‘Sem aplauso fácil’: Presidente do Chile fala em solidez para destravar investimentos no país
Com ações a preços de “liquidação” comparadas aos pares globais e o receio crescente sobre a hegemonia do dólar, o Chile vem se consolidando como peça-chave no radar do gringo. Para o presidente o país, José Antonio Kast, a nação tem sede por esse capital, mas a jornada exige maturidade para “separar o sinal do ruído”.
No Latam Focus 2026, evento organizado pelo BTG Pactual, que reuniu a nata do mundo político e empresarial em Santiago, o mandatário disse que o foco agora não é “o aplauso fácil das redes sociais”, mas a solidez necessária para destravar o investimento e o crescimento em toda a região.
Kast foi eleito presidente do Chile em 14 de dezembro de 2025 e assumiu o cargo em 11 de março de 2026, marcando uma guinada conservadora. Agora, o país enfrenta um momento de alta expectativa e transição.
‘Desafio 90’
O novo governo lançou mão de um projeto de reconstrução nacional e desenvolvimento econômico e social, enviado ao Congresso após o início do que Kast chamou de “Desafio 90”.
“Não estamos falando de um projeto ideológico, estamos falando de como transformar, de como recuperar nossa pátria”, afirmou.
Citando Steve Jobs, Kast pediu que o Chile não deixe o “ruído das opiniões dos outros” abafar a voz interior da nação.
O diagnóstico do estancamento
O tom do discurso foi de confronto com as políticas das últimas décadas, que, segundo Kast, deixaram o Chile estancado em um crescimento de 2% ao ano, com mais de 800 mil desempregados e um déficit habitacional crítico.
“Temos que distinguir entre os sinais e o ruído”, afirmou.
Neste contexto, o presidente chileno defendeu medidas impopulares, como o aumento dos preços dos combustíveis, argumentando que a alternativa seria o endividamento desenfreado.
“Temos a convicção de que fazemos as coisas bem, não pelo aplauso fácil, mas pela convicção, e que aos chilenos devemos falar como pessoas adultas. Devemos dizer a verdade.”
Kast foi enfático ao criticar a reforma tributária realizada há 12 anos, que prometia arrecadação e justiça social, mas que, em sua visão, puniu a classe média e os mais vulneráveis.
Os pilares para atrair investimentos ao Chile
Para convencer o investidor de que o Chile é um “país que cumpre seus acordos”, Kast apresentou um projeto baseado em quatro eixos:
- Reconstrução física, com recursos rápidos e normas para repatriação de capital;
- Reconstrução econômica, com redução do imposto de 27% para 23% e invariabilidade tributária;
- Apoio às pequenas e médias empresas (PMEs) e à construção para gerar emprego pleno;
- Reconstrução fiscal, com ajuste estrutural para controlar o gasto e garantir direitos sociais futuros.
“O Chile pode crescer a 4% ou 5% se trabalharmos em unidade. A tarefa número um é dar emprego, e o resto é música”, afirmou Kast.