Expectativa de alta de juros nos EUA, próximos passos do BC e questão fiscal ficam no radar do mercado, diz especialista
Com o mercado de olho na próxima decisão de política monetária nos Estados Unidos, a falta de sinalizações claras por parte de Kevin Warsh tem ampliado a incerteza entre investidores, segundo avaliação de Hugo Otani, sócio-fundador da Perspective.
Para o especialista, diferentemente da tradição adotada pelo Federal Reserve (Fed) de fornecer algum direcionamento sobre os próximos passos da política monetária, Warsh tem evitado oferecer qualquer tipo de forward guidance ao mercado.
Em entrevista ao Giro do Mercado, ele afirmou que “é difícil tirar do Kevin Warsh um forward guidance. Ele mesmo já negou qualquer sinalização, quebrando a tradição do Fed de sempre dar um direcionamento acerca da condução da política monetária”.
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Ainda assim, a expectativa segue muito grande para a próxima decisão, com o mercado apontando 57% de probabilidade de uma alta dos juros, aponta o especialista.
Na avaliação de Otani, a ausência de previsibilidade tende a elevar a volatilidade dos mercados e aumentar a percepção de risco dos investidores, especialmente diante da relevância global das decisões monetárias americanas.
“Quando temos incerteza, aumenta a volatilidade e consequentemente o risco. As decisões de política monetária nos Estados Unidos afetam as decisões ao redor do mundo. Agora precisamos acompanhar os desdobramentos. A expectativa de alta de juros nos EUA já estava no radar”, explicou.
Próximos passos do BC brasileiro
Para o sócio-fundador da Perspective, a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos também aumenta a atenção sobre os próximos passos do Banco Central brasileiro, em um momento já marcado por desafios domésticos.
“O Brasil está no meio dessa decisão, tirando os fatores internos como a questão fiscal e a inflação. Agora também fica o questionamento de como o Banco Central vai se comportar diante desse cenário de alta nos juros americanos. Teremos que acompanhar isso no mês que vem, além das eleições”, ressalta.
Além do cenário internacional, Otani destacou a situação fiscal brasileira como um dos principais pontos de preocupação dos agentes econômicos.
“A fala do presidente Lula é de que a questão fiscal não é um problema, mas temos observado números ruins na questão fiscal e isso tem que ser endereçado e o mercado reage a isso”, avaliou.
Segundo ele, as perspectivas para as contas públicas seguem desafiadoras e serão determinantes para a percepção de risco dos investidores daqui para frente.
“Caso os agentes econômicos criem uma trava que segure a dívida no longo prazo e consigam uma agenda econômica que estabilize ou diminua a dívida, o mercado pode reduzir o risco e a expectativa negativa. Esse é um ponto importantíssimo a ser acompanhado. O próprio Banco Central afirma que está observando isso”, disse.