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Minerva (BEEF3): 2T26 vem em linha, mas queima de caixa e China preocupam

13 ago 2026, 11:08 - atualizado em 13 ago 2026, 11:22
minerva beef3
(Imagem: Divulgação/Minerva Foods)

A Minerva Foods (BEEF3) entregou um resultado do segundo trimestre de 2026 (2T26) amplamente em linha com as expectativas dos analistas, mas a forte queima de caixa e as incertezas envolvendo as exportações para a China devem manter os investidores cautelosos no segundo semestre.

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XP Investimentos, BTG Pactual e Itaú BBA avaliaram o balanço como consistente, com destaque para a resiliência operacional da companhia mesmo diante de um cenário menos favorável para os frigoríficos. Os três bancos, porém, mantiveram recomendação neutra para as ações.

A Minerva registrou receita líquida de R$ 14,1 bilhões no 2T26, alta de 1,3% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 1,2 bilhão, queda de 5,5%, com margem de 8,6%.

Para a XP, o trimestre foi sólido, com melhora da margem Ebitda na comparação com o trimestre anterior e em um movimento considerado positivo para a sazonalidade. Ainda assim, a casa avalia que essa recuperação pode não ser suficiente para compensar a pressão sobre as margens provocada pela alta dos preços do gado ao longo do segundo semestre.

O BTG, por sua vez, considerou o 2T26 como um trimestre “sem novidades”, destacando que os números foram amplamente consistentes com as expectativas. Para o banco, isso é positivo diante da elevada volatilidade típica do setor, mas não representa um catalisador para as ações, que vêm apresentando desempenho fraco e ainda enfrentam o desafio de desalavancar o balanço.

Caixa no centro das atenções

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O principal ponto de preocupação dos analistas foi a geração de caixa. A Minerva consumiu cerca de R$ 1,1 bilhão em capital de giro no trimestre, principalmente devido ao aumento das contas a receber e dos estoques.

Com isso, o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 611 milhões no período. A cifra ficou bem abaixo das expectativas da XP, que projetava geração positiva de R$ 100 milhões.

O Itaú BBA também colocou a dinâmica do capital de giro como principal ponto de debate após o balanço. Segundo o banco, o consumo ocorreu apesar da contribuição positiva das operações de forfait, aumentando a atenção sobre a capacidade da companhia de gerar caixa no restante de 2026.



A pressão sobre o caixa também elevou a alavancagem. A relação entre dívida líquida e Ebitda terminou o trimestre em cerca de 3 vezes, ante 2,8 vezes no primeiro trimestre, segundo os analistas.

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Para o BTG, a Minerva precisa acelerar a desalavancagem e melhorar a geração de caixa aos acionistas antes que as ações possam ganhar um novo impulso.

China vira desafio no 2S26 para BEEF3

Outro ponto de atenção é a cota de importação de carne bovina da China, que já foi esgotada para Brasil e Austrália. A Argentina deve ser a próxima origem sujeita à tarifa de 55% para volumes acima da cota.

O BTG destacou que a maior participação do Brasil nas receitas da Minerva no trimestre — com alta de 16% nas vendas brasileiras e de 10% nos volumes na comparação sequencial — provavelmente representou o último impulso antes do preenchimento da cota chinesa.

A expectativa dos analistas é de que essa dinâmica se reverta no segundo semestre, com a companhia precisando redirecionar volumes originalmente destinados à China para outros mercados.

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Para o Itaú BBA, o terceiro trimestre será particularmente importante, já que a Minerva terá de realocar esses volumes sem comprometer significativamente as margens.

A XP, contudo, vê a diversificação geográfica da companhia como uma vantagem. A demanda permanece sólida em diversos mercados, com espaço para ampliar embarques para Estados Unidos, Oriente Médio e Chile, enquanto a restrição da União Europeia representa uma preocupação secundária.

O que fazer com as ações?

Apesar dos desafios, nenhuma das três casas alterou sua recomendação após o balanço. A XP manteve neutro, com preço-alvo de R$ 7,20. O BTG também manteve neutro, com preço-alvo de R$ 7, enquanto o Itaú BBA reiterou neutro, com preço-alvo de R$ 5,50.

A leitura predominante, portanto, é de que o 2T26 não trouxe uma deterioração operacional relevante, mas também não foi suficiente para destravar a tese de investimento.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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