Petróleo sobe nesta sexta, mas caminha para forte queda semanal
Os preços do petróleo caminham para uma forte queda semanal, diante das expectativas de redução das tensões na guerra com o Irã, após o partido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofrer derrotas nas eleições. No entanto, as preocupações com o abastecimento do Oriente Médio, decorrentes do conflito, continuam estabelecendo um piso para o mercado.
Os contratos futuros do petróleo Brent para janeiro sobem US$ 1,12, ou 1,14%, para US$ 99,41 por barril, nesta sexta-feira (6), às 4h28 (horário de Brasília). Os contratos futuros do petróleo norte-americano West Texas Intermediate (WTI) avançavam 78 centavos, ou 0,86%, para US$ 91,30 por barril. O Brent chegou a ultrapassar brevemente a marca de US$ 100 por barril nas negociações de hoje.
Os dois contratos registraram alta pelo segundo dia consecutivo.
Ainda assim, o contrato do Brent caminha para uma queda de 12% nesta semana, após o vencimento do contrato para dezembro em 30 de outubro. O WTI, por sua vez, deve acumular uma queda de 12,1%.
Os contratos despencaram no início desta semana diante das expectativas de que as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, que transferiram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes do Partido Republicano de Trump para o Partido Democrata, poderiam levar a uma redução das tensões na guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já está em seu nono mês.
Os preços do petróleo caíram 8% apenas na quarta-feira, após a ampla vitória dos democratas nas eleições, encerrando o pregão nos níveis mais baixos em dois meses.
No entanto, os preços se recuperaram após um aumento dos ataques a petroleiros na quarta e nesta quinta-feira (5), no Golfo e no Estreito de Ormuz — a principal rota marítima de saída para a maior parte dos embarques de petróleo do Oriente Médio —, o que renovou as preocupações com os fluxos de abastecimento provenientes da região.
Tim Waterer, analista-chefe da KCM, descreveu a alta de hoje como uma “recuperação técnica” após a forte onda de vendas provocada pelas eleições norte-americanas. Entretanto, afirmou que o principal fator por trás da recuperação foi a percepção de que o problema não desapareceu e de que os ataques no Estreito de Ormuz não foram afetados pela vitória dos democratas.
“Até que exista um caminho confiável para um trânsito mais seguro e barato pelo Golfo, é provável que o petróleo continue encontrando sustentação nas quedas e permaneça sujeito a movimentos bruscos diante de qualquer notícia de escalada do conflito”, afirmou.
O Irã declarou ontem que outros três petroleiros foram atacados no Estreito de Ormuz. Além disso, dados da agência britânica de segurança marítima UKMTO sugerem que os ataques a navios transportadores de petróleo continuam ocorrendo em um ritmo próximo dos níveis recordes.