Mercados

Selic a 13,75%: Como o Ibovespa, os juros futuros e o dólar devem reagir ao Copom

16 set 2026, 20:09 - atualizado em 16 set 2026, 20:22
ações ibovespa banco do brasil ewz
Na avaliação de analistas, o Ibovespa e dólar devem operar em leve alta, enquanto os juros futuros mais curtos devem ser pressionados (Imagem: Bigc Studio)

Com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,74% ao ano, já assimilada pelos mercados, os investidores tentam antecipar como o Ibovespa deve se comportar no pregão desta quinta-feira (17).

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Lá fora, o índice EWZ — fundo que replica o desempenho do índice MSCI Brasil, com as principais ações da bolsa brasileira — subia 1,39%, a US$ 38, por volta das 19h (horário de Brasília). No pregão regular, o índice encerrou com queda de 0,79%, a US$ 37,46.

Com essa “prévia” do EWZ, o Ibovespa (IBOV) deve ter uma reação mais amena à decisão, enquanto o exterior deve continuar ditando o desempenho do índice, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg.

A visão é compartilhada por Augusto Parente, especialista em investimentos e fundador da AW Capital. “A Bolsa deve ter uma abertura positiva por o Banco Central não ter fechado a porta para novos cortes [na Selic] nas reuniões.”

Nesta quarta-feira (16), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 0,51%, aos 185.547,66 pontos,

Os juros futuros vão cair?

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A equipe da Warren Rena espera um movimento moderado da curva de juros futuros. “Não esperamos reação relevante no mercado de juros decorrente dessa decisão”, afirmaram os estrategistas Luis Felipe Vital, Cecília Mazzoni e Felipe Figueiró.

“O Copom entregou uma decisão em linha com a precificação majoritária do mercado e com alterações mínimas na comunicação”, destacaram.

Antes da decisão, a curva já precificava um corte de 13 pontos-base na Selic na decisão do Copom em novembro.

Nesta quarta-feira, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, ficou praticamente estável e fechou a 13,580% ante 13,579% do ajuste anterior. Já a taxa de DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 14,190%, ante 13,375% do fechamento de ontem (15), uma queda de quase 19 pontos-base.

E o dólar?

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Nesta quarta-feira, o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,1514, com leve recuo de 0,07%, na contramão do desempenho do DXY.

Para Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, o real deve ter mais um dia negativo com os investidores ainda digerindo a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) de elevar os juros para a faixa de 3,75% a 4,00%.

Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, observa que combinação de redução dos juros no Brasil com o aumento das taxas nos Estados Unidos diminui o diferencial entre as duas economias. “Isso reduz, na margem, a atratividade do carry brasileiro e pode adicionar pressão sobre o real, principalmente em momentos de maior aversão global a risco, quando há busca por dólar e Treasuries”, afirmou.

Juros no Brasil e nos EUA

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, a quinta flexibilização dos juros e, mais uma vez, a decisão foi unânime. O corte também veio em linha com o esperado pelo mercado.

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“O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 13,75% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, disse o comunicado.

Desta vez, o colegiado trouxe poucas novidades em comparação ao comunicado de agosto.

Nos EUA, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) elevou os juros em 25 pontos-base pela primeira vez desde julho de 2023, para a faixa de 3,75% a 4,00%.

Na coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Kevin Warsh, manteve um tom ‘hawkish’ ao afirmar que a “inflação está muito alta e já está assim há muito tempo”. “Os índices de inflação deste verão não me indicam que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente”, acrescentou.

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Após Warsh, o mercado consolidou a aposta em uma nova alta nos juros até dezembro. Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 50,9% de chance de elevação na decisão de outubro, contra 49% de manutenção na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano.

Já para a decisão seguinte, em dezembro, a aposta majoritária é de elevação, com 87,7% de probabilidade de pelo menos um ajuste de 25 pontos-base.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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