Renda Fixa

Revisão na tributação dos títulos isentos pode abrir oportunidade para investidores, avalia Leto

01 out 2026, 11:56
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(Imagem: Edson Souza / iStock)

Uma eventual revisão da isenção de Imposto de Renda pode favorecer quem já investe em debêntures incentivadas. Na avaliação da Leto Capital, se a mudança atingir apenas novas emissões, os títulos existentes tendem a se tornar mais escassos e ganhar valor — perspectiva que combinada aos prêmios atuais, coloca a infraestrutura como a principal oportunidade da gestora no crédito privado.

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Na carta de setembro, a casa afirma que os prêmios das debêntures que compõem o IDEX-Infra, índice de títulos incentivados de infraestrutura, estão no maior nível do ano. Ao mesmo tempo, a diferença entre os prêmios do crédito atrelado ao CDI e os de infraestrutura está no menor patamar histórico.

“Quando combinamos o valuation com a perspectiva de revisão dos incentivos, encontramos nas debêntures de infraestrutura a melhor relação risco-retorno entre as subclasses de crédito privado”, afirmam os autores da carta.

Essa avaliação tem orientado o aumento gradual da exposição da Leto à categoria.

Como uma mudança na isenção pode beneficiar o investidor?

A tese depende de uma condição: a preservação do benefício tributário dos títulos já emitidos. A Leto acredita que uma nova tentativa de revisar os incentivos seguiria esse caminho, com mudanças restritas às novas emissões.

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Caso isso ocorra, os papéis antigos manteriam uma vantagem tributária que poderia deixar de estar disponível nas mesmas condições para novos investimentos. A maior procura por esse estoque poderia elevar seus preços.

Para quem já possui as debêntures, isso abre espaço para ganhos com a valorização dos títulos, além da remuneração contratada. O movimento também pode beneficiar fundos que carregam esses ativos.

A gestora cita um precedente. Entre 15 de abril e 15 de setembro de 2025, período em que o mercado antecipou e depois absorveu o anúncio da MP 1.303, os prêmios do IDEX-Infra recuaram 0,54 ponto percentual. Na mesma janela, o índice registrou ganho de 7,5%, equivalente a 126% do CDI do período.

Segundo a carta, a proposta previa cobrança de 5% de IR sobre aplicações então isentas, apenas para novas emissões, mas perdeu validade sem aprovação.

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A preservação do estoque em uma futura revisão, porém, é uma expectativa da Leto. A valorização dependeria do desenho das regras e da reação do mercado.

Prêmios atuais reforçam a oportunidade

O argumento da gestora vai além da possibilidade de mudança tributária. A Leto também considera atrativa a remuneração adicional oferecida pelas debêntures de infraestrutura em relação aos títulos públicos de referência.

Esse adicional, chamado de spread de crédito, compensa o investidor pelos riscos de emprestar dinheiro a uma empresa, incluindo a possibilidade de inadimplência e a dificuldade de vender o papel antes do vencimento.

Quando o investidor compra um título com prêmio elevado e esse prêmio diminui posteriormente, o preço do papel tende a subir. É esse potencial de valorização que se soma à tese de escassez dos ativos isentos.

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A carta destaca ainda o prazo de 2030 previsto na legislação para novas emissões incentivadas. Na avaliação da casa, esse limite, combinado à eventual preservação do estoque em uma revisão, reforça a perspectiva de menor disponibilidade desses papéis ao longo do tempo.

Isso não elimina os riscos da aplicação, os preços também podem cair se os prêmios aumentarem ou se houver deterioração da qualidade de crédito dos emissores.

Leto defende reformular os incentivos

Apesar de enxergar oportunidades para os investidores, a gestora considera necessário rever a distribuição dos benefícios tributários. Sua proposta é manter a isenção, mas tornar mais exigentes os critérios para acesso ao incentivo.

Na composição do IDEX-Infra analisada pela casa, em agosto de 2026, 80% das emissões eram de companhias pertencentes a grupos econômicos com patrimônio líquido superior a R$ 1,5 bilhão.

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Para a Leto, o benefício está concentrado em empresas que já possuem boa qualidade de crédito e acesso recorrente ao mercado de capitais, ampliando sua vantagem sobre concorrentes menores.

A gestora propõe limites de porte e de captação por grupo econômico, além de critérios para avaliar se o incentivo efetivamente amplia o acesso ao financiamento. Também defende revisões periódicas das regras.

Para quem já investe, a recomendação da casa para qualquer reforma é clara: preservar as condições dos papéis existentes.

“Qualquer revisão deve valer apenas para novas emissões”, afirma a Leto.

E as LCIs e LCAs?

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As LCIs e LCAs também estão no radar da discussão sobre os títulos isentos, mas a oportunidade de investimento apontada pela Leto se concentra nas debêntures de infraestrutura.

No caso das letras bancárias, a crítica da gestora é à falta de informações sobre quanto do benefício tributário se traduz em crédito mais barato para os tomadores. Segundo os cálculos da casa, os cinco maiores bancos concentram 76% do estoque de LCIs, LCAs e LIGs.

A isenção permite que essas instituições captem recursos a taxas menores. Entretanto, sem informações sobre o perfil dos beneficiários e as condições dos empréstimos, a gestora considera difícil medir o retorno dessa política.

“Sem esse reporte não é possível calcular o benefício social por real renunciado, dificultando tanto a medição quanto a focalização”, afirma a carta.

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Por isso, a Leto defende que os bancos divulguem essas informações antes de qualquer alteração de alíquota. A proposta de preservar os títulos já emitidos também se aplica a uma eventual revisão desses instrumentos, mas a carta não apresenta para LCIs e LCAs a mesma tese de valorização desenvolvida para as debêntures incentivadas.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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