Trabalhador precisa de 106 horas por mês para comprar a cesta básica, mostra pesquisa
Pesquisa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apontam que o gasto com alimentação consome 52,02% do salário mínimo líquido no Brasil. O valor consome mais da metade do salário médio do trabalhador e exige, em média, quase 106 horas de trabalho no mês.
O custo médio da cesta básica nas 27 capitais atingiu R$ 779,95 em junho, um avanço de 8,69% frente ao mesmo mês do ano passado. Em São Paulo, a média é a maior do país, chegando a R$ 965,47 consumindo 64,39% do salário mínimo líquido.
Para conseguir adquirir o conjunto essencial de suprimentos, um trabalhador remunerado pelo piso nacional precisa empenhar 105 horas e 51 minutos de sua jornada mensal, considerando uma escala padrão de 8 horas diárias.
Com base nesse encargo financeiro, o Dieese e a Conab calculam que o salário mínimo necessário para cobrir os custos de manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92.
A quantia representa cinco vezes o valor do piso atual de R$ 1.621 e supera com folga o rendimento médio do trabalhador brasileiro, apurado em R$ 3.726 pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O mapa da inflação dos alimentos nas capitais
A disparidade no custo de vida entre os estados evidência realidades orçamentárias opostas no país:
A cesta mais cara: São Paulo (SP) lidera o topo do custo absoluto, com a cesta valendo R$ 965,47 (alta de 9,37% em 12 meses). Na capital paulista, o compromisso atinge 64,39% do piso líquido, demandando 131 horas e 2 minutos de trabalho.
A maior escalada: Cuiabá (MT) registrou a maior alta percentual em 12 meses (14,71%), levando a cesta a R$ 937,93 cifra R$ 27,54 inferior à média paulistana.
Opções mais acessíveis: Aracaju (SE) ostenta o conjunto de alimentos mais barato (R$ 630,40), exigindo 85 horas e 34 minutos de trabalho, ou quase dois dias a menos de trabalho que em São Paulo. São Luís (MA) foi a única capital com deflação no período (-0,09%), fechando o custo em R$ 654,73.
Na variação mensal entre maio e junho, o indicador recuou em dez capitais, sendo sete localizadas no Nordeste, e avançou em 17. As altas mais expressivas ocorreram em Boa Vista (RR), de 3,28%, Palmas (TO), com 3,01%, Rio Branco (AC), com 2,2%, e Porto Alegre (RS), com reajuste de 2,18%.
O tempo necessário de empenho profissional cobrado em cada capital
São Paulo (SP): 131 horas e 2 minutos
Cuiabá (MT): 127 horas e 17 minutos
Rio de Janeiro (RJ): 124 horas e 59 minutos
Florianópolis (SC): 124 horas e 39 minutos
Porto Alegre (RS): 120 horas e 44 minutos
Campo Grande (MS): 114 horas e 50 minutos
Vitória (ES): 114 horas e 33 minutos
Curitiba (PR): 114 horas e 23 minutos
Belo Horizonte (MG): 112 horas e 12 minutos
Fortaleza (CE): 111 horas e 37 minutos
Goiânia (GO): 111 horas e 27 minutos
Brasília (DF): 108 horas e 41 minutos
Palmas (TO): 107 horas e 15 minutos
Belém (PA): 103 horas e 4 minutos
Boa Vista (RR): 102 horas e 13 minutos
Teresina (PI): 100 horas e 6 minutos
Manaus (AM): 99 horas e 28 minutos
Macapá (AP): 97 horas e 22 minutos
Rio Branco (AC): 95 horas e 35 minutos
Recife (PE): 95 horas e 5 minutos
Porto Velho (RO): 94 horas e 44 minutos
Salvador (BA): 94 horas e 29 minutos
João Pessoa (PB): 93 horas e 38 minutos
Natal (RN): 93 horas e 7 minutos
Maceió (AL): 91 horas e 7 minutos
São Luís (MA): 88 horas e 52 minutos
Aracaju (SE): 85 horas e 34 minutos
*Sob supervisão de Gustavo Porto