Mercado deu uma ‘pioradinha’, mas Brasil segue atrativo, diz CFO do BTG (BPAC11); ‘nesse nível de preço, então, melhor ainda’
O mercado deu uma “pioradinha” nos últimos meses em meio aos impactos da guerra no Irã, que afetou as expectativas de juros no Brasil e no mundo, avalia o CFO do BTG Pactual (BPAC11), Renato Cohen.
Apesar disso, para o executivo, o país segue atrativo, inclusive para novos IPOs. Mais cedo, a Compass, empresa pertencente ao grupo Cosan (CSAN3), realizou sua abertura de capital, encerrando um jejum de cinco anos sem aberturas de capital.
“Mais empresas virão ao mercado nesse ambiente ou, obviamente, em um cenário um pouco melhor. É verdade que o mercado deu uma pioradinha de meados de abril até agora, mas eu não acho que isso tenha reduzido a possibilidade ou o apetite das empresas de acessarem o mercado”, destacou, em coletiva de resultados com jornalistas.
Outra empresa que pode protocolar pedido de abertura de capital é a bandeira brasileira de cartões Elo, segundo a Reuters. No entanto, a oferta ocorreria nos Estados Unidos.
Sem mencionar um número exato de aberturas, Cohen afirma que hoje há mais de uma dezena de companhias preparadas para acessar o mercado. “Se elas vão efetivamente abrir capital ou não, é muito difícil saber. Mas existe um volume significativo.”
Brasil atrativo para investidores estrangeiros
Ainda segundo Cohen, os múltiplos das empresas estão baixos, enquanto os ativos apresentam elevada qualidade. “O mercado brasileiro e as empresas brasileiras são muito convidativos para o investidor estrangeiro. E acredito que isso ainda permaneça.”
Apesar da forte alta registrada no começo do ano, a entrada de investidores estrangeiros na bolsa brasileira recuou 87,9% desde o recorde alcançado em janeiro, segundo dados da Elos Ayta, o que acendeu um alerta entre investidores. Já o Ibovespa acumula queda de 8% desde as máximas.
De todo modo, o executivo afirma que o Brasil sempre foi um ambiente seguro. Para ele, os investidores historicamente obtiveram ótimos resultados, enquanto o país mantém boas relações com diferentes partes do mundo.
“O Brasil sempre tratou muito bem os investidores, tanto os brasileiros quanto os estrangeiros. Eu considero este um ótimo momento para investir no Brasil. Nesse nível de preço, melhor ainda.”
Otimismo com a carteira
Mais cedo, em teleconferência com analistas, o presidente-executivo do BTG, Roberto Sallouti, afirmou estar otimista com as tendências observadas no mercado brasileiro de ações (ECM), ao mesmo tempo em que vê perspectivas positivas para o mercado de dívida corporativa (DCM).
“Estamos bastante encorajados com o que temos observado nos mercados de capitais de ações. Tivemos fluxos significativos para a América Latina e, de forma geral, para mercados emergentes. Isso desacelerou um pouco recentemente, mas conseguimos realizar o primeiro IPO em cerca de cinco anos”, afirmou.
Em relação ao DCM, Sallouti declarou que o segundo trimestre deve ser mais fraco, mas a expectativa é de melhora posteriormente.
“Esperamos que esse cenário comece a melhorar no terceiro trimestre”, acrescentou.
No primeiro trimestre, a divisão de banco de investimentos do BTG Pactual participou de 10 operações de ECM, que movimentaram US$ 628 milhões. No quarto trimestre, foram oito operações (US$ 369 milhões) e, um ano antes, duas operações (US$ 175 milhões).
No segmento de DCM, o BTG participou de 36 operações no primeiro trimestre, totalizando US$ 3,664 bilhões. No quarto trimestre, haviam sido realizadas 46 transações (US$ 4,584 bilhões) e, um ano antes, 29 operações (US$ 1,987 bilhão).
Crédito do BTG
De acordo com Sallouti, a carteira de crédito do BTG apresenta desempenho melhor do que o previsto inicialmente pela instituição, tanto no segmento corporativo quanto no financiamento ao consumidor.
“Já vínhamos concedendo crédito considerando um cenário mais adverso”, afirmou.
No segmento de pequenas e médias empresas (PMEs), o executivo destacou que o banco atua principalmente no financiamento da cadeia de suprimentos e na antecipação de recebíveis de cartão de crédito.
“Temos alguma exposição a essas linhas com garantias governamentais, mas ela ainda é pequena, embora esteja crescendo”, acrescentou, ressaltando que, até o momento, não há problemas relevantes.
No financiamento ao consumidor, Sallouti afirmou que poderá haver, em algum momento, aumento nas provisões.
“No entanto, eu diria que isso deve ocorrer daqui a dois ou três trimestres, considerando que as recentes medidas do governo continuam beneficiando o consumidor”, estimou.
O Money Times pertence ao mesmo grupo do BTG.
Com Reuters