Comprar ou vender?

O ‘tédio’ do Itaú (ITUB4) que vale bilhões para os investidores

05 ago 2026, 12:47 - atualizado em 05 ago 2026, 13:01
Itaú
(Imagem: Divulgação)

O Itaú (ITUB4) voltou a surpreender ao não divulgar nenhuma surpresa. Antes do balanço, a ação chegou a cair mais de 3%, diante da sensação de que a piora do crédito poderia colocar o banco em maus lençóis. Que o diga o Santander (SANB11), que viu sua ação derreter 7% após divulgar seus números. Porém, o que se viu foi mais um conjunto de bons resultados.

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Na bolsa, ITUB4 recuperava parte das perdas dos últimos dias ao subir 2,16%, a R$ 43,01, por volta das 11h57. Ao todo, o banco lucrou R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8%. Trata-se da 11ª alta consecutiva dos lucros.

A última vez que o banco viu seu lucro cair foi no terceiro trimestre de 2023, quando sofreu com o baque da Americanas (AMER3), segundo dados da Elos Ayta. Desde então, vem aumentando seu resultado final trimestre após trimestre.

“Em meio ao aumento das preocupações com a qualidade dos ativos do sistema, o banco comprovou sua estratégia disciplinada de apetite a risco implementada nos últimos trimestres ao manter a inadimplência acima de 90 dias estável e registrar apenas uma alta marginal na inadimplência entre 15 e 90 dias, ainda que explicada pelas operações da América Latina fora do Brasil”, escreve o Safra.

Segundo o Bradesco BBI, o crescimento da carteira de crédito surpreendeu positivamente, atingindo 10% na comparação anual. E o melhor: puxado por segmentos de menor risco, como consignado e crédito imobiliário. A margem financeira também superou as expectativas, impulsionada pela tesouraria.

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Na visão do analista Gustavo Schroden, do Citi, o Itaú divulgou mais um trimestre sólido, com rentabilidade e capital entre os melhores do setor. “Continuamos vendo o Itaú como um dos bancos mais bem preparados para atravessar um cenário macroeconômico mais difícil, apoiado por sua forte posição de capital e pela execução disciplinada na gestão de custos”, afirmou em relatório a clientes.

Pontos negativos

O BTG chega a dizer que os números pareceram “pouco inspiradores”.

Apesar do lucro dentro das expectativas, os analistas chamam atenção para o lucro por ação, que cresceu apenas 5% em relação ao ano anterior, marcando seu ritmo mais lento em três anos.

A receita com tarifas também permaneceu sob pressão, refletindo uma atividade bancária mais fraca. No geral, diz o BTG, esses fatores resultaram em “um segundo trimestre mais fraco que o habitual”.

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Em relatório, o JPMorgan também vê alguns pontos de atenção. A qualidade dos ativos, por exemplo, apresentou resultados mistos, com aumento de R$ 2,1 bilhões em créditos tributários diferidos (DTAs, na sigla em inglês).

Quanto à qualidade dos ativos, não houve grandes surpresas, mas o banco americano destaca três pontos negativos menores:

  • a formação de novos créditos inadimplentes (NPLs, na sigla em inglês para empréstimos inadimplentes) cresceu 10% em relação ao trimestre anterior, atingindo R$ 10,7 bilhões, impulsionada pela América Latina — cuja base de comparação era baixa no primeiro trimestre — e pelo varejo no Brasil;
  • o volume de empréstimos renegociados subiu 4,6% na comparação trimestral, passando de R$ 34,8 bilhões para R$ 36,3 bilhões, devido a casos corporativos e ao programa Desenrola;
  • o Itaú vendeu cerca de R$ 630 milhões em créditos ativos, dos quais apenas R$ 39 milhões estavam em atraso, “ainda que o impacto no índice de inadimplência seja irrelevante”.

Para o Bradesco BBI, a qualidade dos ativos permaneceu estável, com índices de cobertura e provisionamento em níveis sólidos. Em função do desempenho mais fraco nas linhas de serviços e seguros, a casa revisou para baixo as estimativas de lucro líquido para 2027 em 4%, para R$ 53,7 bilhões.

Revisão do guidance preocupa?

O Itaú também cortou quase pela metade a expectativa de crescimento da receita de prestação de serviços e do resultado de seguros para 2026, que passou para uma faixa entre 2,0% e 5,0%, ante previsão anterior de 5,0% a 9,0%.

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À primeira vista, a revisão poderia ser interpretada como negativa, mas o reajuste não foi suficiente para mudar a visão dos analistas.

Nos cálculos do JPMorgan, a alteração dos pontos médios do guidance, considerando uma alíquota efetiva de imposto de 30%, implica um risco de queda de R$ 1,3 bilhão, ou 2,5%, no lucro líquido.

Apesar disso, o banco pode compensar parte desse efeito com uma alíquota de imposto mais baixa. Curiosamente, diz o JPMorgan, a mesma Selic elevada que prejudicou parte das receitas com tarifas também é responsável por uma Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais alta no Brasil e por um maior benefício fiscal decorrente do pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP).

Ainda vale a compra?

De forma geral, todos os analistas mantiveram a recomendação de compra para o Itaú.

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“Embora reconheçamos que estamos sendo um tanto rigorosos em alguns aspectos da qualidade dos ativos (ou seja, a régua tende a ser mais alta para o Itaú em nossa visão, negociando a 2,2 vezes P/VP (preço sobre valor patrimonial), em comparação com cerca de 1,1 vez para Bradesco e Santander), continuamos a ver a empresa como o melhor banco para enfrentar as incertezas futuras”, escreve o JPMorgan.

Para o BTG, a tese de investimento permanece intacta. Apesar disso, o banco afirma que, após vários anos de excelente execução, forte crescimento dos lucros e investimentos significativos, 2026 será um ano de transição, “caracterizado por uma base de comparação mais difícil e um apetite por risco um pouco menor, especialmente considerando o contexto macroeconômico e eleitoral”.

Na teleconferência com jornalistas, o CEO fez alguns alertas para o cenário macroeconômico.

Na visão do BB Investimentos, o bom momento operacional do Itaú é predominantemente estrutural, ou seja, não deve acabar tão cedo. Segundo os analistas, a combinação de um portfólio de crédito de elevada qualidade, receitas diversificadas, forte capacidade de precificação de risco e disciplina permanente de custos continua sustentando resultados bastante previsíveis.

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“O crescimento da carteira permanece saudável, as margens financeiras seguem robustas, o custo do crédito continua controlado e a eficiência operacional permanece entre as melhores do sistema financeiro brasileiro.”

Para a casa, o Itaú continuará entregando retorno sobre o patrimônio em níveis elevados e superiores aos observados na maior parte de seus pares, reforçando sua posição como referência de rentabilidade e qualidade de execução no setor bancário.

O BB elevou o preço-alvo para R$ 50, o que representa um potencial de alta de 18%.

Já a Genial tem preço-alvo de R$ 53,00, o que implica um upside de 25,9%, além de um dividend yield estimado de 7,6%, “um dos mais atrativos entre os grandes bancos brasileiros”.

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“Enxergamos o Itaú como a melhor combinação entre crescimento e geração de caixa do setor bancário brasileiro, com expectativa de expansão do lucro próxima de 10% ao ano, aliada a um payout de aproximadamente 70%, proporcionando uma remuneração bastante atrativa aos acionistas.”

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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