Internacional

‘Sem aplauso fácil’: Presidente do Chile fala em solidez para destravar investimentos no país

23 abr 2026, 19:41 - atualizado em 23 abr 2026, 19:41
José Antonio Kast
José Antonio Kast (Imagem: REUTERS/Rodrigo Garrido)

Com ações a preços de “liquidação” comparadas aos pares globais e o receio crescente sobre a hegemonia do dólar, o Chile vem se consolidando como peça-chave no radar do gringo. Para o presidente o país, José Antonio Kast, a nação tem sede por esse capital, mas a jornada exige maturidade para “separar o sinal do ruído”.

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No Latam Focus 2026, evento organizado pelo BTG Pactual, que reuniu a nata do mundo político e empresarial em Santiago, o mandatário disse que o foco agora não é “o aplauso fácil das redes sociais”, mas a solidez necessária para destravar o investimento e o crescimento em toda a região.

Kast foi eleito presidente do Chile em 14 de dezembro de 2025 e assumiu o cargo em 11 de março de 2026, marcando uma guinada conservadora. Agora, o país enfrenta um momento de alta expectativa e transição.

‘Desafio 90’

O novo governo lançou mão de um projeto de reconstrução nacional e desenvolvimento econômico e social, enviado ao Congresso após o início do que Kast chamou de “Desafio 90”.

“Não estamos falando de um projeto ideológico, estamos falando de como transformar, de como recuperar nossa pátria”, afirmou.

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Citando Steve Jobs, Kast pediu que o Chile não deixe o “ruído das opiniões dos outros” abafar a voz interior da nação.

O diagnóstico do estancamento

O tom do discurso foi de confronto com as políticas das últimas décadas, que, segundo Kast, deixaram o Chile estancado em um crescimento de 2% ao ano, com mais de 800 mil desempregados e um déficit habitacional crítico.

“Temos que distinguir entre os sinais e o ruído”, afirmou.

Neste contexto, o presidente chileno defendeu medidas impopulares, como o aumento dos preços dos combustíveis, argumentando que a alternativa seria o endividamento desenfreado.

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“Temos a convicção de que fazemos as coisas bem, não pelo aplauso fácil, mas pela convicção, e que aos chilenos devemos falar como pessoas adultas. Devemos dizer a verdade.”

Kast foi enfático ao criticar a reforma tributária realizada há 12 anos, que prometia arrecadação e justiça social, mas que, em sua visão, puniu a classe média e os mais vulneráveis.

Os pilares para atrair investimentos ao Chile

Para convencer o investidor de que o Chile é um “país que cumpre seus acordos”, Kast apresentou um projeto baseado em quatro eixos:

  • Reconstrução física, com recursos rápidos e normas para repatriação de capital;
  • Reconstrução econômica, com redução do imposto de 27% para 23% e invariabilidade tributária;
  • Apoio às pequenas e médias empresas (PMEs) e à construção para gerar emprego pleno;
  • Reconstrução fiscal, com ajuste estrutural para controlar o gasto e garantir direitos sociais futuros.

“O Chile pode crescer a 4% ou 5% se trabalharmos em unidade. A tarefa número um é dar emprego, e o resto é música”, afirmou Kast.

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