Dividendos

Petrobras (PETR4) vai colocar cerca de R$ 5 bilhões nos cofres da União com dividendos do 2T26

07 ago 2026, 15:32 - atualizado em 07 ago 2026, 16:28
petrobras
(Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Flickr)

A Petrobras (PETR3; PETR4) vai destinar cerca de R$ 5,05 bilhões aos cofres da União com a remuneração de R$ 17,4 bilhões anunciada aos acionistas após o balanço do segundo trimestre de 2026. A estimativa considera a participação direta de 29,02% do governo federal no capital total da companhia, percentual registrado pela estatal em junho.

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O pagamento, no entanto, não será imediato. A Petrobras fará a distribuição em duas parcelas, previstas para 23 de novembro e 21 de dezembro de 2026. Do total anunciado pela estatal, R$ 8,7 bilhões serão pagos na primeira parcela, enquanto a segunda parcela também soma R$ 8,7 bilhões, em uma combinação de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).

Com o novo anúncio, a Petrobras já soma R$ 26,43 bilhões em remuneração aos acionistas referente ao exercício de 2026, considerando os R$ 9,03 bilhões anunciados no primeiro trimestre e os R$ 17,4 bilhões do segundo trimestre. No caso do primeiro trimestre, os proventos são integralmente JCP e serão pagos em 20 de agosto e 21 de setembro, em duas parcelas iguais.

Aplicada a participação de 29,02% da União, a remuneração anunciada nos dois primeiros trimestres representa aproximadamente R$ 7,67 bilhões em valores brutos para o governo federal. Deste montante, cerca de R$ 2,62 bilhões correspondem ao provento anunciado no primeiro trimestre e outros R$ 5,05 bilhões ao pagamento referente ao segundo trimestre. A parcela efetivamente recebida pela União, porém, depende do pagamento dos proventos e de sua contabilização nas contas públicas.

“As receitas provenientes do setor de petróleo têm desempenhado papel relevante no reforço da arrecadação federal e devem contribuir para o cumprimento da meta fiscal, inclusive em 2026. Além de royalties, participações especiais e tributos, os dividendos distribuídos à União fortalecem as receitas primárias não administradas”, avalia Italo Franca, economista do Santander.

Dividendos ainda estão abaixo de 2025

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O reforço da Petrobras ganha relevância porque a arrecadação do governo com Dividendos e Participações está bem abaixo da registrada no ano passado. Segundo a série histórica do Resultado do Tesouro Nacional (RTN), o Governo Central arrecadou R$ 10,37 bilhões no período entre janeiro e junho de 2026, ante R$ 23,70 bilhões no mesmo período de 2025, uma queda nominal de cerca de 56%.

No ano passado inteiro, a receita com dividendos e participações chegou a R$ 49,8 bilhões, segundo dados compilados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Petrobras e BNDES responderam juntos por cerca de 72,6% desse montante, com R$ 13,8 bilhões e R$ 22,3 bilhões, respectivamente.

A diferença entre os dois anos também aparece na própria dinâmica dos pagamentos. No primeiro semestre de 2025, o Tesouro registrou R$ 23,84 bilhões em dividendos e participações, enquanto o mesmo período somou R$ 10,37 bilhões no primeiro semestre deste ano. O recuo dos pagamentos da Petrobras e do BNDES foi um dos fatores apontados pelo Tesouro para a redução da receita.

Apesar do ritmo mais fraco no primeiro semestre, o governo trabalha com uma recuperação dos dividendos ao longo dos próximos meses. A previsão mais recente para Dividendos e Participações é de R$ 55,5 bilhões em 2026.

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Isso significa que os R$ 10,37 bilhões arrecadados até junho correspondem a apenas cerca de 18,7% da previsão para o ano. A maior parte da receita esperada, portanto, ainda precisa entrar no caixa do governo.

“O reforço é significativo diante da redução observada na entrada de dividendos em 2026 em comparação aos anos anteriores”, destaca Franca. Segundo ele, os números até o momento estão em linha com o cenário projetado pelo Sanatnder, com reforço para cumprimento da meta fiscal.

Sem dividendos extraordinários no horizonte

O espaço para novos pagamentos extraordinários da Petrobras também aparece mais limitado. O diretor financeiro da companhia, Fernando Melgarejo, afirmou durante a teleconferência nesta sexta-feira (7), que considera “muito pouco provável” o pagamento de dividendos extraordinários.

Segundo o executivo, a política atual da companhia já destina aos acionistas 45% do fluxo de caixa livre por meio dos dividendos ordinários. Por isso, o excedente de caixa continuará sendo direcionado prioritariamente para investimentos e redução da dívida.

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“Em termos de dividendo extraordinário, a gente acha muito pouco provável que neste ano a gente verifique a possibilidade de pagamento extraordinário, embora adoraríamos”, afirmou.

Melgarejo explicou que a prioridade da Petrobras segue sendo antecipar investimentos que possam aumentar a produção e gerar retorno aos acionistas.

Em 2024, dividendos extraordinários viraram assunto fiscal

A discussão sobre o quanto a Petrobras deveria distribuir aos acionistas também já chegou ao centro da política fiscal do governo. Em março de 2024, quando a companhia decidiu manter em reserva parte dos dividendos extraordinários, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que uma eventual distribuição ajudaria a melhorar as contas públicas, embora o governo não tivesse incluído esses recursos na previsão orçamentária.

Meses depois, em novembro daquele ano, a Petrobras aprovou R$ 20 bilhões em dividendos extraordinários, encerrando parte da disputa sobre os recursos que haviam sido mantidos em reserva. O pagamento foi aprovado pelo conselho da companhia em 21 de novembro e realizado em dezembro.

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Naquele episódio, o tema ganhou peso porque a União é a principal acionista individual da Petrobras. A participação do governo faz com que uma parcela relevante de qualquer distribuição seja direcionada ao setor público, ao mesmo tempo em que o pagamento precisa ser conciliado com as necessidades de investimento, caixa e redução de dívida da estatal.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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