Tesouro Direto

Quase 15% em um dia: quanto você poderia ter ganhado com o Tesouro após as eleições?

08 out 2026, 12:17
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(Imagem: iStock/Rmcarvalho)

A reação ao primeiro turno das eleições também trouxe ganhos expressivos para investidores em renda fixa. Com Flávio Bolsonaro à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, a queda das taxas de juros na segunda-feira (5) elevou o preço dos títulos públicos. Segundo uma simulação da XP, o Tesouro IPCA+ 2050 valorizou 14,8% em relação à sexta-feira (2).

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Na prática, uma posição de R$ 10 mil adquirida ao preço de referência usado pela corretora na sexta-feira teria alcançado aproximadamente R$ 11.476 na segunda-feira. Se vendida ao preço considerado no levantamento, a diferença seria de R$ 1.476 brutos, antes de impostos e custos.

O movimento é explicado pela marcação a mercado: a atualização do preço dos títulos conforme as condições de negociação. Quando as taxas exigidas pelos investidores caem, os papéis já emitidos, que oferecem uma remuneração mais elevada em relação às novas condições, ganham valor.

Isso não significa que o título passou a pagar 14,8% a mais de juros. O percentual representa a valorização de seu preço no intervalo analisado, um ganho que poderia ser realizado com a venda antecipada.

Quanto os títulos valorizaram?

O levantamento da XP compara os preços de compra de sexta-feira com os preços de venda de segunda-feira. Entre os títulos apresentados, o IPCA+ 2050 registrou a maior valorização, seguido pelo IPCA+ 2040, com alta de 8%.

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Nos prefixados, o papel com vencimento em 2032 avançou 5,1%, enquanto o de 2029 subiu 1,9%.

TítuloValorização bruta entre 02/10 e 05/10
Tesouro Prefixado 20270,0%
Tesouro Prefixado 20291,9%
Tesouro Prefixado 20314,1%
Tesouro Prefixado 20325,1%
Tesouro IPCA+ Principal 20291,0%
Tesouro IPCA+ Principal 20323,1%
Tesouro IPCA+ Principal 20354,6%
Tesouro IPCA+ Principal 20408,0%
Tesouro IPCA+ Principal 205014,8%

O ajuste foi particularmente intenso nos juros de prazos intermediários e longos, que refletem expectativas sobre inflação, política monetária e condução das contas públicas nos próximos anos.

De acordo com a corretora, alguns vencimentos dos juros futuros chegaram a recuar mais de 1 ponto percentual ao longo da segunda-feira. Foi a maior queda diária observada na série acompanhada pela casa desde 2018.

Na comparação apresentada pela XP, a taxa do contrato de DI com vencimento em janeiro de 2029 caiu de 13,75% para 12,65%, enquanto a de janeiro de 2031 passou de 13,99% para 12,70%.

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Essa redução dos juros de mercado favoreceu os preços dos títulos prefixados e atrelados à inflação.

Por que os papéis longos ganharam mais?

Os títulos com pagamentos mais distantes tendem a apresentar maior sensibilidade às mudanças nas taxas. Por isso, uma queda dos juros pode provocar uma valorização mais expressiva nos papéis longos.

A comparação da XP mostra essa diferença. Enquanto o IPCA+ 2029 avançou 1%, o de 2050 valorizou 14,8%.

A sensibilidade também funciona no sentido contrário. Se as taxas voltarem a subir, esses títulos podem registrar perdas mais fortes em seu valor de mercado.

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Para quem mantém o investimento até o vencimento, a oscilação de preço no caminho não altera a taxa contratada na compra. Já quem vende antecipadamente fica sujeito ao preço disponível no momento da operação.

Ainda há espaço para valorização?

A XP avalia que o movimento de segunda-feira refletiu uma reprecificação inicial diante da melhora na percepção do mercado. Sua continuidade, porém, depende de propostas concretas para as contas públicas e da capacidade de executá-las.

O relatório aponta que ainda existem incertezas sobre a composição das equipes econômicas e as medidas que serão adotadas para assegurar uma trajetória sustentável para a dívida.

Após o primeiro turno, a corretora elevou a exposição recomendada aos prefixados, reduziu parte da alocação em pós-fixados e ampliou de três para quatro anos a duration recomendada — uma medida da sensibilidade da carteira às oscilações dos juros.

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A avaliação é que os prefixados podem combinar a remuneração ainda elevada com novos ganhos de marcação a mercado, caso as expectativas fiscais continuem melhorando. Os títulos ligados à inflação também poderiam se beneficiar de uma queda adicional das taxas.

Esses ganhos, contudo, dependem da evolução do cenário. A valorização já registrada não assegura que o movimento continuará nos próximos pregões.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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