Mercados

Opções do EWZ são uma forma mais barata do gringo se expor ao ‘trade eleitoral’?

15 set 2026, 7:30
brasil 7 de setembro
(Imagem: Unsplash/Firmbee.com)

O “trade eleitoral” movimentou as opções do EWZ, com um aumento de compras de vencimentos para os meses de novembro e dezembro, depois do período eleitoral. No entanto, a partir da última quinta-feira (10), as compras foram antecipadas já para outubro.

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No meio do caminho, uma série de levantamentos eleitorais passou a indicar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na quinta-feira, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg indicou empate técnico entre os candidatos, com Flávio tendo 46,4% das intenções de voto, enquanto o presidente aparecia com 46,4%.

Com Flávio encostando ou até ultrapassando numericamente o incumbente, o mercado está começando a aumentar a aposta de que o Brasil pode ter uma mudança de governo, explica o analista da Empiricus Research Ruy Hungria.

“As opções do EWZ são uma forma meio rápida de você montar a posição sem colocar tanto dinheiro, com uma quantidade limitada de dinheiro que pode ter uma apreciação relevante”, diz.

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Hungria detalha que é um investimento com potencial de se multiplicar algumas vezes lá na frente, mas é um montante menor do que o necessário para ganhar retorno com ações, por exemplo.

“Você pode ganhar esse mesmo valor, com um investimento menor, mas obviamente que é uma operação mais arriscada. As opções são mais voláteis e a pessoa pode perder todo o dinheiro”, pondera.

O economista-chefe da Nomos, Beto Saadia, corrobora o cenário traçado por Hungria, além de observar que o investidor estrangeiro que quer alocar no Brasil, mas sem fazer stock picking — estratégia de escolher ações individuais para investir —, entra pelo EWZ.

A opção é uma forma de ter exposição à alta de algo, mas no preço do ativo naquele dia, explica.

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“As pessoas estão comprando opção do EWZ por ser mais barato, e isso tem dois motivos. O primeiro é muitos investidores não estão expostos a Brasil — e nem querem estar —, mas precisam estar preparados, porque vai que o Brasil vira ‘a bola da vez’. Isso pode proteger o investidor”, afirma.

“Não é necessariamente um otimismo com o Brasil, mas uma condicional se os investidores internacionais errarem o cenário”, diz.

Já o segundo motivo, de acordo com Saadia, é que geralmente há um aumento no volume dos contratos de derivativos quando existe um cenário binário, em que pode acontecer A ou B, como é o caso das eleições brasileiras. “É natural que isso aconteça, isso vai se manter até o segundo turno e só deve ser desarmado dois ou três dias depois.”

Após os levantamentos recentes, o cenário ficou mais binário do que antes, porque a percepção era de que o governo Lula iria se reeleger, explica o economista. Ele diz que o presidente do poder, nesta época, costuma subir nas pesquisas eleitorais. Contudo, Lula está recuando.

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Na avaliação de Hungria, da Empiricus, o gringo aposta nas opções do EWZ no Brasil dentro do “trade eleitoral” por uma perspectiva de mudança na condução da política fiscal, o que poderia impulsionar o desempenho dos ativos domésticos.

“O brasileiro mesmo está fazendo esse movimento com o BOVA11, que é um ETF doméstico”, acrescenta o analista da Empiricus.

De acordo com levantamento da casa de investimentos, o Ibovespa (IBOV) poderia alcançar os 300 mil pontos em 2027 em um cenário de ajuste fiscal crível, enquanto o dólar à vista perderia força a R$ 3,95.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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