Safra reduz preço-alvo de Usiminas (USIM5) e alerta para ‘movimento descolado’; é hora de vender?
As ações da Usiminas (USIM5) dispararam nas últimas semanas, mas o Banco Safra acredita que o movimento pode ter ido longe demais.
Em novo relatório, a instituição reduziu o preço-alvo da siderúrgica de R$ 9,20 para R$ 8,30, o que implica um potencial de valorização de 9%, e manteve recomendação neutra para os papéis.
A avaliação do analista Ricardo Monegaglia é de que a valorização de cerca de 26% desde meados de agosto não foi acompanhada por uma melhora equivalente nos fundamentos do negócio. Na prática, o cenário operacional da companhia continua pressionado por fatores como a queda dos preços do aço e o aumento dos custos de matérias-primas importantes para a produção.
“Em nossa visão, a ação tem negociado com base em notícias sobre um potencial fechamento de capital e muito mais alinhada ao desempenho do Ibovespa do que aos fundamentos de seu mercado, uma vez que não houve revisões positivas de resultados que justificassem essa reprecificação”, afirma o Safra.
Com isso, o analista do banco considera que a ação da Usiminas tem se comportado mais como uma aposta ligada ao mercado brasileiro do que como um reflexo dos fundamentos do setor.
Por volta das 12h09 (horário de Brasília), USIM5 aparecia como segunda maior queda do Ibovespa, com queda de 3,28% (R$ 7,38).
O que está por trás do novo preço-alvo
A revisão para baixo do preço-alvo decorre principalmente da visão mais cautelosa do Safra sobre a capacidade de geração de resultados da Usiminas nos próximos anos.
O banco destaca que parte relevante da sua projeção depende de uma melhora gradual dos custos de produção, especialmente ligados ao carvão metalúrgico e ao frete marítimo. Atualmente, ambos continuam em níveis considerados elevados, o que reduz a rentabilidade da operação.
Além disso, o Safra avalia que o mercado ainda parece excessivamente otimista com as perspectivas de lucro da empresa.
Para 2027, as estimativas do banco para o Ebitda permanecem cerca de 17% abaixo da média das projeções do mercado. Em um cenário mais desafiador, no qual os custos permanecessem elevados por mais tempo, essa diferença poderia chegar a 26%.
Revisão de expectativas passa pelo setor automotivo
Outro ponto de atenção está na relação da Usiminas com a indústria automobilística, um dos seus principais clientes.
Os contratos de fornecimento para montadoras serão renegociados no início do próximo ano, e o Safra trabalha com a expectativa de reajustes de preços de aproximadamente 5%. O problema, porém, é que o cenário para o setor automotivo não é dos mais favoráveis.
Segundo o banco, o avanço dos veículos chineses importados e o elevado nível de estoques das montadoras brasileiras reduzem o poder de barganha das siderúrgicas.
Além disso, mudanças recentes na política tarifária para importação de veículos também adicionam incertezas sobre a demanda por aço nos próximos trimestres.
Há espaço para melhora
Apesar do tom cauteloso, o Safra não chega a recomendar venda da ação. A principal razão disso é que parte das pressões de custos já começou a se normalizar e existe a possibilidade de novas medidas de proteção à indústria siderúrgica nacional. Caso esse cenário se confirme, a Usiminas poderia apresentar uma recuperação mais robusta dos resultados.
Na visão do banco, um ambiente mais equilibrado permitiria à companhia atingir um Ebitda “normalizado” próximo de R$ 3,5 bilhões, valor cerca de 30% superior à projeção atual do banco para 2026.
Ainda assim, o Safra considera que essa recuperação permanece cercada de incertezas e que o retorno esperado para os acionistas não é suficiente para tornar o papel uma oportunidade particularmente atraente neste momento.