O alerta do Bradesco BBI para a Usiminas (USIM5), que perdeu R$ 4 bi na Bolsa em 1 mês
A Usiminas (USIM5) foi o grande destaque do primeiro semestre. Após disparar mais de 70%, a ação liderou as altas do período no Ibovespa. Mas, desde então, perdeu fôlego e acumula queda de 30% desde a máxima registrada em 2 de junho. Segundo dados da Elos Ayta, a empresa perdeu R$ 4 bilhões em valor de mercado nesse período.
Não por acaso, o mercado parece ter percebido que o melhor ficou para trás, enquanto o segundo semestre deve ser mais complicado para a siderúrgica. Pelo menos na visão do Bradesco BBI.
Em relatório, os analistas cortaram o preço-alvo de R$ 10 para R$ 8,50. Ou seja, não veem potencial de alta para a ação, que negocia justamente nesse patamar. A recomendação segue neutra.
Para os analistas, a divisão de aço será a grande pedra no sapato. A expectativa é de preços menores para os aços planos no mercado aqui no Brasil, em meio ao aumento das importações indiretas e à queda da demanda.
Ao mesmo tempo, a companhia enfrenta pressão de custos, especialmente com placas de aço e carvão metalúrgico.
“Nesse contexto, cresce a percepção de que o segundo trimestre pode ter representado o ponto mais forte do ano em termos operacionais”, destacam os analistas.
Para o Bradesco, não tem jeito: o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficará abaixo do esperado pelo mercado, tanto no terceiro trimestre de 2026 quanto no consolidado do ano.
“Apesar de a companhia ter se beneficiado da recuperação observada no mercado ao longo dos últimos trimestres, o ambiente para a segunda metade do ano parece mais desafiador diante da combinação de custos crescentes e menor poder de repasse de preços”, afirmam.
Assim, o Bradesco avalia que a relação entre risco e retorno está mais equilibrada neste momento, sem gatilhos claros para uma reprecificação relevante das ações no curto prazo. Em outras palavras, o papel ficou caro.
‘Céu azul’ para a Usiminas
A Usiminas vislumbrou um “céu azul”, na visão no primeiro semestre. O sócio e analista da Fatorial Investimentos, Fabio Lemos, afirma que a ação foi beneficiada pelas medidas antidumping no aço implementadas pelo governo brasileiro, visto que isso eleva os preços no mercado interno, além de apresentar números positivos no primeiro trimestre de 2026.
Na avaliação dos analistas, o valuation da Usiminas também foi um fator que impulsionou a ação. “A empresa consegue aproveitar um pouco desse valuation mais atrativo, que dá um fôlego para o investidor que busca alguns papéis um pouco mais descontados em bolsa. E em termos de alavancagem, ela também está melhor do que a CSN”, considera Passos, da Ajax Asset.
Ao olhar para a relação dívida líquida/Ebitda, a siderúrgica apresentou -0,2x no 1T26, o que indica que há saldo em caixa, explica Lemos. No período, a companhia também apresentou lucro líquido de R$ 391 milhões.
“Uma está mais barata do que a outra – justamente nesse ponto – foi o início da arrancada de Usiminas. Após o balanço, o mercado viu que a Usiminas entregou exatamente o que ele queria: preço melhor, mix de produtos bom, balanço limpo e caixa livre”, diz.