BrasilAgro (AGRO3) vê novo ciclo de compras de terras e muda perfil de aquisições, mas exige retorno de 7% a 8%
A BrasilAgro (AGRO3) começa a enxergar espaço para um novo ciclo de aquisições de terras no Brasil, mas não pretende acelerar as compras a qualquer custo. Em meio à pressão financeira sobre os produtores rurais e à perspectiva de novas oportunidades no mercado, a companhia mantém uma postura seletiva e exige taxas de retorno mais elevadas para fechar negócios.
Durante o BrasilAgro Day, realizado nesta quinta-feira (5), em São Paulo, o CEO da companhia, André Guillaumon, afirmou que as propriedades rurais já passaram por uma correção de preços, mas que os descontos ainda não são suficientes para justificar novas aquisições.
“A venda (de terras) está na nossa mão. Quando tem oportunidade e vemos que faz sentido, nós vendemos. As terras caíram de preços. No MT, vemos áreas que saíram de 1.000 ou 1.200 sacas de soja por hectare e chegaram a atingir R$ 150 mil a R$ 160 mil, enquanto atualmente são avaliadas em torno de R$ 120 mil”, afirmou.
Apesar da desvalorização, as oportunidades analisadas pela companhia ainda apresentam taxas internas de retorno (TIR) entre 4% e 5%, patamar considerado pouco atrativo pelo executivo.
“Não faz sentido eu pegar dinheiro do acionista num país com juro real de 10% e rentabilizar entre 4% e 5%. No médio e longo prazo, acredito que vamos ter que ‘pincelar’ estresse, como já foi no passado. Já compramos terras estressadas financeiramente”, disse, citando como exemplos as fazendas Serra Grande, Taquari e Morro Vermelho.
A referência da BrasilAgro para retomar as aquisições é uma TIR de aproximadamente 7% a 8% na perpetuidade. Até que os preços ofereçam esse nível de retorno, a empresa pretende manter a disciplina na alocação de capital.
BrasilAgro mira oportunidades e compras menores
A companhia, porém, não descarta aproveitar oportunidades que possam surgir com o agravamento das dificuldades financeiras no agronegócio. Segundo Guillaumon, a experiência mostra que momentos de estresse financeiro podem colocar propriedades interessantes à venda em condições mais favoráveis.
A estratégia também deve passar por operações menores. Se anteriormente a empresa trabalhava com um filtro de propriedades entre 5 mil e 6 mil hectares, agora avalia áreas de 2 mil a 3 mil hectares.
“Acho que vamos entrar em um ciclo de compras, mas não serão terras tão grandes. […] O mais desafiador foi vender neste cenário atual”, afirmou.
A BrasilAgro considera tanto a possibilidade de operar diretamente essas propriedades quanto estruturar contratos para que terceiros assumam a operação, preservando a possibilidade de uma venda futura.
O executivo destacou ainda o histórico de 47 transações imobiliárias realizadas pela companhia, entre compras e vendas, como um diferencial para identificar os melhores momentos de entrada e saída do mercado.
“Sempre buscamos entender o melhor de comprar e vender. Se a taxa de retorno chegar em 7% a 8%, vamos comprar”, afirmou.
Juros elevados pressionam produtores e podem abrir oportunidades
Na avaliação da companhia, o principal fator de pressão sobre os produtores rurais atualmente não é necessariamente o preço das commodities, mas o custo do dinheiro.
Guillaumon observou que a curva de juros, que chegou a apontar para níveis de 11% a 11,5% antes das eleições, voltou a precificar taxas próximas de 15%. Esse movimento dificulta a recuperação financeira dos produtores endividados e pode aumentar a oferta de propriedades no mercado.
Nesse cenário, a BrasilAgro pretende priorizar oportunidades envolvendo vendedores em situação de necessidade financeira e propriedades com potencial de valorização, mantendo o foco na rentabilidade dos ativos.
No 1T27, a BrasilAgro reportou lucro líquido de R$ 81,3 milhões, revertendo o prejuízo registrado no mesmo trimestre da safra passada. O grande destaque do trimestre foi a venda da Fazenda Rio do Meio.