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Rumo (RAIL3): O que falta para a ação destravar valor? Analistas apostam na geração de caixa e veem potencial de alta de até 78%

13 ago 2026, 13:23
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(Imagem: Money Times)

A Rumo (RAIL3) entregou um resultado do segundo trimestre de 2026 (2T26) amplamente em linha com as expectativas, mas foi a perspectiva de uma nova fase, mais focada em geração de caixa, que chamou a atenção dos analistas.

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Após anos de investimentos para expandir a malha ferroviária brasileira, a companhia começa a sinalizar uma mudança de estratégia, com maior foco em custos, investimentos e geração de fluxo de caixa livre (FCF). Para BTG Pactual e Itaú BBA, esse movimento pode ser justamente o que falta para destravar valor da ação.

O BTG mantém recomendação de compra para RAIL3, com preço-alvo de R$ 23, enquanto o Itaú BBA também recomenda compra, com preço-alvo de R$ 19. Considerando a cotação usada como referência nos relatórios, os alvos representam potenciais de alta de aproximadamente 78% e 47%, respectivamente.

Geração de caixa pode destravar valor

O BTG destacou que, após anos liderando a expansão da malha ferroviária brasileira, a Rumo agora entra em uma fase de “extração de valor”, na qual a geração de fluxo de caixa livre positivo começa a ganhar protagonismo.

Segundo o banco, novas informações sobre o cronograma de pagamentos das obrigações das concessões e os investimentos previstos após a conclusão da primeira fase ajudam a deixar mais claro o caminho para uma geração de caixa positiva.

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“Não há melhor sinal do que dinheiro no fim do túnel”, avaliou o BTG, em referência ao potencial de geração de caixa da companhia.

Na mesma linha, o Itaú BBA avaliou que a administração sinalizou o início de um novo ciclo para a Rumo, com foco em geração de FCF já no curto prazo. Caso essa geração de caixa se confirme, ela poderá finalmente fornecer uma referência de valuation para a ação.

Para o Itaú, os resultados do trimestre foram neutros, com Ebitda em linha com as estimativas e o consenso. O banco destacou, porém, o tom otimista da administração em relação ao fluxo de caixa livre.

Volumes fortes, tarifas pressionam

O resultado do 2T26 não trouxe grandes surpresas operacionais. A Rumo registrou receita líquida de R$ 3,9 bilhões, alta de 6,2% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 2,3 bilhões, praticamente estável ante o mesmo período de 2025. A margem recuou 3,9 pontos percentuais.

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O lucro líquido ajustado foi de R$ 688 milhões, queda de 5,8% em relação ao 2T25.

O principal destaque positivo ficou com os volumes transportados, que cresceram 9% na comparação anual, para 23,8 bilhões de TKU (tonelada por quilômetro útil).

Na Operação Norte, os volumes avançaram 8%, para 19,4 bilhões de TKU, impulsionados principalmente pelos produtos agrícolas, com destaque para soja e fertilizantes. Na Operação Sul, o crescimento foi ainda maior, de 14%, refletindo uma demanda mais normalizada.

Por outro lado, o crescimento dos volumes foi parcialmente compensado pela pressão nas tarifas. O BB Investimentos destacou uma queda de 5,6% na tarifa média, atribuída principalmente ao reposicionamento comercial na Malha Central e ao efeito de mix na Operação Sul.

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Para o BB-BI, a queda das tarifas e o aumento dos custos com material rodante e despesas relacionadas à expansão do quadro de funcionários pressionaram o resultado.

Ainda assim, a casa também vê espaço para recuperação à frente e reiterou recomendação de compra para RAIL3, com preço-alvo de R$ 20 para o fim de 2026.

Julho reforça força operacional

Os dados de julho trouxeram um sinal mais positivo. A Rumo transportou 8,4 bilhões de TKU no mês, alta de 12% em relação a julho de 2025 e um novo recorde.

O crescimento foi puxado por produtos de soja, com avanço de 50%, fertilizantes, que cresceram 20%, e combustíveis, com alta de 10%.

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O BTG destacou que o volume diário médio chegou a 272 milhões de TKU, contra 266 milhões em junho e 242 milhões em julho do ano passado, indicando que a companhia segue operando próxima de sua capacidade máxima.

Os volumes de milho, por sua vez, somaram 1,6 bilhão de TKU, queda de 27% na comparação anual. Segundo o BTG, o dado pode indicar uma tendência mais fraca para as exportações de milho neste ano, mas o forte volume consolidado reforça a continuidade dos fluxos de soja.

Menos capex no horizonte

Outro ponto importante para a tese é a perspectiva de redução dos investimentos.

A Rumo realizou R$ 1,6 bilhão em capex no 2T26, abaixo dos R$ 1,8 bilhão registrados no trimestre anterior. Segundo o BTG, a companhia indicou que o ritmo mais acelerado de investimentos no primeiro semestre deve resultar em desembolsos menores na segunda metade do ano.

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A empresa também passou a divulgar um cronograma de pagamentos relacionados às obrigações das concessões. São esperados R$ 575 milhões no terceiro trimestre, dos quais R$ 521 milhões referentes à Malha Paulista, e outros R$ 99 milhões no quarto trimestre.

Para 2027, 2028 e 2029, os desembolsos previstos são de R$ 652 milhões, R$ 154 milhões e R$ 63 milhões, respectivamente.

Na visão do BTG, essa maior visibilidade sobre os desembolsos é importante para a tese, já que a combinação de menor capex e maior geração operacional pode começar a transformar a Rumo em uma companhia mais geradora de caixa.

Dívida ainda é ponto de atenção

Apesar da perspectiva mais positiva para o caixa, o balanço ainda exige atenção.

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A dívida líquida encerrou o 2T26 em R$ 17,3 bilhões, contra R$ 17 bilhões no trimestre anterior. A alavancagem ficou em 2,1 vezes a dívida líquida sobre o EBITDA, estável na comparação trimestral.

O BB-BI destacou, porém, que a dívida líquida cresceu 22% em um ano, enquanto o custo da dívida abrangente também avançou 22%. Na avaliação do banco, esses fatores contribuíram para o consumo de caixa e pressionaram o resultado financeiro.

Para os analistas, portanto, a geração de caixa ainda precisa se confirmar para que a nova fase da tese ganhe força.

Entre os principais pontos a monitorar estão a evolução das tarifas, a capacidade da companhia de controlar custos e capex, a contratação de volumes de grãos para 2027 e os possíveis impactos do El Niño.

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Mesmo com esses riscos, BTG e Itaú BBA mantêm recomendação de compra para RAIL3. O BTG destaca ainda que a ação negocia perto das mínimas do ano e a cerca de 6 vezes o EV/Ebitda estimado para 2026, o que, na visão do banco, oferece uma relação risco-retorno atrativa.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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