Banco do Brasil (BBAS3): Não será um ano fácil, diz CEO
A CEO do Banco do Brasil (BBAS3), Tarciana Medeiros, jogou a real durante evento com investidores em São Paulo: 2026 não será fácil, após um 2025 já difícil. Segundo a executiva, os riscos de calotes no agronegócio continuam a assombrar o banco.
“O primeiro semestre tende a ser mais apertado — isso já vínhamos discutindo com vocês desde o ano passado, inclusive desde a divulgação dos nossos resultados no início deste ano”, afirmou.
Analistas já recalcularam as expectativas diante de números fracos do trimestre. Ao mesmo tempo, diz a CEO, ao longo de 2026, haverá uma evolução relevante do banco. O BB espera alcançar uma pontualidade da carteira agro em algo em torno de 95% de pontualidade neste ano.
A pontualidade mede a porcentagem de pagamentos de dívidas (parcelas de empréstimos, financiamentos, cartões de crédito) realizados dentro do prazo de vencimento.
“Esse dado é muito importante, pois evidencia o trabalho de requalificação da nossa carteira de crédito no agronegócio. Na prática, ele traduz os efeitos do processo iniciado em 2025, com a adoção de uma nova matriz de resiliência”.
Entre as apostas do BB para se recuperar, está a maior seletividade e o uso de garantias para empréstimos.
“É justamente esse conjunto de ações que começa a se refletir de forma mais clara na carteira ao longo de 2026. . Agora, em 2026, esses ajustes entram em uma fase de consolidação e validação. Por isso, o ciclo de 2026 é, para nós, um ano decisivo na evolução da nossa estratégia corporativa”, completa.
Alô, investidor de longo prazo
O CEO disse ainda que não está construindo 2026 pensando apenas no curto prazo. Estamos olhando para 2027, 2028 e para a próxima década do Banco do Brasil.
No seu discurso, Tarciana Medeiros, chegou a citar até o megainvestidor Luis Barsi, um dos maiores investidores pessoas físicas do banco e que tem na sua filosofia a tese de investimento de longo prazo.
“O senhor Barsi esteve conosco logo no início desta teleconferência —, e eu gostaria de agradecer a todos os nossos acionistas pela confiança. Em especial, agradeço ao senhor Barsi pela longa relação com o Banco do Brasil. A relação entre acionista e empresa é baseada em confiança e construída ao longo do tempo”.
Primeiro trimestre pior que esperado?
Em conversa com jornalistas, a CEO disse que o primeiro trimestre está em linha com que o banco já tinha pautado o mercado. ´”É um semestre mais apertado, dentro de um ciclo que vem de 2025. Esse ciclo acaba em junho. A gente entende que o segundo semestre já terá um perfil diferente”.
Sobre um possível resultado abaixo do guidance, como parte do mercado já prevê, a executivo disse que se trata de uma especulação. “Estamos em abril. Depois que divulgarmos o resultado do primeiro trimestre, em maio, podemos falar mais. Nesse momento, a previsão é de cumprimento do guidance”.
O Itaú BBA, por exemplo, projeta lucro de R$ 3,6 bilhões, queda de 36% em relação ao quarto trimestre, e um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de apenas 7,5%, contra 12,1% no período anterior.
Para os analistas, enquanto a carteira de crédito desacelera, as despesas com provisões devem permanecer elevadas, em cerca de R$ 17,4 bilhões, impulsionadas pela deterioração dos estágios de crédito em diferentes carteiras.
Com um início de ano mais fraco, o banco deverá correr se quiser atingir o piso do guidance de lucro para 2026, entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A estimativa do Itaú BBA está em R$ 21 bilhões.