Plano & Plano (PLPL3) salta 6% após balanço do 2T26; é hora de comprar ou vender?
As ações da incorporadora e construtora Plano&Plano (PLPL3) operam em forte alta nesta quinta-feira (13), um dia após a companhia divulgar o seu balanço financeiro do segundo trimestre de 2026 (2T26).
Entre os analistas, no entanto, a avaliação dos números é majoritariamente negativa, com destaque para a pressão sobre as margens e o consumo de caixa no período.
Por volta das 12h15 (horário de Brasília), os papéis, que são negociados fora do índice Ibovespa (IBOV), avançavam 5,8%, cotados a R$ 6,84 na bolsa de valores. Acompanhe o movimento em tempo real.
O 2T26 da Plano & Plano, segundo o Bradesco BBI
Entre abril e junho, a Plano & Plano registrou lucro líquido de R$ 67,3 milhões, queda de 34,5% em relação ao apurado no mesmo intervalo de 2025, mas 44,1% acima do 1T26.
Segundo balanço divulgado ao mercado, a receita líquida da construtora somou R$ 914,8 milhões no trimestre, alta de 16,7% na comparação com um ano antes.
Apesar da reação positiva das ações, analistas do Bradesco BBI avaliaram os números como “fracos e de menor qualidade”, destacando a queda da margem bruta para 27,7%, ante 33,6% no 2T25, devido ao aumento de custos.
A piora da rentabilidade levou o banco a cortar em 40% as estimativas de lucro por ação (LPA) para os próximos anos e a reduzir o preço-alvo do papel para R$ 12, ante R$ 21 anteriormente.
O novo valor representa um potencial de valorização (upside) de aproximadamente 85,7% sobre o fechamento anterior.
Mesmo com os ajustes, o BBI manteve recomendação de compra para PLPL3, apoiado no valuation “bastante descontado” e na avaliação de que a pressão de custos é pontual e não representa um risco estrutural para o segmento de habitação popular, que é o foco da construtora.
O banco também destacou que o consumo de caixa de R$ 95 milhões no 2T26 foi afetado por efeitos relacionados ao cronograma do programa “Pode Entrar“, em parceria com a Prefeitura de São Paulo, além de recebíveis pendentes.
O que diz o BTG Pactual
Na mesma linha, analistas do BTG Pactual classificaram o segundo trimestre como “fraco”, dizendo que o lucro por ação (LPA) ficou 12% abaixo de suas estimativas e recuou 37% na comparação anual.
Segundo o banco, a receita da companhia, que somou R$ 915 milhões entre abril e junho, subiu 17% em um ano e até ficou em linha com estimativas, assim como o lucro bruto ajustado, que totalizou R$ 272 milhões, alta de 1%.
Apesar disso, a casa destacou que a margem de bruta, de 29,7%, recuou 480 pontos-base em relação ao mesmo período de 2025 e foi impactada por estouros de custos decorrentes do conflito no Oriente Médio.
Em relação à alavancagem, o BTG afirmou que a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido ficou em 21% no trimestre e segue em um nível considerado ainda “confortável”.
Além dos resultados, o banco destacou que a Plano & Plano anunciou a expansão de suas operações para Goiânia, onde uma nova equipe será estabelecida a partir de agosto para viabilizar o primeiro lançamento da companhia na região.
“Os resultados do 2T26 foram fracos, uma vez que as margens não se recuperaram sequencialmente. Planejamos atualizar nossas estimativas para a empresa em breve, incorporando principalmente as tendências recentes das margens brutas. Poderemos reduzir significativamente nossas projeções de lucro para 2026 e 2027”, afirmou o BTG.
O que diz o Itaú BBA
Analistas do Itaú BBA também avaliaram que a Plano & Plano apresentou resultados “fracos” no 2T26, embora, em grande parte, em linha com o que o mercado já esperava.
O banco destacou que a companhia revisou suas projeções de inflação dos custos de construção para projetos do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o que pressionou as margens brutas ajustadas e manteve o ROE em nível fraco.
Segundo o BBA, o fluxo de caixa livre (FCF) também foi enfraquecido devido ao adiamento de recebimentos de contas a receber do programa Pode Entrar. A administração, contudo, sinalizou uma melhora adicional no terceiro trimestre.
Quanto à abertura de uma nova operação regional em Goiânia, o banco disse que, segundo as estimativas, o volume de vendas do MCMV na região somou cerca de R$ 10 bilhões em 2025, o que pode ser interpretado como um bom sinal.
“A execução da PLPL3 tem decepcionado recentemente. Porém, após a queda de 50% no valor das ações no acumulado do ano e considerando estimativas conservadoras, o valuation parece muito descontado. Mantemos nossa recomendação outperform para o papel.”
Confira as recomendações para Plano & Plano:
| Instituição | Recomendação | Preço-alvo | Potencial de alta |
|---|---|---|---|
| Bradesco BBI | Compra | R$ 12,00 | 85,8% |
| BTG Pactual | Compra | R$ 23,00 | 256% |
| Itaú BBA | Outperform (compra) | R$ 15,00 | 132,2% |