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Oncoclínicas (ONCO3) se prepara para entrar em recuperação extrajudicial em duas semanas, diz jornal

19 jun 2026, 12:12 - atualizado em 19 jun 2026, 12:12
oncoclínicas
(Imagem: Divulgação)

A Oncoclínicas (ONCO3) se prepara para protocolar um pedido de recuperação extrajudicial em duas a três semanas, de acordo com o Valor Econômico, citando fontes.

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Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores. Dessa maneira, o processo tende a ser mais rápido, menos burocrático e mais barato que a recuperação judicial, focado no acordo voluntário para reestruturar passivos.

Conforme o jornal, a rede de oncologia estaria em negociações avançadas sobre a dívida de cerca de R$ 4 bilhões. Com os credores financeiros, como bancos, debenturistas e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), as negociações estariam caminhando para um desconto (haircut) de 40% a 50%.

No entanto, com a Oncoprod, a distribuidora de medicamento que atende a Oncoclínicas, não deve ocorrer um haircut, mas sim um alongamento do prazo de pagamento, uma vez que se trata de uma fornecedora tida como essencial para a continuidade operacional. A dívida, neste caso, está em torno de R$ 1,2 bilhão.

Ainda segundo o Valor, caso a companhia consiga adesão dos credores, que representam um terço da dívida, o pedido de recuperação extrajudicial deve ocorrer em 15 dias. Contudo, se o número não for atingido, as negociações com debenturistas deve se estender por mais uma semana.

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Procurada pelo Money Times, a Oncoclíncias não retornou até o momento de publicação desta matéria. O espaço segue aberto para posicionamento.

Na Bolsa, as ações ONCO3 operam em alta no pregão desta sexta-feira (19). Por volta de 12h05 (horário de Brasília), o avanço era de 7,69%, a R$ 1,26. Acompanhe o tempo real.



O que aconteceu com a Oncoclínicas

A Oncoclínicas enfrenta problemas financeiros decorrentes de uma expansão mal sucedida. Em meio a investimentos em hospitais e crescimento no setor oncológico, a companhia se viu obrigada a recalcular a rota e retomar para o core business.

Nascida em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos, como radioterapia e quimioterapia, para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

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Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.

Entre as medidas para pôr a casa em ordem, houve a venda de hospitais adquiridos e cancelamento de hospital que seria construído. Além disso, a empresa desistiu dos planos de uma joint venture para atuar na Arábia Saudita.

Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.

Os números da empresa

A Oncoclínicas reportou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), mais do que triplicando o prejuízo de R$ 131,9 milhões registrado no mesmo período do ano passado.

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O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou negativo em R$ 49,2 milhões, com margem negativa de 4,2%.

De acordo com a companhia indicador foi diretamente impactado pela desalavancagem operacional do período, ocasionada pelo desabastecimento de medicamentos nas clínicas, cenário que começou a enfrentar durante o começo do mês de março e por provisionamentos contábeis ocorridos durante o trimestre.

A rede de oncologia teve receita líquida de R$ 1,16 bilhão no período de janeiro a março, uma queda de 22,3% em comparação com o mesmo período em 2025. A companhia afirma que a dinâmica está relacionada ao volume de provisões de PCLD (provisão para créditos de liquidação duvidosa) durante o trimestre.

Ao final do trimestre, a dívida líquida financeira da companhia, somada às aquisições a pagar, atingiu R$ 3,26 bilhões.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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