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Plano Safra: juros e esforço fiscal são positivos, mas gastos, promessas e redução generalizada decepcionam, avalia Cogo Inteligência

30 jun 2026, 15:07 - atualizado em 30 jun 2026, 15:07
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(iStock.com/wsfurlan)

O Plano Safra 2026/2027 trouxe avanços pontuais, como a redução das taxas de juros e o maior esforço fiscal do governo para subsidiar o crédito rural, mas ainda está longe de representar uma mudança estrutural para o financiamento do agronegócio brasileiro.

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Essa é a avaliação da Cogo Inteligência em Agronegócio, que classificou o programa como uma melhora apenas marginal em relação ao ciclo anterior.

Anunciado pelo governo federal nesta terça-feira (30), o Plano Safra destinou R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, um crescimento nominal de apenas 1,7% em comparação ao ciclo 2025/2026.

Segundo a consultoria, o aumento dos recursos não acompanha a inflação, a alta dos custos de produção e a expansão do próprio setor agropecuário, o que limita o impacto da política de crédito rural.

Entre os principais pontos positivos, a Cogo destaca a redução das taxas de juros em praticamente todas as linhas de financiamento, com cortes entre 0,5 e 1,5 ponto percentual, tornando mais viáveis as operações de custeio e investimento.

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Outro destaque foi o aumento de 41% na subvenção do Tesouro para a equalização dos juros, que passou de R$ 3,94 bilhões para R$ 5,56 bilhões, o maior esforço orçamentário do atual governo nessa modalidade.

A consultoria também cita o fortalecimento do Pronamp, que manteve o limite de financiamento em R$ 3,5 milhões, reduziu os juros para 9% ao ano e ampliou as finalidades financiáveis, reforçando a prioridade aos médios produtores.

Além disso, a manutenção das menores taxas para programas ligados à agricultura de baixo carbono e a criação de novas fontes de financiamento, como o Move Agricultura (R$ 10 bilhões) e o EcoInvest Brasil (R$ 28,5 bilhões), foram consideradas medidas positivas por ampliarem as alternativas além do crédito rural tradicional.

Os pontos negativos do novo Plano Safra

Por outro lado, a análise faz uma série de críticas ao plano. Um dos principais pontos é que, apesar do aumento expressivo dos recursos destinados à equalização dos juros, o volume de crédito efetivamente equalizado caiu 14,8%, passando de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões. Para a Cogo, isso evidencia a crescente dificuldade fiscal de manter o atual modelo de crédito subsidiado.

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A consultoria também afirma que a promessa do governo de ampliar o acesso a linhas de crédito com juros de um dígito não foi cumprida. Programas considerados estratégicos, como Moderfrota, Proirriga, Inovagro, Prodecoop e o custeio empresarial, continuam operando com taxas entre 11,5% e 12,5% ao ano.

Outro ponto de preocupação é a redução dos recursos destinados às linhas tradicionais de investimento. De acordo com o levantamento, nove das dez principais linhas sofreram cortes orçamentários, com destaque para o Moderfrota, cujo orçamento caiu 54%, além do Proirriga e do Inovagro, ambos com redução de 38%.

Na avaliação da consultoria, o crescimento de 38% anunciado pelo governo para os recursos de investimento é explicado quase integralmente pelos novos programas, enquanto as linhas tradicionais perderam espaço.

A Cogo também critica a redução de 38% nos recursos do Proirriga, classificando a medida como contraditória diante do aumento da frequência de secas e das perspectivas climáticas para o ciclo 2026/2027. Além disso, aponta que o Plano Safra deixou de enfrentar o déficit de armazenagem do país, ao reduzir em 28% os recursos destinados ao Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).

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Para a consultoria, o Plano Safra 2026/2027 confirma uma transição estrutural no financiamento do agronegócio brasileiro, com a perda gradual de espaço do crédito rural subsidiado e uma dependência cada vez maior de instrumentos privados de mercado, como Cédulas de Produto Rural (CPRs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e Fiagros.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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