Taxa Selic

Selic a 13,75% é o fim da linha? Decisão do Copom deixa próximo corte em aberto

16 set 2026, 19:44 - atualizado em 16 set 2026, 19:45
Selic Copom juros
(Créditos: Rmcarvalho/iStock)

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, nesta quarta-feira (16), em decisão unânime e amplamente esperada pelo mercado. Se o corte não trouxe surpresa, a comunicação do Banco Central deixou uma pergunta no ar: o ciclo de redução dos juros continua ainda em 2026?

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Entre os economistas, as opiniões se dividem. Enquanto Mirae Asset e Lifetime enxergam espaço para a continuidade do ciclo, BV e Santander esperam uma pausa.

No comunicado, o Copom manteve a avaliação de que a atividade econômica passa por “moderação gradual”, enquanto a inflação desacelerou, embora continue acima da meta. A projeção do BC para o IPCA no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante, permaneceu em 3,2%.

Para Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, a comunicação deixa espaço para novos cortes, que dependerão da evolução dos dados.

“O comunicado deixa, portanto, as portas abertas para a continuidade do ciclo de corte de juros pelo Banco Central”, afirma.

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Na avaliação da economista, a probabilidade de corte na próxima reunião é maior que a de manutenção, caso a dinâmica atual de inflação e atividade seja mantida. O câmbio, porém, deve ganhar importância diante das incertezas externas e do cenário eleitoral doméstico.

Pausa ou mais corte?

O banco BV tem uma leitura mais cautelosa. Para o economista-chefe Roberto Padovani, as poucas mudanças no comunicado reforçam a postura dependente de dados do BC.

“O Banco Central vai aguardar mais informações antes de agir. No nosso cenário aqui no banco, a gente imagina que ele vai fazer uma pausa até ter mais segurança na convergência da inflação”, afirma.

O BV espera, portanto, Selic de 13,75% no fim de 2026, com retomada dos cortes em 2027.

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O Santander também projeta uma pausa, mas classificou o comunicado como “marginalmente dovish” e destacou que não houve sinalização de encerramento do ciclo.

Marco Antonio Caruso, economista do banco, chama atenção a manutenção da projeção de inflação em 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, apesar da piora de alguns condicionantes, como câmbio, petróleo e expectativas para 2027.

“Com inflação projetada ainda em 3,2%, melhora da inflação corrente e moderação da atividade, o comunicado não constrói qualquer argumento para justificar o ciclo por aqui”, afirma.

Assim, embora mantenha a expectativa de pausa, o Santander considera que o ciclo de cortes segue vivo.

Riscos ainda estão no radar

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Para Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, a melhora da inflação abre espaço para o BC continuar reduzindo os juros, embora com cautela.

“Em meio ao dilema entre o alívio de curto prazo e riscos de médio e longo prazo, o Banco Central deve seguir o afrouxamento, com a parcimônia que tem caracterizado esse ciclo”, afirma.

Já José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, alerta que parte da melhora recente da inflação veio de fatores pontuais, que podem se reverter.

Entre os riscos estão um El Niño mais intenso, com possíveis impactos sobre os alimentos, e o petróleo acima dos US$ 100 diante da guerra no Oriente Médio.

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Para Camargo, o fato de o Copom não ter dado maior destaque a esses fatores sugere uma comunicação mais suave sobre a política monetária.

Com isso, apesar das diferentes projeções para a próxima reunião, o mercado vê um Copom que ainda não colocou um ponto final no ciclo de cortes. Inflação, atividade, câmbio e cenário externo devem definir se a Selic cai novamente ou permanece em 13,75%.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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