O que está mexendo com os mercados? Veja as principais notícias desta tarde

1. Wall Street abre perto de máximas recordes com esperanças de estímulo
Os principais índices de Wall Street abriram perto de máximas recordes nesta quinta-feira, com investidores apostando em mais estímulos fiscais para enfrentar a recessão causada pelo coronavírus, enquanto dados mostraram que uma recuperação no mercado de trabalho norte-americano está estagnada.
Às 13h (horário de Brasília), o índice Dow Jones subia 0,09%, a 31.492 pontos, enquanto o índice de tecnologia Nasdaq avançava 0,47%, a 14.038 pontos. O S&P 500 abriu em alta de 0,15%, para 3.920,2 pontos.
2. Copom discutiu elevação de juros para março, e não janeiro, diz Campos Neto
Parte do mercado fez uma interpretação equivocada sobre o dissenso que ocorreu na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ao entender que alguns diretores já teriam defendido alta da Selic para janeiro, e não março, disse nesta quinta-feira o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Em evento do banco JPMorgan, Campos Neto também frisou que a comunicação sobre a divergência entre os membros do Copom não é uma sinalização de política monetária, mas apenas parte do esforço do BC de aumentar a transparência da sua comunicação.
“Quanto tentamos ser transparentes sobre a discussão de que alguns membros gostariam de começar a conversar sobre uma normalização das taxas houve uma interpretação equivocada. Acho que algumas pessoas interpretaram isso erradamente como sendo janeiro, e não março”, afirmou Campos Neto.
O presidente do BC disse que essa leitura feita por parte do mercado seria contraditória com a política de transparência advogada pela autoridade monetária.
“Se você tinha membros que de fato achavam que a gente devia ter elevado em janeiro, teriam votado nisso e sido bem claros”, disse Campos Neto.
3. Governo estuda auxílio emergencial apenas por alguns meses, diz Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que a renovação do auxílio emergencial, que está sendo estudada pelo governo e pelo Congresso, será apenas por mais alguns meses.
Em discurso no Maranhão, onde participou de cerimônia para entrega de títulos de propriedade, Bolsonaro disse que o pagamento do auxílio aos vulneráveis que sofreram impactos da pandemia de Covid-19 representa endividamento para o país e não pode ser eterno.
“No momento a nossa equipe, juntamente com parlamentares, estudamos a extensão por mais alguns meses do auxílio emergencial”, afirmou. “Repito, o nome é emergencial, não pode ser eterno, porque isso representa um endividamento muito grande do nosso país. E ninguém quer o país quebrado. E sabemos que o povo quer é trabalho.”
A intenção do governo é pagar mais três parcelas de 200 reais do auxílio, mas o novo pagamento deverá ser apenas para pessoas desempregadas durante a pandemia e não deve abarcar os beneficiários do Bolsa Família, como foi feito com o benefício anterior, encerrado em dezembro.
A equipe econômica estuda, com o Congresso, uma alternativa que não viole a regra do teto de gastos, ou algum tipo de liberação legal para que o auxílio possa ser pago fora do teto.
4. Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA recuam com estagnação da recuperação do mercado de trabalho
O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego recuou na semana passada, consistente com a recente estagnação na recuperação do mercado de trabalho dos Estados Unidos.
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego totalizaram 793 mil em dado ajustado sazonalmente na semana encerrada em 6 de fevereiro, em comparação com 812 mil na semana anterior, disse o Departamento do Trabalho nesta quinta-feira. Economistas consultados pela Reuters previam 757 mil solicitações para a última semana.
As solicitações permanecem acima do pico de 665 mil atingido durante a Grande Recessão de 2007-2009. Elas estão, no entanto, bem abaixo do recorde de 6,867 milhões registrado em março passado, quando a pandemia abalou os Estados Unidos.
O chair do Federal Reserve, Jerome Powell, reconheceu na quarta-feira que a “melhora nas condições do mercado de trabalho estagnou” nos últimos meses por causa do ressurgimento de infecções por coronavírus, que prejudicaram restaurantes e outras empresas voltadas para o consumidor.
O governo informou na sexta-feira passada que a economia norte-americana criou apenas 49 mil vagas de trabalho em janeiro, após ter registrado perda de 227 mil empregos em dezembro.
Mas ainda há espaço para um otimismo cauteloso. Os novos casos de coronavírus registrados nos EUA caíram 25% na semana passada, a maior queda desde que a pandemia chegou ao país. As infecções já caíram por quatro semanas consecutivas até agora, segundo uma análise da Reuters com dados de Estados e condados.
5. Autonomia do BC melhora credibilidade da política monetária e sinaliza progresso na agenda de reformas, diz Moody’s
A aprovação pelo Congresso do projeto que confere autonomia formal ao Banco Central indica melhora da credibilidade da política monetária dos últimos anos e sinaliza progresso na agenda de reformas estruturais do governo, disse nesta quinta-feira Samar Maziad, vice-presidente da agência de classificação de risco Moody’s.
Simbolicamente pinçada como a primeira medida a ser votada sob a gestão do novo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a proposta –que visa garantir à instituição financeira que execute suas tarefas sem risco de interferência político-partidária– segue à sanção presidencial.
Nenhuma das tentativas de alterar o texto obteve votos suficientes e, por isso, ele teve sua tramitação concluída no Congresso Nacional.
“Nossa perspectiva é a de que avançar com reformas fiscais para assegurar o cumprimento do teto de gastos continua sendo fundamental para a manutenção do perfil de crédito do Brasil”, acrescentou Maziad, que também é analista sênior para o rating soberano do Brasil.
A Moody’s atribui rating “Ba2” para o crédito soberano do Brasil, abaixo do chamado grau de investimento, com perspectiva estável.