Petróleo supera US$ 100, e estrategista vê mercado “sequestrado”; confira os destaques do Giro do Mercado desta quinta (23)
NOVO PATAMAR DO PETRÓLEO? Ibovespa cai mesmo com dólar fraco e Bradsaúde anuncia novo ticker
O petróleo voltou a superar os US$ 100 e era negociado perto de US$ 103 por barril, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. O movimento ocorre em um cenário de incerteza sobre o Estreito de Ormuz, que chega ao 11º dia de bloqueio e continua como rota estratégica para o comércio global, pressionando os mercados internacionais.
No Brasil, o ambiente externo mais negativo pressiona os ativos. O Ibovespa (IBOV), após flertar com os 200 mil pontos, passou a dar sinais de correção, enquanto o dólar segue abaixo de R$ 5,00.
No Giro do Mercado, apresentado pela jornalista Paula Comassetto, o estrategista da Empiricus Research, Matheus Spiess, analisou os destaques desta quinta-feira (23) e afirmou que a crise no Estreito de Ormuz amplia as incertezas sobre o fluxo do comércio global.
Segundo ele, o mercado segue dominado pelo cenário externo: “A gente está sequestrado por essa temática internacional.”
A instabilidade no Estreito de Ormuz também reforça o prêmio de risco nos preços da energia. Mesmo com oscilações no curto prazo, o petróleo tende a incorporar esse fator de forma mais persistente. “Agora, ele vai carregar consigo um prêmio. E de onde vem esse prêmio? Da chance de disrupção a qualquer momento no Estreito de Ormuz”, disse Spiess.
Na avaliação do estrategista, esse ambiente marca uma mudança mais estrutural para os investidores. A geopolítica passa a ter peso mais permanente nas decisões de alocação, com impacto direto sobre inflação, juros e ativos de risco.
Apesar do ambiente externo mais desafiador, o Brasil aparece como uma alternativa relativa. O país se beneficia tanto da valorização das commodities quanto da percepção de ativos descontados, o que ajuda a sustentar o interesse estrangeiro mesmo em momentos de maior volatilidade.
*Com supervisão de Vitor Azevedo