Resultado da Micron (MUTC34): Lucro por ação vai bem e empresa projeta crescimento ainda maior; hora de comprar?
A Micron (MUTC34), fabricante de chips de memória, divulgou seus resultados do quarto trimestre fiscal (o equivalente ao terceiro trimestre) no final da quarta-feira (30). O lucro ajustado por ação alcançou US$ 33,42, superando as estimativas de US$ 31,61 do mercado.
A receita líquida mais que quadruplicou, chegando a US$ 54,23 bilhões, o que representa uma alta de 379% na comparação anual, além de ser o sexto recorde consecutivo de faturamento trimestral. As estimativas eram de US$ 51,07 bilhões.
Com US$ 39,8 bilhões, as memórias DRAM representaram 73% da receita consolidada. Os 27% restantes ficaram por conta da NAND, que contribuiu com US$ 14,1 bilhões.
Memórias para data center corporativo e provedores de cloud foram destaque
As vendas da Micron são divididas em quatro frentes, conforme a destinação final do produto.
Os destaques foram as memórias para data centers corporativos (US$ 18 bilhões) e provedores de cloud (US$ 16,28 bilhões), que dominaram o faturamento.
Enquanto isso, a receita de celulares e computadores capturou US$ 13,11 bilhões. Já a de uso em automóveis, indústria e dispositivos inteligentes somou US$ 6,82 bilhões.
A companhia também divulgou suas projeções (guidance) para o o primeiro trimestre fiscal de 2027 (1T27). A Micron projeta receita de US$ 61,5 bilhões, margem bruta de 86,25% e lucro por ação de US$ 38,15 — acima das expectativas do mercado.
Além disso, a empresa também divulgou mais contratos de longo prazo, que devem representar mais de 35% da receita acumulada até 2030. A Micron também manteve o dividendo trimestral, que será pago em 29 de outubro, em US$ 0,15 por ação.
É hora de comprar as ações da fabricante de chips?
A Empiricus destaque que, apesar dos ótimos resultados, a companhia segue negociada a 6,6x os lucros projetados para os próximos 12 meses.
Na visão dos analistas, o múltiplo ainda é baixo frente ao ritmo de crescimento apresentado e da “posição privilegiada da Micron como uma das principais beneficiárias, em tempo real, do capex elevado que as empresas de tecnologia vêm direcionando à corrida pela inteligência artificial.”
Para a XP, o principal ponto de atenção está na intensidade do ciclo de expansão da Micron, que exigirá um aumento relevante da capacidade produtiva e, consequentemente, elevará os riscos de execução.
A companhia prevê ampliar os investimentos em capital (capex) em relação ao plano anterior, com desembolsos de cerca de US$ 25 bilhões apenas no primeiro semestre de 2027 e um volume ainda maior na segunda metade do ano.
Apesar da pressão de curto prazo, a XP avalia que esse nível deve representar o piso das margens ao longo do ano.
A Empiricus e a XP enxergam positivamente o resultado e mantém as ações MUTC34 como recomendação em suas respectivas carteiras.
*Sob supervisão de Renan Sousa