Tecnologia

‘Não monto um portfólio sem IA’: a tecnologia é a maior aliada para vencer o emocional nos investimentos? BTG já aposta no mercado

29 out 2026, 15:02
mat velloso
O CTO/COO do BTG Pactual, Christian Flemming, e o CPO da Docker, Mat Velloso.

Em um mercado financeiro sujeito a oscilações, expectativas e decisões tomadas sob pressão, a inteligência artificial (IA) pode representar uma vantagem competitiva para quem busca investir com mais método e menos influência das emoções. Para Mat Velloso, CPO da Docker e ex-vice-presidente da Meta e do Google DeepMind, essa transformação já deixou de ser uma promessa distante.

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“Faz dois anos que não monto algo, deixo meu portfólio rodar com base na ferramenta de IA”, afirmou Velloso durante o painel “Sem hype: IA vista de dentro”, realizado na final da Copa BTG Trader 2026. A declaração resume a dimensão que a tecnologia ganhou em sua estratégia pessoal de investimentos e ajuda a ilustrar uma mudança mais ampla na relação entre investidores e máquinas.

Na avaliação do executivo, a inteligência artificial tende a ampliar a distância entre quem toma decisões com base em dados e evidências e quem depende principalmente da intuição. Ele traça um paralelo com o esporte, em que a análise estatística passou a desafiar métodos tradicionais de avaliação de desempenho.

“Você consegue separar o joio do trigo ao olhar para os grandes investidores”, disse. Para Velloso, a IA pode acelerar esse processo ao analisar informações, testar hipóteses e identificar padrões em uma escala difícil de reproduzir individualmente.

O argumento ganha relevância em um ambiente no qual o comportamento dos investidores nem sempre acompanha os fundamentos econômicos. Em períodos de forte volatilidade, como os de perdas recentes na Bolsa mencionados durante o painel, o medo de perder dinheiro e a euforia diante de oportunidades podem interferir na tomada de decisão.

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Nesse cenário, a tecnologia pode ajudar a reduzir vieses comportamentais e dar mais consistência às estratégias. Isso não significa, porém, que a inteligência artificial seja capaz de antecipar todos os movimentos do mercado ou garantir retornos positivos.

Velloso também chama a atenção para uma mudança na própria dinâmica da competição entre investidores. Se cada vez mais participantes utilizarem ferramentas capazes de identificar oportunidades semelhantes, as vantagens antes associadas a determinados padrões podem desaparecer à medida que se tornam amplamente conhecidos.

“Se todo mundo tem uma IA que prevê o alpha, você muda o alpha, o alpha já é um fato conhecido”, afirmou, fazendo menção ao ganho excedente de uma operação em relação a outra, o chamado alfa. A observação aponta para um mercado em que a tecnologia não elimina a disputa por resultados: ela eleva o nível de sofisticação necessário para encontrar oportunidades.

Ainda assim, o executivo considera que a assistência da inteligência artificial será cada vez mais necessária. “Não é possível montar um portfólio sem a assistência da IA, não terá como competir sem isso”, disse durante o painel.

Do diagnóstico à prática: a aposta do BTG

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A transformação descrita por Velloso também se reflete no desenvolvimento de ferramentas voltadas diretamente ao investidor. É nesse contexto que se insere o Trader AI, solução do BTG que reúne recursos de inteligência artificial para facilitar o acesso a informações, apoiar a análise de investimentos e agilizar operações.

A proposta é concentrar, em uma única interface, tarefas que tradicionalmente exigiriam consultas a diferentes telas, pesquisas e ferramentas. O investidor pode fazer perguntas sobre o mercado, acompanhar indicadores como o dólar e o bitcoin, consultar informações sobre empresas e analisar a própria carteira.

Segundo a apresentação da ferramenta no evento, o Trader AI reúne cerca de 40 funcionalidades, que vão da análise de posições à montagem de carteiras e à execução de ordens. A solução também incorpora informações do Research do BTG, departamento de análise do banco, cuja equipe reúne mais de 100 profissionais, conforme informado durante a apresentação.

A integração busca tornar a análise mais acessível tanto para investidores experientes quanto para quem está começando no mercado de ações. Em vez de precisar conhecer previamente todos os indicadores ou saber exatamente quais dados consultar, o usuário pode interagir com a ferramenta por meio de perguntas em linguagem natural.

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Outro recurso destacado pelo BTG é a possibilidade de utilizar agentes de IA para apoiar a montagem de posições e a execução de ordens. Com isso, a tecnologia deixa de atuar apenas como fonte de consulta e passa a participar de etapas operacionais do processo de investimento.

Mais eficiência, sem abrir mão do julgamento humano

A expansão dessas ferramentas traz uma questão importante: até que ponto o investidor deve delegar suas decisões à inteligência artificial?

Durante o painel, a discussão apontou para a possibilidade de usar a tecnologia para ampliar a capacidade de análise humana, e não necessariamente para substituí-la. No caso do Trader AI, a proposta apresentada pelo banco é oferecer recursos que ajudem o usuário a tomar decisões com mais informação, agilidade e contexto.

Essa distinção é relevante porque modelos de IA podem produzir respostas incorretas, interpretar dados de maneira inadequada ou não captar mudanças inesperadas nas condições de mercado. A qualidade das decisões continua dependendo da confiabilidade das informações, da compreensão dos riscos e da adequação das estratégias aos objetivos de cada investidor.

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Velloso também alertou para os limites da tecnologia em um mercado no qual a busca por oportunidades envolve cada vez mais capacidade computacional. A inteligência artificial pode identificar padrões e processar grandes volumes de informação, mas isso não significa que todos os participantes conseguirão obter retornos extraordinários utilizando as mesmas ferramentas.

A vantagem competitiva, portanto, pode estar menos no simples acesso à IA e mais na forma como ela é utilizada: quais problemas resolve, quais dados considera e como seus resultados são incorporados a uma estratégia consistente.

Ao apresentar o Trader AI, o BTG aposta justamente na integração entre informação financeira, análise e execução em um ambiente único. A ferramenta procura reduzir a complexidade operacional e permitir que o investidor dedique mais tempo à avaliação das alternativas e dos riscos envolvidos.

Em um mercado no qual decisões emocionais podem comprometer estratégias de longo prazo, máquinas capazes de organizar informações e seguir critérios definidos oferecem uma nova camada de apoio. Não eliminam a incerteza nem dispensam o discernimento humano, mas podem ajudar a tornar o processo de investimento mais disciplinado.

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A questão, assim, deixa de ser apenas se a inteligência artificial vai transformar o mercado financeiro. Para Velloso, a mudança já está em curso. O desafio agora é aprender a utilizar essas ferramentas para ganhar eficiência e qualidade de análise sem confundir velocidade de processamento com certeza sobre o futuro.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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