XP faz alertas para CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3)
A XP Investimentos considera que as teses de CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3) seguem pressionadas. A CSN acumula queda de cerca de 28% no acumulado do ano, como um reflexo das preocupações com o fluxo de caixa livre (FCF) e o balanço patrimonial, em meio a um ambiente de juros elevados por mais tempo.
“Acreditamos que os tradicionais motores de geração de caixa do grupo tenham se tornado menos favoráveis recentemente, com fundamentos mais fracos do minério de ferro e um cenário desafiador para as operações de siderurgia”, afirma a corretora.
Na avaliação da XP, a empresa deve ser capaz de cumprir suas obrigações, contando com um plano abrangente, embora crível, de financiamento, que espera ser o mandato mais importante de Fabio Schvartsman como novo CEO da CSN, substituindo Benjamin Steinbruch, que esteve 24 anos à frente da companhia.
Nesse sentido, a corretora estima uma necessidade total de caixa de R$ 41 bilhões entre o terceiro trimestre de 2026 e 2030.
Esse valor, segundo a XP, deve ser atingido por meio de:
- refinanciamento de dívidas bancárias (R$ 20 bilhões);
- pré-pagamentos de minério de ferro (R$ 13 bilhões);
- e vendas de ativos (R$ 17-18 bilhões).
“Embora esperemos que a CSN atenda gradualmente às suas necessidades de liquidez, a execução continua sendo crítica, razão pela qual mantivemos a recomendação neutra para as ações, mas observamos uma assimetria positiva para os ativos, uma vez que acreditamos que a desalavancagem seja alcançável”, detalha a XP.
A corretora tem preço-alvo de R$ 7 para CSN, o que implica um potencial de valorização de 18% em relação ao fechamento anterior.
E a CSN Mineração?
Já para a CSN Mineração, a corretora considera que o valuation continua pouco atrativo, com os múltiplos atuais já precificando as perspectivas de crescimento de volumes em meio à revisão para baixo de nossas premissas para o minério de ferro.
“Apesar dos rendimentos de dividendos relativamente atrativos, continuamos vendo um perfil de fluxo de caixa livre pressionado e uma margem de segurança limitada em um ambiente de preços mais baixos do minério de ferro,
Ainda segundo a XP, as ações negociam a um múltiplo de preço em relação ao lucro projetado para 2027 (P/L) de cerca de 18 vezes, em um cenário de minério de ferro a US$ 95 a tonelada.
Nesse cenário, o preço-alvo para CMIN3 é de R$ 6,50, com upside de apenas 2% em relação ao último fechamento.
Para a corretora, embora a controladora CSN concentre uma parcela maior das necessidades de caixa do grupo, o braço de mineração continua sendo uma importante fonte de liquidez, com distribuições de dividendos, vendas de ativos e potenciais transações entre empresas do grupo sustentando a liquidez no nível da controladora.
A XP considera que a transferência anterior de ativos relacionados à MRS é um exemplo de como a CSN pode realocar recursos de caixa dentro do grupo, atendendo melhor às suas obrigações.