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SLC Agrícola (SLCE3): UBS BB eleva recomendação com riscos do El Niño já precificados; é compra?

20 ago 2026, 17:11
slc agrícola slce3 tarifaço algodão (1)
(Foto: Abrapa)

O UBS BB elevou a recomendação para as ações da SLC Agrícola (SLCE3) de venda para neutra e aumentou o preço-alvo de R$ 13,80 para R$ 16 por ação, uma alta de 16% em relação à estimativa anterior. Por volta de 16h43, as ações da companhia avançavam 5,58%, pela alta das commodities agrícolas e a revisão das estimativas pelo banco.

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A mudança de visão ocorre após o banco avaliar que os riscos de queda de produtividade provocados pelo El Niño — justamente um dos motivos que haviam levado ao rebaixamento anterior dos papéis — já estão incorporados ao preço da ação.

Apesar do upgrade, o UBS BB ainda não vê motivos suficientes para recomendar a compra de SLCE3. O banco projeta uma normalização relevante da produtividade na safra 2026/27 após o desempenho excepcional registrado no ciclo anterior, principalmente para soja e algodão.

Nas contas dos analistas, a produtividade da soja da SLC deve cair 6% na comparação anual, enquanto o rendimento médio do algodão, considerando primeira e segunda safras, deve recuar 12%.

Ainda assim, o banco avalia que esse cenário já está refletido no valuation. A SLC negocia a 5,8 vezes EV/Ebitda projetado para 2027, múltiplo em linha com suas médias históricas, enquanto a projeção do UBS BB de Ebitda de aproximadamente R$ 3 bilhões para o próximo ano também está alinhada ao consenso de mercado.

El Niño coloca produtividade no radar

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O clima continua sendo um dos principais pontos de atenção para a tese da SLC.

Segundo o UBS BB, as condições de El Niño estão presentes desde junho e o fenômeno vem ganhando força. O banco aponta uma probabilidade de 95% de ocorrência de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026, período considerado decisivo para o desenvolvimento das lavouras e para o calendário das segundas safras.

Historicamente, a produtividade da soja da SLC cai, em média, 7% em anos de El Niño, enquanto o algodão de segunda safra apresenta redução média de 10%. Em episódios mais fortes do fenômeno climático, as perdas tendem a ser ainda maiores.

É nesse contexto que o UBS BB projeta quedas de 6% para a soja e de 12% para o algodão em 2026/27. No caso do algodão, porém, mesmo com a retração esperada, a produtividade ainda deve permanecer em linha com a média dos últimos cinco anos.

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Para os analistas, portanto, parte da queda representa uma normalização natural depois de uma temporada 2025/26 excepcional, além dos próprios riscos climáticos.

Custos menores ajudam SLC em 2027

Se o clima traz riscos para a produtividade, outros fundamentos passaram a jogar a favor da companhia.

O UBS BB elevou em 9% sua projeção de Ebitda para 2027, para R$ 3,003 bilhões, apoiado principalmente pela produtividade melhor do algodão em 2025/26 e por uma perspectiva mais favorável para os custos dos insumos.

O banco agora espera que os custos por hectare da SLC avancem 3,1% em 2026/27, abaixo dos 5,6% projetados anteriormente.

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A revisão ocorre depois de a companhia conseguir acelerar as compras de fertilizantes durante o período de redução das preocupações relacionadas ao conflito entre Estados Unidos e Irã, aproveitando preços mais baixos.

O lucro, por outro lado, deve sentir o peso das despesas financeiras. O UBS BB projeta R$ 680 milhões de lucro líquido em 2027, valor 7% inferior à estimativa anterior.

A melhora operacional também deve contribuir para uma recuperação da geração de caixa, com o banco projetando um FCF yield de 3% em 2027.

SLCE3: por que ainda não é compra?

A resposta está principalmente no valuation.

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O novo preço-alvo de R$ 16 considera um múltiplo de 6,3 vezes EV/Ebitda para 2027, ajustado pelos arrendamentos, acima das 6 vezes utilizadas anteriormente e próximo da faixa histórica de negociação da companhia.

O UBS BB entende que as commodities já não estão mais no fundo do ciclo, com maior visibilidade para expansão dos resultados e recuperação do fluxo de caixa livre.

A melhora na produtividade realizada do algodão em 2025/26, preços mais altos das commodities, custos menores e a adoção de um múltiplo maior sustentaram a elevação do preço-alvo, compensando a expectativa de uma dívida líquida mais elevada ao final de 2026.

O câmbio também permanece como uma variável relevante para os resultados. Pelas contas do banco, cada R$ 0,25 de variação na taxa de câmbio representa aproximadamente R$ 200 milhões no Ebitda de 2027, equivalente a cerca de 6% da projeção.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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