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SLC Agrícola (SLCE3): Guidance do algodão melhora, enquanto alavancagem ofusca resultado do 2T26; o que dizem os analistas?

13 ago 2026, 11:36
slc agrícola máquinas campo slce3 (1)
(Foto: ME Produtora)

A SLC Agrícola (SLCE3) apresentou resultados operacionais sólidos no segundo trimestre de 2026 (2T26), mas a maior alavancagem ofuscou parte do desempenho e deve continuar no radar dos investidores no curto prazo. Ao mesmo tempo, a melhora nas projeções para o algodão trouxe um contraponto positivo para a tese.

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BTG Pactual, XP Investimentos e Itaú BBA destacaram o aumento dos volumes comercializados e as perspectivas mais favoráveis para o algodão. Por outro lado, as casas chamaram atenção para a geração de caixa, a alavancagem e os riscos de produtividade associados ao El Niño.

A SLC registrou receita líquida de R$ 2,18 bilhões no 2T26, alta de 22% na comparação anual. O Ebitda (métrica do mercado para avaliar a geração de caixa de uma empresa) ajustado ficou em cerca de R$ 580 milhões, avanço de 4% em um ano, mas abaixo das estimativas de XP e Itaú BBA.

O BTG manteve recomendação de compra para SLC Agrícola, com preço-alvo de R$ 20. O Itaú BBA também reiterou compra, com preço-alvo de R$ 19. Já a XP manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 17.



Algodão melhora guidance

O principal destaque positivo do balanço foi a revisão das expectativas para o algodão.

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A SLC elevou em 7% a estimativa de produtividade da primeira safra e em 4% a da segunda safra, levando a uma alta de 5,5% na produção esperada da fibra. Segundo o BTG, as duas culturas agora devem apresentar produtividades recordes.

O movimento mais do que compensou a piora nas projeções para o milho de segunda safra. A companhia reduziu em 11% a expectativa de produtividade da cultura, em razão do plantio de parte da área fora da janela ideal e da ausência das chuvas esperadas.

Para o Itaú BBA, o algodão mais forte deve compensar com folga o milho mais fraco. O banco estima que o guidance atualizado implique uma alta de aproximadamente 3% em sua projeção de Ebitda ajustado para 2026.

SLCE3: alavancagem preocupa

Apesar da melhora operacional, a geração de caixa foi o principal ponto de atenção dos analistas.

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A XP calculou uma queima de caixa de R$ 529 milhões no trimestre, ante uma geração de R$ 474 milhões esperada pela casa. O BTG, por sua vez, calculou consumo total de caixa de R$ 805 milhões, incluindo capital de giro, pagamentos de arrendamento, capex (gastos com capital) de expansão e a segunda parcela da aquisição da Sierentz.

Com isso, a relação entre dívida líquida e Ebitda, incluindo arrendamentos, terminou o trimestre em cerca de 4,2 vezes, segundo XP e Itaú BBA. O BTG calcula 4,3 vezes.

Para a XP, a alavancagem em um patamar considerado desconfortável pode ofuscar os fundamentos mais construtivos da companhia e ser um dos principais direcionadores da reação das ações no curto prazo.

O BTG, porém, vê parte desse aumento como sazonal e espera uma liberação de capital de giro no segundo semestre. A casa projeta que a alavancagem recue para 3,6 vezes ao fim de 2026.

El Niño entra no radar

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Outro ponto de preocupação para os analistas é a próxima safra, especialmente diante dos riscos associados ao El Niño.

A XP avalia que uma perspectiva mais construtiva para os preços das commodities pode ser ofuscada pela maior alavancagem e por potenciais perdas de produtividade provocadas pelo fenômeno climático.

O Itaú BBA também afirma que o sentimento dos investidores deve continuar condicionado ao desenvolvimento da próxima safra e aos possíveis impactos do El Niño sobre as produtividades.

Por outro lado, a SLC avançou na proteção dos custos da safra 2026/27. Cerca de 70% das necessidades de nitrogênio já foram contratadas, segundo o Itaú BBA, em um momento de queda dos preços da ureia. A companhia também ampliou os hedges de commodities, especialmente de algodão.

Desconto de 50%

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Apesar das preocupações de curto prazo, o Itaú BBA mantém uma visão positiva sobre a SLC no longo prazo e destaca o desconto das ações em relação ao valor dos ativos da companhia.

O banco calcula um valor patrimonial líquido (NAV) de R$ 27,12 por ação, enquanto o papel negocia com desconto de aproximadamente 50% em relação a esse valor.

Para o Itaú BBA, a SLC continua sendo uma operação de alta qualidade, com modelo de produção de baixo custo, plataforma operacional eficiente e exposição estrutural ao crescimento do agronegócio brasileiro.

O BTG também mantém uma visão construtiva para o longo prazo, mas ressalta que a ação oferece pouco suporte de geração de caixa enquanto os preços das commodities não apresentarem uma recuperação mais significativa.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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