e foi incluída entre os créditos abrangidos pela recuperação extrajudicial.

O segundo refere-se a um projeto de hospital em Goiânia (GO). Nesse caso, a multa ainda está sendo apurada e permanece incerta e ilíquida.

A Oncoclínicas informou ainda que o pedido de RE foi aprovado por unanimidade pelo seu conselho de administração e será submetido posteriormente à ratificação dos acionistas em assembleia geral extraordinária, que será convocada.

O que aconteceu com a Oncoclínicas?

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A Oncoclínicas enfrenta problemas financeiros decorrentes de uma expansão malsucedida. Em meio à investimentos em hospitais e crescimento no setor oncológico, a companhia se viu obrigada a recalcular a rota e retomar para o core business.

Nascida em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio.

No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.

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Entre as medidas para pôr a casa em ordem, houve a venda de hospitais adquiridos e cancelamento de hospital que seria construído. Além disso, a empresa desistiu dos planos de uma joint venture para atuar na Arábia Saudita.

Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.

Últimos números

No último balanço reportado, referente ao primeiro trimestre de 2026, a Oncoclínicas mais do que triplicou seu prejuízo líquido, atingindo R$ 438,7 milhões, ante o resultado negativo de R$ 131,9 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou negativo em R$ 49,2 milhões, com margem negativa de 4,2%.

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A rede de oncologia teve receita líquida de R$ 1,16 bilhão no período de janeiro a março, uma queda de 22,3% em comparação com o mesmo período em 2025. A companhia afirma que a dinâmica está relacionada ao volume de provisões de PCLD (provisão para créditos de liquidação duvidosa) durante o trimestre.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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