SLC Agrícola (SLCE3): BB Investimentos eleva preço-alvo, mas grãos e fertilizantes pesam sobre rentabilidade
O BB Investimentos revisou o preço-alvo da SLC Agrícola (SLCE3) para R$ 21,90 ao fim de 2026, ante R$ 18,40 anteriormente, após incorporar os resultados mais recentes e atualizar premissas macroeconômicas. Apesar da elevação, a recomendação foi mantida em neutra, refletindo um cenário ainda desafiador para a rentabilidade da companhia.
O desempenho de 2025 foi impulsionado pela melhora operacional observada na safra 2024/25, com destaque para algodão, soja e milho, o que resultou em uma forte geração de caixa operacional de R$ 1,8 bilhão. No entanto, esse montante foi integralmente consumido por investimentos, levando a um consumo de caixa de R$ 929 milhões sob a ótica do fluxo de caixa livre ajustado.
Para a safra 2025/26, a SLC Agrícola ampliou sua área plantada em 13,8% na comparação anual, totalizando 837 mil hectares.
A soja representa 51% da área, seguida por algodão (23%), milho (19%) e outras culturas (7%). No campo, a produtividade da soja já supera em 1,5% as estimativas iniciais, enquanto o algodão de primeira safra apresenta bom potencial. Por outro lado, a companhia reduziu em 12,3 mil hectares a área de algodão de segunda safra, devido ao plantio fora da janela ideal.
Do lado dos custos, o cenário é mais pressionado. O custo médio total orçado para a safra 2025/26 é de R$ 7.052 por hectare, alta de 9,2% em relação ao ciclo anterior. Além disso, o aumento recente nos preços dos fertilizantes, em meio às tensões no Oriente Médio, adiciona incertezas relevantes para as próximas safras.
SLCE3: o cenário para commodities
No mercado de commodities, o ambiente é misto. A soja registra valorização em Chicago, sustentada por expectativas de maior demanda, especialmente após mudanças nas regras de biocombustíveis nos Estados Unidos. No entanto, nos portos brasileiros, os preços recuam, pressionados pela queda dos prêmios de exportação e pela valorização do real frente ao dólar.
O milho segue trajetória semelhante, com queda expressiva nos preços nos portos brasileiros, refletindo tanto a desvalorização cambial quanto a retração das cotações internacionais. Já o algodão tem apresentado recuperação recente, impulsionada pelo aumento da demanda por fibras naturais em meio à alta das fibras sintéticas.
Segundo o BB Investimentos, embora os preços internacionais estejam mais favoráveis e haja expectativa de boa produtividade, a combinação de preços mais fracos no mercado doméstico e custos elevados — especialmente com fertilizantes — deve limitar a rentabilidade da SLC Agrícola em 2026 e 2027.