Saúde

Ozempic, Wegovy e Mounjaro: além da obesidade, esses medicamentos podem tratar outras doenças

28 ago 2026, 14:47 - atualizado em 28 ago 2026, 14:48
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Canetas emagrecedoras foram desenvolvidas a partir de remédios para tratar diabetes. (Imagem: iStock.com/Varlay)

Medicamentos à base de GLP-1, conhecidos principalmente pelo uso no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, vêm ampliando seu alcance para outras áreas da saúde. Além de promoverem o controle da glicemia e a perda de peso, as canetas emagrecedoras como Ozempic, Wegovy e Mounjaro já receberam aprovações regulatórias ou estão sendo avaliados para doenças cardiovasculares, renais, hepáticas, respiratórias e neurológicas.

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O avanço mais recente ocorreu com a aprovação do Mounjaro, da Eli Lilly, pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos — a Anvisa do Tio Sam. O medicamento passou a ser indicado para ajudar a reduzir o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC) em pacientes com diabetes tipo 2 considerados de alto risco cardiovascular.

A ampliação das indicações ocorre em meio à corrida entre fabricantes para demonstrar benefícios dos medicamentos GLP-1 além da perda de peso. A rival Novo Nordisk já havia obtido aprovação para o Wegovy na redução do risco de eventos cardiovasculares em adultos com sobrepeso ou obesidade.

Doenças cardiovasculares lideram expansão do uso das canetas emagrecedoras

Os maiores avanços da classe GLP-1 ocorreram na área cardiovascular. Além da aprovação do Wegovy para reduzir o risco de morte cardiovascular, infarto e AVC em pessoas com sobrepeso ou obesidade, a semaglutida também recebeu autorização na Europa para ajudar no tratamento de sintomas de insuficiência cardíaca em pacientes com obesidade.

A Eli Lilly também vem estudando a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro e do Zepbound, em pacientes com insuficiência cardíaca associada à obesidade.

Medicamentos mostram resultados em doença renal crônica

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Outra área que vem despertando interesse é a nefrologia. O Ozempic recebeu aprovação nos Estados Unidos para reduzir o risco de progressão da doença renal crônica e de insuficiência renal em pacientes com diabetes.

A tirzepatida também está sendo avaliada em estudos clínicos envolvendo pessoas com obesidade e doença renal crônica, buscando ampliar as opções de tratamento para esses pacientes.

Avanço no tratamento de doenças hepáticas com Wegovy

Os medicamentos GLP-1 também vêm apresentando resultados promissores em pessoas com esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH), condição que pode evoluir para cirrose e insuficiência hepática.

Em 2025, o Wegovy recebeu aprovação nos Estados Unidos para o tratamento da doença. Já estudos com a tirzepatida indicaram melhora significativa dos sinais da MASH, levando a Eli Lilly a investir em pesquisas de longo prazo para avaliar seus efeitos em milhares de pacientes.

Osteoartrite do joelho entra no radar

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Pesquisas também apontam benefícios para pacientes com osteoartrite do joelho associada à obesidade. Em um estudo avançado conduzido pela Novo Nordisk, a semaglutida ajudou a reduzir o peso corporal e a dor no joelho, além de melhorar a capacidade funcional dos participantes quando comparada ao placebo.

Ao mesmo tempo, a Eli Lilly segue recrutando pacientes para avaliar um medicamento oral da classe GLP-1 em pessoas com sobrepeso ou obesidade que convivem com a doença.

Estudos investigam apneia do sono e condições neurológicas

O tratamento da apneia obstrutiva do sono representa outro marco para a classe. Em dezembro de 2024, o Zepbound tornou-se o primeiro medicamento aprovado pela FDA para tratar diretamente pacientes com o distúrbio, caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante o sono.

Na área neurológica, pesquisadores também estudam o potencial da semaglutida em condições associadas à obesidade, como a hipertensão intracraniana idiopática. Embora os resultados ainda sejam preliminares, os estudos ajudam a ampliar o entendimento sobre os possíveis benefícios dos medicamentos.

Dependência alcoólica e Alzheimer seguem em investigação

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Entre os usos ainda experimentais estão o tratamento da dependência alcoólica e da doença de Alzheimer.

Pesquisas iniciais apontaram que a semaglutida pode reduzir o desejo por álcool em pessoas com transtorno por uso de álcool, motivando novos estudos clínicos.

No caso do Alzheimer, os resultados foram mais limitados. Ensaios clínicos conduzidos pela Novo Nordisk não demonstraram redução significativa da progressão da doença, embora alguns indicadores relacionados à condição tenham apresentado melhora.

A expansão dos estudos reforça o interesse crescente da indústria farmacêutica em explorar o potencial dos medicamentos GLP-1 além da obesidade e do diabetes. Enquanto algumas aplicações já contam com aprovação regulatória, outras ainda dependem de evidências adicionais para confirmar sua eficácia e segurança.

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*Com informações da Reuters.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, estagia como redatora de notícias no Money Times e no Seu Dinheiro. Antes, trabalhou no site da Empiricus, onde cobriu empresas e investimentos.
Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, estagia como redatora de notícias no Money Times e no Seu Dinheiro. Antes, trabalhou no site da Empiricus, onde cobriu empresas e investimentos.

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