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SLC Agrícola (SLCE3): Guidance sinaliza melhora em 2027, mas El Niño exige cautela; hora de comprar?

08 out 2026, 11:40
slc agrícola slce3 tarifaço algodão (1)
(Foto: Abrapa)

As projeções da SLC Agrícola (SLCE3) para a safra 2026/27 abriram espaço para estimativas maiores de resultado operacional nos modelos de Itaú BBA, Safra e BTG Pactual. A combinação de área plantada, custos e produtividade pode favorecer o desempenho da companhia, mas os três bancos apontam um risco em comum: os possíveis efeitos do El Niño sobre as lavouras.

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A companhia prevê plantar aproximadamente 854 mil hectares, com crescimento de 2,2% em relação ao orçamento da safra anterior. Já o custo de produção por hectare deve subir 2,2%, percentual recebido de maneiras diferentes pelas instituições, conforme as premissas de cada uma.

Enquanto Itaú BBA e BTG avaliaram os custos como uma surpresa positiva, o Safra esperava estabilidade na comparação anual. As divergências ajudam a explicar por que os dois primeiros mantêm recomendação de compra, enquanto o Safra tem posição neutra para a ação.

BancoRecomendaçãoPreço-alvo
Itaú BBACompraR$ 19
SafraNeutroR$ 21
BTG PactualCompraR$ 23

No Itaú BBA, a incorporação das novas premissas de custos, área, produtividade e proteção de preços e câmbio levaria a estimativa de Ebitda ajustado de 2027 de R$ 2,9 bilhões para cerca de R$ 3,1 bilhões.

O banco vê volumes de produção acima de suas expectativas nas três principais culturas. O destaque é o algodão, com produção projetada aproximadamente 3% superior à estimativa da casa. Para soja e milho, as diferenças positivas são de 1,5% e 2%, respectivamente.



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Além dos custos mais controlados, o BBA destaca o avanço das operações de hedge e os preços mais altos garantidos para soja e algodão na comparação anual, que compensam parcialmente um câmbio menos favorável.

Apesar disso, a instituição considera que parte relevante da melhora já foi refletida no desempenho recente das ações. Na avaliação dos analistas, os investidores devem permanecer cautelosos até que haja maior clareza sobre o impacto do clima na próxima safra.

O BTG Pactual também recebeu bem as projeções. Segundo o banco, incorporar as novas premissas elevaria sua estimativa de Ebitda para 2027 em aproximadamente 5%, com área maior, custos menores, produtividade mais forte do milho e melhores proteções comerciais compensando rendimentos mais fracos do algodão.

A área prevista pela SLC ficou 2,6% acima da estimativa do BTG. Já o custo projetado para o algodão, de aproximadamente R$ 13,6 mil por hectare, veio 3,4% abaixo do esperado.

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O banco também vê uma adaptação ao risco climático na distribuição das culturas. A redução do algodão de primeira safra, que tem custo por hectare mais elevado que o da soja, e a expansão da segunda safra apoiada pela irrigação podem limitar potenciais perdas sem reduzir significativamente a área total dedicada à fibra.

Ainda assim, o BTG pondera que o guidance oferece pouca margem para uma deterioração climática mais intensa. As premissas de produtividade seguem as tendências de cada cultura, sem incorporar um cenário específico de clima adverso.

No Safra, a leitura é neutra. A adoção dos números apresentados pela companhia elevaria em 4,3% a estimativa de Ebitda ajustado de 2027, excluindo os efeitos do IFRS 16, mas boa parte desse avanço dependeria da produtividade do milho.

A projeção da SLC para o rendimento do cereal ficou 23% acima da estimativa do banco, o que concentra a atenção dos analistas em um cenário de risco climático.

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O Safra alerta que mudanças no regime de chuvas no Matopiba, região formada por áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, poderiam atrasar o plantio da soja. Isso empurraria o milho e o algodão de segunda safra para fora da janela ideal de plantio, pressionando a produtividade.

Para o BBA, a maior maturidade das terras e os investimentos em irrigação podem amenizar impactos adversos. O banco também ressalta que as quedas de produtividade previstas em parte das culturas representam uma normalização após os bons resultados anteriores, e não uma deterioração operacional.

Já o BTG sustenta sua recomendação de compra na perspectiva de recuperação das margens e dos preços das commodities. A avaliação favorável, porém, depende de quanto o clima permitirá à SLC transformar as projeções em resultados.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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