Produção industrial no Brasil volta a crescer em julho, mas fica abaixo do esperado
A produção industrial no Brasil voltou a registrar crescimento da produção em julho depois de dois meses de perdas, mas iniciou o terceiro trimestre com um desempenho abaixo do esperado.
A produção avançou 0,20% em julho em relação ao mês anterior, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Foi o melhor resultado para o mês de julho desde 2022 (+1,0%). Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 0,5% na produção.
Mas os resultados ficaram aquém das expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de crescimento de 0,6% no mês e de estagnação na base anual.
“Não é uma mudança de trajetória, mas para de cair. Voltar a subir é algo positivo, mas não recupera as perdas dos dois meses anteriores”, disse o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo. “Os indicadores mais amplos mostram essa perda de intensidade e dinamismo da indústria brasileira nos últimos meses, apesar do crescimento na margem”.
A indústria iniciou o ano com resultados positivos, mas passou a perder força na metade do segundo trimestre pressionada por produtos derivados do petróleo.
A política monetária restritiva, com a taxa Selic atualmente em 14,0%, deve continuar pesando sobre o setor. No segundo trimestre a indústria desacelerou o ritmo de alta a 0,1%, de 1,2% no período anterior, de acordo com os dados do PIB divulgados na terça-feira.
“O que tem travado a indústria é a política monetária restritiva, mesmo com a redução modesta dos juros. Isso traz impacto sobre a economia e setor produtivo, causa adiamento de investimentos, de ampliação do parque produtivo e as famílias também adiam o seu consumo, e ainda afeta o endividamento das famílias”, completou Macedo.
Em julho, as influências positivas de maior destaque para a produção industrial foram dadas por equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (12,2%), produtos alimentícios (1,0%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,1%), com as três categorias interrompendo dois meses consecutivos de queda na produção.
Na outra ponta, a produção das indústrias extrativas, com queda de 1% sobre junho, exerceu o principal impacto negativo no mês ao marcar a terceira taxa negativa consecutiva, com destaque para a produção de minério, segundo o IBGE. Também se destacaram negativamente impressão e reprodução de gravações (-17,2%), produtos diversos (-9,0%), metalurgia (-1,4%), produtos químicos (-0,8%) e celulose, papel e produtos de papel (-1,3%).
Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis (3,2%), bens de capital (2,4%) e bens de consumo semi e não duráveis (0,5%) apresentaram ganhos, enquanto o segmento de bens intermediários (-0,2%) assinalou o único resultado negativo em julho.
“O cenário da produção industrial segue delicado, a despeito da alta observada em julho, com os últimos resultados apontando uma inflexão negativa. Com um ambiente adverso, negativamente afetado pelas elevadas taxas de juros, esperamos que a produção industrial em particular, e a atividade em geral, siga moderando seu crescimento no restante do ano”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter.