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Multiplan (MULT3): Veja o que fazer com as ações após o 1T26, segundo analistas

30 abr 2026, 15:08 - atualizado em 30 abr 2026, 15:08
multiplan mult3
Multiplan (MULT3): Veja o que fazer com as ações após o 1T26, segundo analistas (Imagem: Divulgação/Multiplan)

A Multiplan (MULT3), dona de uma rede de 20 shopping centers, apresentou números consistentes no primeiro trimestre de 2026 (1T26), embora o avanço de despesas operacionais e financeiras tenha limitado uma leitura mais positiva do resultado, segundo análise da Empiricus Research.

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Em relatório, a analista Caio Nabuco de Araujo apontou que a receita líquida da companhia apresentou um crescimento expressivo de 57,3% na comparação anual, ao atingir R$ 827 milhões.

Segundo ele, o desempenho foi influenciado pela linha de venda de imóveis, que somou R$ 300,9 milhões entre janeiro e março, impulsionada, principalmente, pela alienação de uma participação 10% no BH Shopping, por R$ 285 milhões.

O lucro líquido da Multiplan totalizou R$ 316,14 milhões no 1T26, uma alta de 35% na comparação com igual período de 2025.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 516,48 milhões, aumento de 29% na mesma base de comparação.

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A média de previsões de analistas do setor compilada pela LSEG apontava para lucro líquido de R$ 234,4 milhões e Ebitda de R$ 463,2 milhões.

Multiplan: o que pesou no resultado

Araujo ponderou, porém, que o resultado foi pressionado pelo aumento das despesas financeiras, reflexo do atual patamar de alavancagem — em torno de 2,13 vezes dívida líquida/EBITDA — e do patamar elevado dos juros.

O FFO (fluxo de caixa operacional), por exemplo, atingiu R$ 327,5 milhões, crescimento de 18% em relação ao 1T25. No entanto, sem o efeito extraordinário da venda da participação no BH Shopping, a métrica teria recuado cerca de 22%.

“De forma geral, a performance da Multiplan foi consistente, mas o avanço de despesas operacionais e financeiras limitou uma leitura mais positiva do resultado, especialmente quando comparado às expectativas de mercado”, afirmou o analista.

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“Para os próximos trimestres, a tendência permanece favorável, com crescimento real de aluguel, que é sustentado pelo bom nível de ocupação e pela maturação das expansões recentes”, prosseguiu.

Negociadas a cerca de 13 vezes o múltiplo P/FFO estimado para 2026, as ações MULT3 permanecem entre as recomendações de compra da Empiricus.



O que diz o BTG

O BTG Pactual, por sua vez, avaliou que o 1T26 da Multiplan foi mais “fraco” do que o esperado. O banco ressaltou que Ebitda e FFO ficaram, respectivamente, 6% e 5% abaixo de suas projeções, impactados justamente pelas despesas financeiras mais elevadas.

A casa também apontou que, excluindo a venda de R$ 285 milhões da participação do BHShopping, a receita líquida teria ficado em R$ 530 milhões, alta anual de 3%, mas 2% inferior à estimativa interna.

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Apesar disso, a instituição destacou a solidez operacional da companhia: as vendas nas mesmas lojas cresceram 5,1% frente ao 1T25, enquanto os aluguéis nas mesmas lojas avançaram 6,9%.

Já a taxa de vacância encerrou março em 3,6%, queda de 15 pontos-base em um ano.

“O 1T26 da Multiplan mostrou algumas das tendências que já estávamos antecipando: as métricas operacionais permaneceram sólidas, mas o Ebitda e o FFO foram pressionados por maiores despesas operacionais e de juros, resultando no desempenho abaixo do esperado”, afirmou o banco, dizendo que planeja atualizar as estimativas para a empresa em breve.

Por enquanto, o BTG mantém recomendação de compra para as ações, baseada no portfólio premium de shopping centers da companhia, capaz de manter resiliência mesmo em um ambiente de juros altos.

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O preço-alvo é de R$ 28, o que representa uma potencial desvalorização de 11,7% em relação à cotação atual, de R$ 31,71.

O que diz o BB

Já o BB Investimentos destacou que a Multiplan reportou um resultado repleto de recordes para um primeiro trimestre.

Em relatório, o banco apontou que o portfólio de shoppings da companhia apresentou crescimento anual de 7,2% em suas vendas totais, atingindo R$ 5,9 bilhões.

O destaque, na visão da casa, ficou para o MorumbiShopping, cujas vendas avançaram 14,6% após a inauguração de uma expansão que adicionou 13 mil metros quadrados (m²) de área construída.

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O BB também pontuou que as despesas gerais e administrativas cresceram apenas 0,3% no período, equivalente a 6% da receita líquida — o melhor nível para um primeiro trimestre desde o IPO da empresa, em 2007.

“Com um aumento tanto no nível de caixa como no Ebitda, a relação dívida líquida/Ebitda recuou para 2,13 vezes no 1T26, contra 2,28 vezes no 1T25”, disse o banco, pontuando que a Multiplan passa por um processo de desalavancagem após consumir caixa para fazer uma grande recompra de ações.

“Ainda que a companhia apresente um nível relativamente elevado de endividamento quando comparado com pares de setor, ela vem realizando desalavancagem nos últimos trimestres, apoiada pela geração de caixa operacional e troca das dívidas mais caras por novas emissões mais competitivas”, afirmou o BB.

“Além disso, as novas expansões e revitalizações promovidas pela empresa em seus shoppings têm demonstrado bons números, evidenciando sua expertise na manutenção da competitividade de seus empreendimentos”, prosseguiu.

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O banco também possui recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 35 ao final de 2026.

Confira as recomendações para MULT3:

CasaRecomendaçãoPreço-alvoPotencial
BTG PactualCompraR$ 28,00-11,7%
BB InvestimentosCompraR$ 35,00+10,4%
Empiricus ResearchCompra

Leia também: em entrevista exclusiva, CFO da Multiplan comenta os resultados do 1T26 e as perspectivas para a companhia.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.

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