O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic em 0,50 ponto percentual (p.p.) na reunião de novembro, para 11,25% ao ano, e, segundo especialistas, deu sinais de continuidade dos ajustes.
Tempo Real: Ibovespa descola de recordes em NY e fecha em leve queda à espera de Copom; dólar cai a R$ 5,67
RESUMO: O Ibovespa (IBOV) dividiu as atenções com dados econômicos, a expectativa por medidas ficais e o resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos.
Nesta quarta-feira (6), o principal índice da bolsa brasileira caiu 0,24%, aos 130.340,92 pontos.
Já o dólar à vista (USBRL) terminou a sessão a R$ 5,6759 (-1,26%).
Por aqui, o mercado acompanhou novas declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele afirmou que todos os ministros do governo estão “muito conscientes” da tarefa de reforçar o arcabouço fiscal — o que deu alívio à curva de juros, principalmente nas taxas de longo prazo.
Depois do fechamento, os investidores acompanham a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). A expectativa é de que o Banco Central eleve a Selic em 0,50 ponto percentual — avançando a taxa básica de juros para o patamar de 11,25% ao ano.
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Confira os principais temas do Ibovespa e dos mercados nesta quarta-feira (6) em tempo real:
O comunicado que acompanha a decisão desta quarta-feira (6) não trouxe sinalizações sobre o ritmo ou o tamanho total do ciclo de aperto. Porém, destacou que as decisões seguem atreladas ao comportamento da inflação, em particular às respostas de política fiscal.
A leitura do economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, é de que o BC continue subindo juros em um ritmo de 0,5 pontos percentuais nas reuniões do Copom de dezembro e janeiro.
“O comunicado que acompanha a decisão não trouxe sinalizações sobre o ritmo ou o tamanho total do ciclo de aperto. As decisões seguem atreladas ao comportamento da inflação, em particular as respostas de política fiscal”, diz Padovani.
Nas contas do BV, o ciclo de alta da Selic deve terminar com um avanço de 25 pontos-base, em março de 2025.
O cenário do Banco BV, que considera alguma medida de ajuste fiscal e desaceleração econômica em 2025, trabalha com cortes de juros a partir do segundo semestre, com a taxa básica encerrando o ano em 11,50%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou a expectativa do mercado e elevou a Selic em 0,50 ponto percentual (p.p.), de 10,75% para 11,25% ao ano.
Além da decisão, o mercado se debruça sobre o comunicado dos diretores.
A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, considerou o comunicado do Copom “mais simples” e sem novidades, com a indicação de novas altas nesse ciclo e deixando em aberto o ritmo dos próximos ajustes e o tamanho total do aperto monetário.
“A visão do balanço de riscos permanece com um viés altista, devido ao mercado de trabalho aquecido e o hiato positivo”, avalia a economista-chefe. Ela afirma que o juro real já está em patamar bastante restritivo e a defasagem desse efeito deve ter impacto na desaceleração da atividade nos próximos meses.
Para ela, o cenário de incerteza pode evoluir tanto para uma melhora na expectativa de inflação, quanto para uma nova deterioração.
“Um pacote de medidas de ajuste fiscal mais robusto pode resultar em uma retomada, ainda que parcial, da credibilidade da política fiscal, reduzindo o prêmio de risco no câmbio, além de retirar pressão da demanda interna, o que resultaria em uma desaceleração mais rápida da inflação nos próximos meses. Por outro lado, caso o gasto público tenha nova expansão em 2025, a inflação pode ter nova alta, tanto pela via de repasse cambial como pela demanda interna aquecida”, disse Rafaela Vitória.
O cenário-base do Inter continua de alta de 50 pontos-base na reunião de dezembro, “mesmo com a expectativa de desaceleração do IPCA em novembro, com a redução da tarifa elétrica”, e novo corte esperado de 25 pontos-base pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos.
A Eletrobras (ELET6) registrou lucro líquido ajustado de R$ 7,56 bilhões no terceiro trimestre, um salto de 588% em relação ao lucro ajustado de R$ 1 bilhão de um ano antes, mostrou relatório de resultados divulgado nesta quarta-feira.
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Analistas esperavam, em média, lucro de 2,3 bilhões de reais para a companhia de energia, segundo estimativas compiladas pela LSEG.
A BrasilAgro (AGRO3) viu seu lucro líquido crescer 225% no primeiro trimestre da safra 2024/2025 (1T25) na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, saindo de R$ 29,985 milhões para R$ 97,457 milhões.
O Ebitda ajustado total saiu de R$ 23,425 milhões para R$ 169,357 milhões, um avanço de 622% no mesmo comparativo. A receita líquida cresceu 67%, para R$ 454 milhões.
Para o economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, o BC enfrenta um cenário “delicado” com projeção de inflação acima da meta e a continuidade da desancoragem das expectativas.
“O Copom destaca o mercado de trabalho aquecido, atividade resiliente, assimetria de riscos com inflação correndo, tanto no índice cheio quanto nos núcleos ,acima da meta e fala bastante também do prêmio fiscal — que bate na taxa de câmbio e tem um efeito inflacionário. Um quadro que é delicado”, afirma Gala.
Na avaliação dele, o colegiado menciona que a magnitude do ciclo e o ritmo “vão ser editados pela convergência da inflação para a meta”, o que abre espaço para o BC acelera os juros em 75 pontos-base.
“O tamanho total do ciclo também está em aberto. Se antes a discussão era de taxa terminal [da Selic) entre 10,25% e 10,50%, agora começamos a discutir a taxa terminal acima de 12,50% e 13%”
“Se houver uma apreciação do real e se o arcabouço fiscal for realmente cumprido, dá para imaginar uma Selic que ainda na casa dos 12,50%. Mas o cenário está delicado, principalmente pela a desancoragem de expectativas”, diz Gala.
O Mercado Livre (MELI34) divulgou nesta quarta-feira avanço de 11% no lucro líquido do terceiro trimestre na comparação ano a ano, resultado abaixo do esperado pelo mercado, com custos de crédito e logística ofuscando uma expansão na receita.
O Mercado Livre registrou lucro líquido de 397 milhões de dólares nos três meses encerrados em setembro, contra expectativa média de analistas de lucro de 542 milhões de dólares, segundo estimativas compiladas pela LSEG.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que não pode adiantar quais propostas de contenção de gastos estão sendo discutidas pelo governo, porque o pacote de medidas ainda não está fechado.
“Estou em um processo de discussão muito, muito sério com o governo, porque conheço bem o discurso do mercado, a gana especulativa do mercado”, disse Lula em entrevista à Rede TV, que teve trecho veiculado no portal UOL antes da divulgação na íntegra.
A economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, destaca que o colegiado do Copom manteve a dependência dos dados em linha com o esperado pela corretora.
“A gente achava que era importante o Banco Central manter essa dependência dos dados por causa da grande incerteza do cenário com toda a questão relacionada à eleição dos Estados Unidos e a incerteza em torno do pacote fiscal”.
Na avaliação da economista-chefe, o Copom deve elevar os juros em 50 pontos-base na próxima reunião em dezembro.
Até lá, o mercado deve seguir debatendo se sobe 50 ou 75 pontos-base. “Em termos de precificação, é possível que aumente a probabilidade de 75 pontos-base”, afirma.
Victal ainda afirma que casa de investimentos deve revisar o cenário de que a Selic termine o ciclo de altas em 12% ao ano.
Para Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, a decisão do Copom veio em linha com o consenso.
Ele destaca que, embora o Copom tenha sinalizado para aceleração do ritmo de altas, o cenário de uma elevação dos juros em 75 pontos-base à frente é pouco provável.
“O trecho em que o Copom afirma que o ritmo e a magnitude dos ajustes futuros da taxa de juros serão ditados pelo compromisso com a convergência da inflação à meta e, levando em consideração que a desaconragem das expectativas tem aumentado recentemente, deixa em aberto a possibilidade de uma aceleração para 0,75% à frente, apesar não acreditarmos ser provável”, afirma Borsoi.
A Nova Futura projeta uma nova elevação de 50 pontos-base nos juros na reunião de dezembro, levando a Selic em 11,75%. A corretora prevê o mesmo patamar em dezembro de 2025. O pico da Selic deve acontecer em março de 2025, quando a taxa básica de juros atingir 12,50% ao ano.
A JSL (JSLG3) reportou lucro líquido ajustado de R$ 72 milhões no terceiro trimestre de 2024, alta de 25% ante o mesmo período do ano passado e melhora de 120% em relação ao segundo trimestre, mostra documento enviado ao mercado nesta quarta-feira (6).
Em entrevista ao Money Times, o CEO da companhia, Ramon Alcalaz, cita três fatores que influenciaram os números. São eles:
Na avaliação de Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a aumento dos juros no Brasil aumenta o diferencial de juros em relação a outros mercados — o que pode reforçar a valorização do real e ajudar a conter a inflação. O Banco Central elevou a Selic em 50 pontos-base, a 11,25%.
“Esse aumento mais acelerado nos juros reflete a necessidade de controle sobre uma inflação que tem se mostrado resistente, afetada pelo câmbio volátil e pela política monetária internacional”, afirma o analista.
“O Banco Central considera as pressões que a alta do dólar impõe sobre os preços de importados, que afetam diretamente o consumo interno. Assim, ao ampliar o diferencial de juros em relação a outros mercados, o Brasil pode acabar atraindo capital estrangeiro, reforçando a valorização do real e ajudando a conter a inflação importada.”
A Minerva (BEEF3) reportou uma queda de 33% no seu resultado líquido do 3T24 na comparação com o mesmo trimestre do ano passado 3T23, a R$ 94,1 milhões.
O Ebitda teve um incremento de 13,9% no mesmo comparativo, saindo de R$ 713,7 milhões para R$ 813 milhões. Já a receita líquida avançou 20,3%, para R$ 8,501 bilhões.