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Suzano (SUZB3): Geração de caixa é destaque no 2T26, apesar de alavancagem e celulose desafiarem a tese

13 ago 2026, 12:15
Suzano suzb3
(Imagem: YouTube/Suzano)

A Suzano (SUZB3) apresentou um segundo trimestre de 2026 (2T26) marcado por forte geração de caixa, mas com desafios operacionais que devem continuar no radar dos investidores. Analistas destacaram o fluxo de caixa livre, enquanto custos mais altos, alavancagem e uma perspectiva menos favorável para os preços da celulose devem limitar a melhora da tese no curto prazo.

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BTG Pactual, XP Investimentos e Itaú BBA avaliaram os resultados como amplamente em linha com as expectativas. As casas destacaram o desempenho da divisão de celulose e a forte geração de caixa, mas apontaram que parte relevante do fluxo veio de fatores menos recorrentes.

A Suzano registrou Ebitda de cerca de R$ 4,7 bilhões no trimestre, alta de 3% na comparação com o 1T26 e queda de 23% ante o mesmo período do ano passado.

Caixa forte é destaque

O principal ponto positivo do balanço foi a geração de caixa.

O Itaú BBA calculou fluxo de caixa livre ajustado de R$ 3,3 bilhões, equivalente a um yield anualizado de aproximadamente 25%. Já BTG e XP chegaram a R$ 2,4 bilhões em suas respectivas metodologias, o que também representa uma geração robusta.

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O indicador ajudou a reduzir a dívida líquida em 3% na comparação trimestral, para R$ 66,1 bilhões.

No entanto, a qualidade desse fluxo de caixa chamou atenção dos analistas. Segundo o BTG, cerca de R$ 483 milhões vieram da liberação de capital de giro, enquanto outros R$ 824 milhões foram provenientes de ajustes positivos de derivativos.

Para o banco, esses fatores são naturalmente menos recorrentes e mais difíceis de prever, levantando dúvidas sobre a capacidade de a companhia sustentar o mesmo nível de geração de caixa nos próximos trimestres.

A XP também destacou que o FCF recorrente foi robusto, mas ressaltou que a melhora foi amplamente explicada por derivativos e pela liberação de capital de giro, e não por uma operação estruturalmente mais forte.



Alavancagem continua no radar da Suzano

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Apesar da queda dos passivos da empresa, a relação entre dívida líquida e Ebitda em dólares subiu para cerca de 3,4 vezes, ante 3,3 vezes no primeiro trimestre.

O movimento ocorreu porque a redução da dívida foi mais do que compensada pela queda do Ebitda acumulado em 12 meses.

Para o BTG, a alavancagem continua sendo um obstáculo para a tese de investimento e a Suzano precisará acelerar o processo de desalavancagem para recuperar o interesse dos investidores.

O Itaú BBA também reconhece a melhora da geração de caixa, mas destaca que a relação dívida líquida/Ebitda em dólar avançou apesar da redução da dívida.

Celulose preocupa no segundo semestre

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Do lado operacional, a divisão de celulose apresentou melhora sequencial, mas os custos continuam pressionando os resultados.

O Ebitda da celulose alcançou R$ 4,2 bilhões, alta de 3% ante o 1T26. Preços realizados mais altos em dólar e volumes maiores ajudaram a compensar a valorização do real e o aumento dos custos.

O preço médio realizado da celulose chegou a cerca de US$ 599 por tonelada, alta de US$ 39 na comparação trimestral, enquanto os embarques cresceram 2%, para 2,9 milhões de toneladas.

Por outro lado, o custo caixa por tonelada, sem considerar paradas, subiu 5% no trimestre, pressionado por maiores gastos com madeira e matérias-primas.

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O BTG calcula que os custos vieram 6% acima de sua estimativa, refletindo, entre outros fatores, maiores despesas de manutenção e o impacto do conflito no Oriente Médio sobre insumos como gás natural, soda cáustica e dióxido de cloro.

Para o segundo semestre, a perspectiva é mais desafiadora. XP e Itaú BBA esperam preços de celulose mais baixos, enquanto a XP também vê pressões persistentes sobre custos e efeitos cambiais desfavoráveis.

O BTG, por sua vez, afirma que o cenário de oferta e demanda da celulose continua difícil e que ainda faltam catalisadores capazes de mudar o sentimento negativo do mercado.

Papel mostra resiliência

A divisão de papel teve desempenho mais resiliente em volumes, com alta de 7% nas vendas no trimestre, puxada principalmente pelo mercado doméstico.

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A receita da divisão cresceu 8%, para R$ 2,8 bilhões, mas o Ebitda ficou em R$ 521 milhões, queda de 1% no trimestre e de 27% em um ano, pressionado por custos mais altos.

O Itaú BBA destacou que o crescimento da receita foi mais do que compensado pela alta dos custos, enquanto o BTG também apontou o desempenho do papel como abaixo do esperado.

Analistas mantêm compra para SUZB3

Apesar dos desafios, as três casas mantiveram uma visão positiva sobre as ações.

O BTG manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 72. O Itaú BBA também reiterou compra, com preço-alvo de R$ 64, enquanto a XP manteve a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 66.

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O BTG considera a Suzano uma vencedora estrutural no setor de papel e celulose, graças às vantagens competitivas, liderança em volume e custos e à qualidade da gestão. O banco também destaca que a ação negocia próxima às mínimas históricas, a cerca de 5,5 vezes o Ebitda.

Ainda assim, a casa reconhece que o cenário de celulose, os retornos limitados aos acionistas e o ritmo de desalavancagem continuam pesando sobre a tese.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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