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MRV (MRVE3): Venda de ativos nos EUA reduz dívida, mas pressiona resultado, diz BBI; entenda o impacto

23 jun 2026, 11:32 - atualizado em 23 jun 2026, 11:32
MRV
MRV (MRVE3): Venda de ativos nos EUA reduz dívida, mas pressiona resultado, diz BBI; entenda o impacto (Imagem: Divulgação)

A venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, localizados no Texas (EUA), por US$ 139 milhões (R$ 716 milhões), anunciada pela MRV&Co (MRVE3) na noite de ontem (22), deve ter impacto negativo no resultado de curto prazo da companhia, segundo análise do Bradesco BBI.

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Em relatório, a casa classificou o cenário como "misto", destacando que enquanto a operação contribui para a desalavancagem do grupo, os descontos aplicados na negociação indicam perda de valor dos ativos e pressão sobre o lucro.

Negociadas dentro do índice Ibovespa, as ações da MRV abriram o pregão desta terça-feira (23) em queda: por volta das 10h40 (de Brasília), recuavam aproximadamente 0,9%, negociadas a R$ 4,91. Acompanhe o tempo real.



Do lado negativo, o BBI afirmou que o desconto de aproximadamente 26% em relação ao valor contábil dos ativos implica um prejuízo estimado de US$ 49 milhões, já ajustado por impairment realizado em julho de 2025. O impacto deve ser reconhecido no resultado do segundo trimestre (2T26).

Já do positivo, o banco apontou que a transação ajudará a reduzir a dívida líquida da companhia em cerca de 7,5%, além de atenuar levemente o indicador de covenants, que deverá recuar de 0,58 para 0,53, abaixo do limite de 0,65.

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A conclusão do negócio, cabe ressaltar, está prevista para julho e inclui um depósito não reembolsável de US$ 12 milhões.

Desinvestimentos nos EUA seguem avançando

Desde o início do plano de desalavancagem da Resia, subsidiária nos Estados Unidos, em dezembro de 2024, a MRV&Co já vendeu US$ 380 milhões em terrenos e empreendimentos.

Mesmo assim, segundo o BBI, a unidade norte-americana permanece com cerca de US$ 585 milhões em ativos, dos quais US$ 476 milhões devem ser alienados até 2027, o que “mantém incertezas sobre possíveis novos prejuízos”.

A avaliação do banco é de que o mercado, inclusive, já reflete parte desse risco no valuation do papel, que negocia a cerca de 0,5 vez o valor patrimonial (P/VPA).

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“Acreditamos que a atual avaliação com desconto da empresa evidência a preocupação com possíveis prejuízos adicionais na venda de projetos e o eventual encerramento da frente de negócios dos Estados Unidos, o que reduz a previsibilidade dos resultados para os anos de 2026 e 2027 e desancora as estimativas de consenso”, apontou o relatório.

Adeus, Resia?

Durante o MRV Day, realizado em março, o copresidente do grupo, Rafael Menin, afirmou que a subsidiária norte-americana deve seguir em outro formato no futuro, embora ainda não haja definição sobre encerramento ou mudança estrutural.

“A Resia não deixará de existir. Ela continuará existindo em outro modelo societário. Mas vai chegar um momento em que o acionista deixará de ter os ativos da Resia nessa estrutura”, disse, à época.

O executivo também reconheceu que a empresa cometeu erros ao expandir diversas frentes de atuação ao mesmo tempo, o que elevou a complexidade do conglomerado.

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Não à toa, a Resia registrou prejuízo de US$ 260 milhões em 2025, acima da perda de US$ 69,8 milhões registrada em 2024.

“Pisamos na bola na execução [nos EUA]. Abrimos muitas frentes ao mesmo tempo. O foco da administração, daqui para frente, serão as operações brasileiras”, contou.

Na ocasião, o diretor financeiro (CFO), Ricardo Paixão, também comentou sobre a unidade internacional, destacando os desafios que a expansão trouxe para a estrutura do grupo.

“Na Resia, tivemos alguns acertos e erros, e os erros fizeram a empresa ficar com um balanço muito grande e um endividamento bem elevado. E com endividamento muito alto, temos que ficar atentos, por isso estamos realizando desinvestimentos”, afirmou, dizendo que a estratégia não deve ser interpretada como uma descontinuação — ao menos por enquanto.

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“Eu não chamaria de liquidação, mas, sim, de desalavancagem. As possíveis decisões mais para a frente podem ser vender o negócio todo, fazer uma cisão, parceria, spin-off ou até mesmo a liquidação. Mas, por ora, é prematuro qualificar assim.”

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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