Nunca recebi Daniel Vorcaro e nem estive no mesmo ambiente com ele, diz Haddad
O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, reforçou nesta segunda-feira (14) que, ao contrário de seus adversários políticos, nunca teve qualquer contato com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O petista também voltou a defender a ideia de abertura total dos sigilos relacionados às apurações do Master.
“Eu nunca recebi o Daniel Vorcaro na minha vida, nunca estive com ele no mesmo ambiente, nunca recebi uma mensagem nem um telefonema dele, nunca o procurei”, afirmou Haddad, dizendo que sua equipe já havia alertado que o empresário “era um problema grave”, embora “não se soubesse a dimensão do problema”. As afirmações foram feitas durante sabatina no SPTV, da TV Globo.
Haddad também afirmou que Vorcaro não financiou sua campanha e associou o banqueiro a adversários políticos.
“Ele financiou a campanha do atual governador Tarcísio de Freitas, financiou a campanha do Jair Bolsonaro. Ele tem negócios com três ex-ministros do Bolsonaro. Tem um problema grave no Banco Central, porque o Master nasceu no Banco Central do Roberto Campos (Neto), indicado pelo Jair Bolsonaro. Vorcaro foi liquidado e preso na nossa gestão. Nós fizemos o dever de casa de tirar de circulação uma pessoa muito grave”, detalhou Haddad.
O ministro afirmou que a resposta adequada agora é dar publicidade integral às investigações, em linha com o que vem sendo defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Todos os sigilos têm que ser levantados. A justiça não pode sonegar a informação do cidadão. Abre tudo”, declarou, defendendo responsabilização “independentemente de partido político”.
Haddad disse ainda que a divulgação das informações deve ocorrer antes da eleição, em outubro, por considerar que a ética deve anteceder disputas ideológicas. “Errou, se defende. Não conseguiu se defender, paga”, declarou.
Concessões e segurança
Na entrevista, o ex-ministro da Fazenda diss que, caso seja eleito, pretende rever contratos de concessão e privatização assinados na gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele citou a Sabesp, linhas de trens da CPTM e pedágios free flow.
Segundo Haddad, caso a revisão das cláusulas do contrato não seja exitosa, é possível “judicializar e, eventualmente, romper o contrato”. Segundo o petista, a maioria dos contratos de concessão da atual gestão foram “mal feitos” e precisam ser readequados ao “interesse público”, dado que houve aumento de reclamações da Sabesp no Procon e crescimento dos incidentes nos trilhos dos trens.
“Os contratos foram mal feitos, da Sabesp, free flow e privatização da CPTM. O papel do governante é rever os contratos, aplicar penalidades. Não deu certo: judicializar e eventualmente romper o contrato”, declarou o ex-ministro da Fazenda.
Haddad também vinculou a viabilização de novos investimentos no Estado à situação financeira do governo. Segundo ele, será necessário um “trabalho de seis meses” para recuperar as finanças estaduais, que, na sua avaliação, se deterioraram nos últimos anos.
Nesse sentido, o petista voltou a citar que a atual gestão recebeu o tesouro estadual com superávit na casa de R$ 23 bilhões, que hoje está na casa de R$ 5 bilhões, mesmo com a venda de ativos, como a privatização da Sabesp.
Haddad ainda disse que contratos terceirizados, indenizações a concessionárias e privatizações recentes serão “três focos de atenção” para a recomposição do caixa estadual e para abrir espaço orçamentário para investimentos e melhorias em serviços públicos.
Segurança pública
Na área de segurança pública, Haddad voltou a defender sua proposta de criar uma “agência antifacção” sob presidência do governador, com participação de órgãos estaduais e federais, e afirmou que a cooperação entre governos “precisa ser a regra”, o que não acontece hoje. Questionado sobre se a ideia de agência antifacção não seria igual à atual Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), o petista disse que a agência será presidida por ele e que irá “realmente funcionar”.
Ainda na área da segurança, Haddad afirmou que pretende modernizar a resposta ao crime do dia a dia com uso de tecnologia e inteligência artificial, incluindo registro de boletim de ocorrência por aplicativo e análise em tempo real para orientar patrulhamento e investigação. “São Paulo está no tempo do telefone fixo, não está no tempo da modernidade”, disse o petista.