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Plano Safra confirma tendência que já dura décadas, diz Octaciano Neto, fundador da Zera.ag

30 jun 2026, 15:39 - atualizado em 30 jun 2026, 16:25
octaciano neto agronegócio faria lima
(Foto: Divulgação)

O anúncio do Plano Safra 2026/2027 reforça uma tendência observada nas últimas décadas: o governo federal vem perdendo espaço como principal financiador da agricultura brasileira. A avaliação é de Octaciano Neto, fundador da Zera.ag e ex-diretor de agronegócio do Grupo Suno.

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Segundo ele, na década de 1980, cerca de 6% do orçamento federal era destinado ao agronegócio. Atualmente, esse percentual gira em torno de apenas 0,5%, evidenciando a redução da capacidade do Estado de atender, sozinho, às necessidades financeiras de um setor que se expandiu significativamente.

Na avaliação de Octaciano, a demanda anual de crédito do agronegócio brasileiro já se aproxima de R$ 1 trilhão, enquanto o Plano Safra é responsável por financiar apenas cerca de um terço desse montante. Os dois terços restantes já são supridos por agentes privados, como fornecedores, tradings, cooperativas, bancos privados e instrumentos do mercado de capitais.

“Mais do que isso: quando se descontam as equalizações e se considera o efetivo esforço fiscal da União — incluindo a renúncia tributária das isenções de Imposto de Renda e os subsídios ao crédito — o desembolso público não passa de aproximadamente R$ 40 bilhões por ano”.

Para Octaciano Neto, os números mostram que o governo acelera a perda de protagonismo no financiamento da agricultura brasileira.

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Nesse cenário, o crescimento do setor dependerá cada vez mais da capacidade de atrair capital privado, ampliar o uso do mercado de capitais e utilizar os recursos públicos como mecanismo de alavancagem, e não mais como a principal fonte de financiamento do agronegócio.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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