Internacional

Tarifa dos EUA contra o Brasil ainda depende de consulta pública; veja quais os próximos passos

02 jun 2026, 10:09 - atualizado em 02 jun 2026, 10:10
Imagem gerada por IA mostra o presidente Donald Trump segurando um cartaz que fala em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Imagem: ChatGPT

A proposta de nova tarifa anunciada pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros ainda não entrou em vigor. Antes de uma decisão definitiva, a medida passará por uma etapa de consulta pública conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que deve se estender até meados de julho.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nesta segunda-feira (1º), o USTR divulgou sua conclusão sobre a investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano.

O órgão concluiu que políticas brasileiras em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas de importação, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal são passíveis de medidas de retaliação comercial.

Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Alguns itens estratégicos ficaram de fora da proposta, incluindo café, carne bovina, petróleo, terras raras, determinados metais, aeronaves e peças aeronáuticas.

Apesar do anúncio, a medida ainda não é definitiva.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O próximo passo será a abertura formal do processo de consulta pública. Empresas, associações setoriais, especialistas e demais interessados poderão apresentar manifestações ao governo americano antes da decisão final.

O cronograma divulgado pelo USTR prevê:

  • 22 de junho: prazo final para solicitar participação na audiência pública;
  • 1º de julho: data limite para envio de manifestações escritas;
  • 6 de julho: realização da audiência pública em Washington;
  • 15 de julho: prazo legal para que o governo americano anuncie sua decisão final.

Na prática, esse período abre espaço para que empresas americanas dependentes de insumos brasileiros, entidades empresariais e o próprio governo brasileiro tentem influenciar a decisão ou buscar ajustes na lista de produtos atingidos.

A investigação que resultou na proposta foi aberta em julho de 2025 e concentrou-se em temas que há anos aparecem nas críticas de Washington ao Brasil.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Entre eles estão regras para plataformas digitais e meios de pagamento eletrônicos, tarifas consideradas preferenciais para determinados parceiros comerciais, acesso ao mercado brasileiro de etanol, proteção de propriedade intelectual e políticas relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal.

O caso representa mais um capítulo das tensões comerciais entre os dois países. O governo brasileiro já questionou anteriormente a legitimidade da investigação conduzida sob a Seção 301, argumentando que disputas comerciais deveriam ser tratadas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Até 15 de julho, portanto, o foco do debate deve migrar do anúncio da tarifa para a disputa em torno de sua implementação. O resultado desse processo determinará não apenas quais produtos serão afetados, mas também o alcance efetivo da nova ofensiva comercial dos Estados Unidos contra o Brasil.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
Linkedin
É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
Linkedin
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar