Alta do ouro e da prata testa estratégia de preços de Vivara (VIVA3), Life e Pandora; entenda
Com o conflito no Oriente Médio, os preços dos metais preciosos subiram, e afetam diretamente os negócios que dependem deles como matéria-prima. Mas nem todas as companhias do setor têm as mesmas estratégias.
O BTG Pactual analisou os preços de 25 mil itens das marcas Vivara (VIVA3), Life e Pandora entre março e abril, para entender como elas têm reagido aos aumentos de custos.
A Vivara (com 14 mil itens analisados) tem repassado parte dos aumentos de custos aos consumidores, mas com uma estratégia distinta dependendo da faixa do produto. Já sua marca Life (com 8,4 mil produtos pesquisados pelo time do BTG) tem feito ajustes táticos.
A concorrente dinamarquesa Pandora (com 2,5 mil itens avaliados), por outro lado, tem mantido os preços em linha com o mês anterior, segundo o relatório.
Com esses ajustes, tanto em sua marca principal quanto na divisão de entrada, a Life, a Vivara consegue estar bem-posicionada para suportar as mudanças nos custos.
“Acreditamos que a Vivara permanece bem posicionada para entregar retornos atrativos ajustados ao risco (ainda que em um cenário macroeconômico mais desafiador)”, disse o BTG em relatório.
“Com VIVA3 sendo negociada a um atraente 9,5 vezes preço da ação sobre lucro presumido para 2026, os níveis de valuation seguem interessantes, sustentando nossa recomendação de compra.”
Da Vivara à Pandora: como cada marca ajustou o preço
Na Vivara, 7% de todo seu portfólio sofreu ajustes de preço — 84% para cima, 16% para baixo. Cerca de 6% de todos os seus itens à venda estavam com desconto no momento da pesquisa, na média de 5%.
Os reajustes não foram todos iguais. As joias mais caras sofreram reajustes maiores para cima. Os maiores aumentos foram em colares e braceletes. Os itens que custam acima de R$ 10 mil tiveram a maior alta de preço.
Isso significa que a empresa está ajustando o portfólio considerando a elasticidade dos preços de suas joias. Consumidores dos itens mais caros continuarão comprando — a demanda é inelástica, segundo o jargão econômico.
Do outro lado, os itens baratos não sofreram tantos aumentos, já que são voltados a clientes aspiracionais, que querem ter um produto da marca mas não conseguem pagar tanto por ele – a tal da demanda elástica, mais sensível.
A Life ajustou 15% dos seus itens — 15% para cima, mas 85% para baixo, com uma redução média de 1,4% nos preços. Além disso, cerca de 25% dos acessórios estavam com desconto de, na média, 6%. Os itens mais baratos, que custam menos de R$ 300, foram os com o maior desconto de um mês para o outro.
Na Pandora, os preços se mantiveram em linha entre março e abril.
Olhando para o tíquete médio, a Life e a Pandora disputam os mesmos clientes. Os consumidores gastam em média R$ 768 a cada compra na Pandora, enquanto o carrinho da Life é de aproximadamente R$ 584. Para quem procura preço, a Life tem itens de prata a um valor de entrada mais acessível.
Com produtos tanto mais acessíveis quanto aqueles mais caros, a Vivara consegue escolher melhor como desenhar sua estratégia de preços para manter a rentabilidade sem perder clientes.