Tribunal de Paris condena Airbus e Air France por queda do voo Rio-Paris em 2009
O Tribunal de Apelação de Paris decidiu nesta quarta-feira (21) condenar a Airbus e a Air France por homicídio culposo corporativo no caso do voo AF447, que caiu no Oceano Atlântico em 2009, deixando 228 mortos. O acidente é considerado o pior desastre aéreo da história da França.
As empresas foram condenadas ao pagamento da multa máxima prevista, de 225 mil euros cada (cerca de R$ 1,3 milhão). A decisão reverte a sentença de primeira instância, de 2023, que havia absolvido as duas companhias, apesar de reconhecer falhas e negligência.
Durante o novo julgamento, realizado no segundo semestre de 2025, o Ministério Público francês mudou sua posição e passou a defender a condenação das empresas. Segundo os promotores, os erros cometidos foram “claros” e contribuíram diretamente para o acidente.
A acusação apontou que a Airbus subestimou problemas recorrentes nas sondas Pitot — sensores responsáveis por medir a velocidade da aeronave — e falhou em alertar as companhias aéreas com a urgência necessária.
Já a Air France foi responsabilizada por falhas no treinamento dos pilotos para lidar com situações de perda de sustentação em alta altitude.
As empresas ainda podem recorrer da decisão.
Relembre o acidente
O voo AF447 decolou do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, na noite de 31 de maio de 2009, com destino a Paris. Cerca de quatro horas após a decolagem, ao atravessar uma área de tempestade próxima à Linha do Equador, os sensores de velocidade congelaram, provocando o desligamento do piloto automático.
Segundo as investigações, os pilotos tiveram dificuldade para interpretar a falha e reagiram de forma inadequada, levando a aeronave a entrar em estol aerodinâmico, quando o avião perde sustentação.
O Airbus A330 caiu de uma altitude de cerca de 11,5 km por aproximadamente três minutos e meio até atingir o oceano.
O relatório final apontou uma combinação de fatores técnicos e humanos, incluindo falhas nos equipamentos, erros de pilotagem e treinamento insuficiente da tripulação.
*Com informações da Reuters e CNN