Resultado das eleições pode definir as ações ‘vencedoras’ da Bolsa; veja as apostas do Citi
À medida que as eleições presidenciais brasileiras se aproximam e o cenário político se torna mais competitivo, os investidores começam a reposicionar suas carteiras para diferentes resultados possíveis.
A avaliação mais recente do Citi indica que o mercado já não enxerga um favoritismo tão claro quanto anteriormente, levando a uma estratégia mais equilibrada entre ativos defensivos e empresas que podem capturar ganhos em um ambiente de juros mais baixos.
De acordo com o banco, o resultado eleitoral poderá influenciar significativamente a “composição vencedora” da Bolsa brasileira.
Em um cenário de continuidade do governo, a preferência tende a recair sobre empresas resilientes e setores beneficiados por políticas públicas, especialmente aqueles ligados à habitação popular, ligada a programas como o Minha Casa, Minha Vida, e ao consumo doméstico.
Já em uma eventual mudança de governo, o mercado pode antecipar uma trajetória fiscal mais favorável e juros de longo prazo menores, criando oportunidades para empresas mais sensíveis às condições financeiras.
Oportunidade com o trade de IA?
Além disso, o Citi considera o Brasil como um “trade anti-inteligência artificial”.
Em um momento em que os mercados globais têm sido impulsionados por gigantes de tecnologia e empresas diretamente ligadas à inteligência artificial, a bolsa brasileira apresenta uma estrutura bastante diferente. Isso porque o Ibovespa (IBOV) continua fortemente concentrado em bancos, petróleo, mineração, energia e consumo tradicional.
Na avaliação do Citi, essa composição faz com que o mercado brasileiro ofereça uma alternativa de diversificação para investidores internacionais.
Enquanto boa parte dos fluxos globais se concentra em empresas cujas avaliações dependem das expectativas futuras em torno da IA, o Brasil continua sendo um mercado orientado por ativos reais, geração de caixa e ciclos de commodities.
Nesse contexto, ações de empresas como Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e grandes instituições financeiras podem funcionar como uma espécie de contrapeso em portfólios globais altamente expostos à tecnologia.
Carteira MVP
Em desempenho, a carteira MVP do Citi ficou atrás do Ibovespa nos principais recortes analisados. Nos últimos 30 dias, a seleção avançou 8,6%, enquanto o índice de referência da Bolsa brasileira acumulou alta de 11,1%. No ano, o ganho da carteira é de 7,4%, ante valorização de 15,2% do Ibovespa.
Desde a criação da estratégia, a carteira registra retorno acumulado de 51,7%, abaixo dos 61,7% do principal índice acionário brasileiro.
A carteira MVP reúne entre 10 e 15 ações e busca superar o desempenho do Ibovespa ao longo do tempo por meio de uma seleção baseada principalmente nos fundamentos de cada empresa, sem deixar de considerar fatores macroeconômicos e de mercado, afirma o head de equity research do Citi para América Latina, André Mazini. Os ativos recebem pesos de 5%, 10% ou 15%.
Na atualização mais recente, o Citi promoveu uma ampla reformulação do portfólio. Saíram Smart Fit (SMFT3), Itaú (ITUB4), Bradsaúde (SAUD3), Motiva (MOTV3), Eneva (ENEV3) e Cury (CURY3).
Em contrapartida, entraram XP (XPBR31), BTG Pactual (BPAC11), Hypera (HYPE3), EcoRodovias (ECOR3) e Sabesp (SBSP3).
A nova carteira conta com XP, BTG Pactual, Prio (PRIO3), Rede D’Or (RDOR3), Hypera e Ecorodovias, todas com peso de 5%.
Já Multiplan (MULT), Embraer (EMBJ3), Vale, Petrobras, Azzas 2154 (AZZA3), Sabesp e Vivara (VIVA3) receberam participação de 10% cada. A principal mudança de alocação foi o aumento da fatia da Vivara, que passou de 5% para 10% da carteira.